Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... Isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida. .. Isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma....
Minha lira tem um jeito de quem está perdido em um caminho sem volta, não há paredes, não há estradas, não há luz nem referentes, há apenas passos desvairados que me conduzem querendo voltar...
segunda-feira, 7 de outubro de 2019
terça-feira, 1 de outubro de 2019
Lapso - Rancho da Goiabada
"A vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros pela vida", é poetinha minhas vivências me fazem repetir incansavelmente essa frase, obrigado!
Um casal (sem a hipocrisia medíocre habitual dos que fingem ser casais), um convite, um lar, dois radicados, samba!
Sábado a noite estava marcada uma reunião de colegas para cantar uns sambinhas... raramente fico doente, mas eu estava febril, sentindo aqueles calafrios cabulosos (que arrepiam até os pelos das orelhas)... Tomei um banho, coloquei aquele moletom maroto de capuz, e fui, ficar em casa sozinho rachando de febre não era a melhor opção, até ae sem novidades!
Cheguei na casa desse casal... aquela casa com um puta recuo, ou seja, um quintal "bitelão", uma hortinha marota... Ele de BH ela de SP... radicados há 3 anos em campina grande, cidade boa.
Alguns (vários, rs) tragos de cachaça e um casal de repertório enfezado, confesso que fiquei surpreso!
O anfitrião, mano Tiago Perdigão, com seu pinho no peito rememorando várias musguinhas que "a gente gosta" cantou "Favela - Padeirinho" que música linda, mas é um samba de terreiro e que eu nunca (em 6 anos em campina grande) tinha visto alguém cantar, confesso que fiquei emocionado, e assim prosseguiram as surpresas, entramos no repertório do Geraldo Filme, outro gênio, pouco conhecido e valorizado, e meus zoinhos brilhavam, até arrisquei cantar (os anfitriões,que estão nessa lista, me desculpem eu definitivamente não sei cantar rs) mas eu estava tão a vontade, me sentindo em casa...
O ápice da noite foi quando o mano Perdigão cantou uma musga que "abalou bangu", simplesmente bagunçou meu coreto.
Essa canção que o mano Perdigão cantou foi-me apresentada em 1992 (estava com 9 anos) pela professora Nilza, ela não apresentou apenas, mas nos fez interpretar a musga. Ah, como sou grato!
Quer dizer, na verdade, foram duas musgas mas a primeira que ela passou o exercício de interpretação eu devia ter algum compromisso inadiável, porque eu faltei rs, era "Pau de arara'. Mas pra minha sorte na segunda eu estava lá, junto com o Chandela (que também está aqui na lista 😍). Foi incrível a viagem nas nossas cabecinhas férteis, fala ae Chandela!
Em seguida eu pedi que ela me gravasse um K7, dois dias depois ele me presenteou e foi a a responsável direta por eu me interessar por MPB. Eu nunca descobri quais eram as musgas daquele K7, exceto a primeira, que eu escutava, ouvia e voltava a fita K7 com a bic, e escutava e ouvia incansavelmente... não necessariamente nessa ordem, rs. A musga do K7 era construção... E eu construia e reconstruia aquela viagem quase que psicodélica da letra, poxa numa mente de 9 anos, aquela era fonte de inspiração pra "fantástico mundo de Bob" nenhum por defeito. mesmo eu não entendo nada, mas ela apresenta muitos elementos imagináveis.
Nas voltas que a vida dá, a professora Nilza que ainda morou na rua da escola por anos, foi traída pelo marido, entrou em depressão... Anos mais tarde, saindo do curso de computação (informática rs) encontro ela no prédio... Claro que eu a abordei, rs, e ela lembrou-se de mim e de outros amiguinhos, inclusive o Chandela 😊.
Na outra semana, eu já havia ensaiado em casa, e fiz questão de contar pra ela o quanto ela fora importante na minha formação, o quanto aquela interpretação e aquele K7 foi um divisor de águas na minha vida... Infelizmente não posso transmitir pra vocês em palavras as lágrimas que ela deixou rolar com um sorrisão lindo...
P.S.: Um dia no refeitório da escola, comendo polenta com carne moída, o Chandela me chamou a atenção porque eu estava com os cotovelos na mesa, e não podia. rs Acreditem se quiser, naquela escola pública padrão, essa mesma professora nos dava aula de etiqueta. Tínhamos um caderninho com essas lições. Eu o Chandela e outros amiguinhos, nessa época morávamos em barraco de madeira, essa mulher foi mesmo muito importante. Até hoje eu finjo que sou educado me valendo de várias lições que ela deu.
Rancho da goiabada é a musga em questão!
Essa musga conta muito das coisas que eu via meu pai fazendo e vivendo, é óbvio que na época eu não tinha essa leitura da situação neh, mas eu gostava dos vários elementos dela, mas hoje ela me comove imensamente justamente por conseguir enxergar que meu pai era um dos personagens daquela musga, um flagelado retirante nordestino no inicio dos anos 90, analfabeto, descriminado, sobrevivendo de biscates e tentando dar para o filho tudo o que seu pai não deu, principalmente carinho.
Um casal (sem a hipocrisia medíocre habitual dos que fingem ser casais), um convite, um lar, dois radicados, samba!
Sábado a noite estava marcada uma reunião de colegas para cantar uns sambinhas... raramente fico doente, mas eu estava febril, sentindo aqueles calafrios cabulosos (que arrepiam até os pelos das orelhas)... Tomei um banho, coloquei aquele moletom maroto de capuz, e fui, ficar em casa sozinho rachando de febre não era a melhor opção, até ae sem novidades!
Cheguei na casa desse casal... aquela casa com um puta recuo, ou seja, um quintal "bitelão", uma hortinha marota... Ele de BH ela de SP... radicados há 3 anos em campina grande, cidade boa.
Alguns (vários, rs) tragos de cachaça e um casal de repertório enfezado, confesso que fiquei surpreso!
O anfitrião, mano Tiago Perdigão, com seu pinho no peito rememorando várias musguinhas que "a gente gosta" cantou "Favela - Padeirinho" que música linda, mas é um samba de terreiro e que eu nunca (em 6 anos em campina grande) tinha visto alguém cantar, confesso que fiquei emocionado, e assim prosseguiram as surpresas, entramos no repertório do Geraldo Filme, outro gênio, pouco conhecido e valorizado, e meus zoinhos brilhavam, até arrisquei cantar (os anfitriões,que estão nessa lista, me desculpem eu definitivamente não sei cantar rs) mas eu estava tão a vontade, me sentindo em casa...
O ápice da noite foi quando o mano Perdigão cantou uma musga que "abalou bangu", simplesmente bagunçou meu coreto.
Essa canção que o mano Perdigão cantou foi-me apresentada em 1992 (estava com 9 anos) pela professora Nilza, ela não apresentou apenas, mas nos fez interpretar a musga. Ah, como sou grato!
Quer dizer, na verdade, foram duas musgas mas a primeira que ela passou o exercício de interpretação eu devia ter algum compromisso inadiável, porque eu faltei rs, era "Pau de arara'. Mas pra minha sorte na segunda eu estava lá, junto com o Chandela (que também está aqui na lista 😍). Foi incrível a viagem nas nossas cabecinhas férteis, fala ae Chandela!
Em seguida eu pedi que ela me gravasse um K7, dois dias depois ele me presenteou e foi a a responsável direta por eu me interessar por MPB. Eu nunca descobri quais eram as musgas daquele K7, exceto a primeira, que eu escutava, ouvia e voltava a fita K7 com a bic, e escutava e ouvia incansavelmente... não necessariamente nessa ordem, rs. A musga do K7 era construção... E eu construia e reconstruia aquela viagem quase que psicodélica da letra, poxa numa mente de 9 anos, aquela era fonte de inspiração pra "fantástico mundo de Bob" nenhum por defeito. mesmo eu não entendo nada, mas ela apresenta muitos elementos imagináveis.
Nas voltas que a vida dá, a professora Nilza que ainda morou na rua da escola por anos, foi traída pelo marido, entrou em depressão... Anos mais tarde, saindo do curso de computação (informática rs) encontro ela no prédio... Claro que eu a abordei, rs, e ela lembrou-se de mim e de outros amiguinhos, inclusive o Chandela 😊.
Na outra semana, eu já havia ensaiado em casa, e fiz questão de contar pra ela o quanto ela fora importante na minha formação, o quanto aquela interpretação e aquele K7 foi um divisor de águas na minha vida... Infelizmente não posso transmitir pra vocês em palavras as lágrimas que ela deixou rolar com um sorrisão lindo...
P.S.: Um dia no refeitório da escola, comendo polenta com carne moída, o Chandela me chamou a atenção porque eu estava com os cotovelos na mesa, e não podia. rs Acreditem se quiser, naquela escola pública padrão, essa mesma professora nos dava aula de etiqueta. Tínhamos um caderninho com essas lições. Eu o Chandela e outros amiguinhos, nessa época morávamos em barraco de madeira, essa mulher foi mesmo muito importante. Até hoje eu finjo que sou educado me valendo de várias lições que ela deu.
Rancho da goiabada é a musga em questão!
Essa musga conta muito das coisas que eu via meu pai fazendo e vivendo, é óbvio que na época eu não tinha essa leitura da situação neh, mas eu gostava dos vários elementos dela, mas hoje ela me comove imensamente justamente por conseguir enxergar que meu pai era um dos personagens daquela musga, um flagelado retirante nordestino no inicio dos anos 90, analfabeto, descriminado, sobrevivendo de biscates e tentando dar para o filho tudo o que seu pai não deu, principalmente carinho.
Os bóias-frias
Quando tomam umas biritas
Espantando a tristeza,
Sonham com bife-a-cavalo, batata-frita
E a sobremesa
É goiabada cascão com muito queijo,
Depois café, cigarro e um beijo
De uma mulata chamada
Leonor ou Dagmar...
Amar
O rádio de pilha, o fogão jacaré, a marmita, o domingo
O bar
Onde tantos iguais se reúnem e contando mentiras
Pra poder suportar...
Ai, são pais-de-santo, paus-de-araras são passistas
São flagelados, são pingentes, balconistas
Palhaços, marcianos, canibais, lírios, pirados,
Dançando dormindo de olhos abertos à sombra
Da alegoria dos faraós embalsamados
Quando tomam umas biritas
Espantando a tristeza,
Sonham com bife-a-cavalo, batata-frita
E a sobremesa
É goiabada cascão com muito queijo,
Depois café, cigarro e um beijo
De uma mulata chamada
Leonor ou Dagmar...
Amar
O rádio de pilha, o fogão jacaré, a marmita, o domingo
O bar
Onde tantos iguais se reúnem e contando mentiras
Pra poder suportar...
Ai, são pais-de-santo, paus-de-araras são passistas
São flagelados, são pingentes, balconistas
Palhaços, marcianos, canibais, lírios, pirados,
Dançando dormindo de olhos abertos à sombra
Da alegoria dos faraós embalsamados
segunda-feira, 30 de setembro de 2019
Lapso - Duvida (Augusto Calheiros)
Certa vez, estava passando o fds no RJ com uma colega, e naquele sábado havíamos feito uma programações diferentes. No início da noite eu sentei em um bar ao lado do Flat (Meu colega Sebah, estava em SP e deixou a chave do Flat na portaria rs) que estávamos hospedados. Era no foco da dengue, no centro do meio do miolo da Lapa, ali, na rua da Polícia Federal na Rodrigues Alves. Minha colega ligou pedido pra eu esperar para subirmos juntos pro ap, então pedi uma cachaça e fiquei aguardando-a. Comecei ouvir alguém cantarolando baixinho lindamente, uma afinação absurda, um timbre daqueles que hoje em dia não se tem mais, de gente velha mesmo. Puxei minha cadeira mais pra perto da mesa atrás de mim... O som ficou um pouquinho mais nítido, mas ainda sim baixinho... Não resisti e me virei pra ver a cara do cidadão que cantavam aquele samba canção, quando me viro, me deparo com aquele senhorzinho de narigão e orelhão (dizem que esses dois orgãos não param de crescer por conta da cartilagem
Pedi Errei, erramos... Ele com um o sorrisão disse que essa ele conhecia, rs
A Amanda chegou, eu dei a chave e falei que subiria só mais tarde... Fiquei um pouco mais de uma hora escutando aquela graça de ser humano cantar sambas canções lindos... Ah que voz linda...
Fiz um pedido especial, eu na minha arrogância achei que ele não saberia cantar, ele sempre sorrindo começou a cantar, é a na segunda parte ele parecia ter adivinhado que eu achava que ele não saberia, porque ele interrompeu e disse: Achou que eu não ia lembrar ne!? (Sabedoria é pra quem tem, não pra quem quer ou acha que tem).
Apesar dele morar na rua de trás de onde eu estava hospedado aquele fds eu não o vi mais, ele não usava whatsapp, rs.
Bom, como vocês bem sabem é óbvio que tirei uma foto com ele neh!
E a musga de hoje é a que ele me pegou no pulo do gato.
que não se ossifica neh!?) e um sorriso lindo, uma energia absurda, me senti tão confortável que não resisti, perguntei se ela cantaria uma música, ele simpaticamente respondeu que se soubesse... rs
Não sei por que razão
Tu tens ciúmes.
Não sei por que razão
Não crês em mim
Se sabes que te quero
Que o meu amor
É tão sincero
É demais duvidar tanto assim!
Ai de mim!
Não sei por que razão
Tu tens ciúmes.
Não sei por que razão
Não crês em mim!
Bem vês
Que vivo escravizado
E preso ao teu encanto!
Não deves duvidar assim
De quem te adora tanto!
Não deves duvidar de mim
Porque não tens razão!
Assim torturas sem querer
Meu coração!
Pedi Errei, erramos... Ele com um o sorrisão disse que essa ele conhecia, rs
A Amanda chegou, eu dei a chave e falei que subiria só mais tarde... Fiquei um pouco mais de uma hora escutando aquela graça de ser humano cantar sambas canções lindos... Ah que voz linda...
Fiz um pedido especial, eu na minha arrogância achei que ele não saberia cantar, ele sempre sorrindo começou a cantar, é a na segunda parte ele parecia ter adivinhado que eu achava que ele não saberia, porque ele interrompeu e disse: Achou que eu não ia lembrar ne!? (Sabedoria é pra quem tem, não pra quem quer ou acha que tem).
Apesar dele morar na rua de trás de onde eu estava hospedado aquele fds eu não o vi mais, ele não usava whatsapp, rs.
Bom, como vocês bem sabem é óbvio que tirei uma foto com ele neh!
E a musga de hoje é a que ele me pegou no pulo do gato.
que não se ossifica neh!?) e um sorriso lindo, uma energia absurda, me senti tão confortável que não resisti, perguntei se ela cantaria uma música, ele simpaticamente respondeu que se soubesse... rs
Não sei por que razão
Tu tens ciúmes.
Não sei por que razão
Não crês em mim
Se sabes que te quero
Que o meu amor
É tão sincero
É demais duvidar tanto assim!
Ai de mim!
Não sei por que razão
Tu tens ciúmes.
Não sei por que razão
Não crês em mim!
Bem vês
Que vivo escravizado
E preso ao teu encanto!
Não deves duvidar assim
De quem te adora tanto!
Não deves duvidar de mim
Porque não tens razão!
Assim torturas sem querer
Meu coração!
quarta-feira, 25 de setembro de 2019
A Traição das Elegantes - Rubem Braga
Tarde fria, e então eu me sinto um daqueles velhos poetas de antigamente que sentiam frio na alma quando a tarde estava fria, e então eu sinto uma saudade muito grande, uma saudade de noivo, e penso em ti devagar, bem devagar, com um bem-querer tão certo e limpo, tão fundo e bom que parece que estou te embalando dentro de mim.
Ah, que vontade de escrever bobagens bem meigas, bobagens para todo mundo me achar ridículo e talvez alguém pensar que na verdade estou aproveitando uma crônica muito antiga num dia sem assunto, uma crônica de rapaz; e, entretanto, eu hoje não me sinto rapaz, apenas um menino, com o amor teimoso de um menino, o amor burro e comprido de um menino lírico. Olho-me no espelho e percebo que estou envelhecendo rápida e definitivamente; com esses cabelos brancos parece que não vou morrer, apenas minha imagem vai-se apagando, vou ficando menos nítido, estou parecendo um desses clichês sempre feitos com fotografias antigas que os jornais publicam de um desaparecido que a família procura em vão.
Sim, eu sou um desaparecido cuja esmaecida, inútil foto se publica num canto de uma página interior de jornal, eu sou o irreconhecível, irrecuperável desaparecido que não aparecerá mais nunca, mas só tu sabes que em alguma distante esquina de uma não lembrada cidade estará de pé um homem perplexo, pensando em ti, pensando teimosamente, docemente em ti, meu amor.
Do livro "A Traição das Elegantes", Editora Sabiá - Rio de Janeiro, 1969, pág. 112
Ah, que vontade de escrever bobagens bem meigas, bobagens para todo mundo me achar ridículo e talvez alguém pensar que na verdade estou aproveitando uma crônica muito antiga num dia sem assunto, uma crônica de rapaz; e, entretanto, eu hoje não me sinto rapaz, apenas um menino, com o amor teimoso de um menino, o amor burro e comprido de um menino lírico. Olho-me no espelho e percebo que estou envelhecendo rápida e definitivamente; com esses cabelos brancos parece que não vou morrer, apenas minha imagem vai-se apagando, vou ficando menos nítido, estou parecendo um desses clichês sempre feitos com fotografias antigas que os jornais publicam de um desaparecido que a família procura em vão.
Sim, eu sou um desaparecido cuja esmaecida, inútil foto se publica num canto de uma página interior de jornal, eu sou o irreconhecível, irrecuperável desaparecido que não aparecerá mais nunca, mas só tu sabes que em alguma distante esquina de uma não lembrada cidade estará de pé um homem perplexo, pensando em ti, pensando teimosamente, docemente em ti, meu amor.
Do livro "A Traição das Elegantes", Editora Sabiá - Rio de Janeiro, 1969, pág. 112
terça-feira, 24 de setembro de 2019
Lapso - Seca no nordeste
A região do semi-árido brasileiro que tem apenas 982.566,3 km2 (composto pelos sertões da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe, Alagoas, Ceará, Piauí, Bahia e o norte de Minas Gerais) AINDA PADECE COM AS SECAS. Mas, por pura negligência política. Essa miséria garante o voto de cabresto. "É a vida como ela é" já nos ensinou Nelson Rodrigues.
Na nossa primeira viagem no nordeste (2015) o Luan tinha acabado de ler o livro Padre Cícero - Poder, fé e Guerra no sertão (Lira Neto) e fez questão de querer conhecer a estátua do "Padim Ciço" no Juazeiro do Norte, Ceará. A distância de Campina Grande para Juazeiro é de 475 Km, mas existem inúmeros trechos que não é pista (BR) passam por dentro de cidadezinhas e vilarejos. Saímos (de carro) de CG as 10:30 e chegamos na colina do Horto (onde fica a estátua) as 17:30hs. Não havia ninguém, afinal que idiota chega naquele lugar na hora do por do sol? Enfim, ficamos meia hora, tiramos aquele velho retrato (pra não passarmos por mentirosos, rs) e voltamos pra cidade. Jantamos e voltamos, saímos do Juazeiro as 19:30 hs e chegamos em CG as 02:30 hs. Sinceramente, inenarrável tudo que vimos na estrada...
Na sequência Luan voltou pra SP e discutindo a respeito do que aprendemos na viagem chegamos a conclusão: O sertão é o caldeirão do diabo! Depois de outras viagens nos pergutamos o que poderíamos fazer para ajudar de alguma forma alguém do sertão. Decidimos que iríamos cavar um poço em algum sitio desses bem distantes, pra que, ao menos, em algum perímetro daquele braseiro sem fim, algumas pessoas pudessem se beneficiar. Fiz a cotação, R$ 3.000,00 por 100 metros... Normalmente encontra-se água após 300 metros (mas não é garantido, são probabilidades)... Não foi possível!
Um sertanejo não precisa de esmola do governo, eles precisam de condições, por lá, um trator da prefeitura para arar a Terra (o resto fazem na enxada) e um poço ou barragem seria suficiente pras aspirações de vida e retomada da "dignidade" daquela gente, mas como manter o voto de cabresto sem "assistencialismo"?
Gonzaga em 70 cantou:
"Seu doutô os nordestino têm muita gratidão
Pelo auxílio dos sulista nessa seca do sertão
Mas doutô uma esmola a um homem qui é são
Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão
É por isso que pidimo proteção a vosmicê
Home pur nóis escuído para as rédias do pudê
Pois doutô dos vinte estado temos oito sem chovê
Veja bem, quase a metade do Brasil tá sem cumê
Dê serviço a nosso povo, encha os rio de barrage
Dê cumida a preço bom, não esqueça a açudage
Livre assim nóis da ismola, que no fim dessa estiage
Lhe pagamo inté os juru sem gastar nossa corage."
Ó sol!
sol escaldante
Terra poeirenta
Dias e dias, meses e meses sem chover
E o pobre lavrador com a ferramenta rude
Dá corte no solo duro
Em cada pancada parece gemer
Hum, hum, hum, hum, hum, hum, hum, hum
Geme a terra de dor ô ô ô ô
Não adianta o meu lamento meu Senhor
Õ õ Õ õ E a chuva não vem
O Chão continua seco e poeirento
No auge do desespero uns se revoltan contra Deus
Outros rezam com fervor
Nosso gado está sedento meu Senhor
Nos livrai dessa desgraça
O céu escurece
As nuvens parecem grandes rolos de fumaça
Chove no coração do Brasil
E o lavrador retira o seu chapéu
E olhando o firmamento
Suas lágrimas se unem
Com as dádivas do céu
O gado muge de alegria
Parece entoar uma linda melodia.
Na nossa primeira viagem no nordeste (2015) o Luan tinha acabado de ler o livro Padre Cícero - Poder, fé e Guerra no sertão (Lira Neto) e fez questão de querer conhecer a estátua do "Padim Ciço" no Juazeiro do Norte, Ceará. A distância de Campina Grande para Juazeiro é de 475 Km, mas existem inúmeros trechos que não é pista (BR) passam por dentro de cidadezinhas e vilarejos. Saímos (de carro) de CG as 10:30 e chegamos na colina do Horto (onde fica a estátua) as 17:30hs. Não havia ninguém, afinal que idiota chega naquele lugar na hora do por do sol? Enfim, ficamos meia hora, tiramos aquele velho retrato (pra não passarmos por mentirosos, rs) e voltamos pra cidade. Jantamos e voltamos, saímos do Juazeiro as 19:30 hs e chegamos em CG as 02:30 hs. Sinceramente, inenarrável tudo que vimos na estrada...
Na sequência Luan voltou pra SP e discutindo a respeito do que aprendemos na viagem chegamos a conclusão: O sertão é o caldeirão do diabo! Depois de outras viagens nos pergutamos o que poderíamos fazer para ajudar de alguma forma alguém do sertão. Decidimos que iríamos cavar um poço em algum sitio desses bem distantes, pra que, ao menos, em algum perímetro daquele braseiro sem fim, algumas pessoas pudessem se beneficiar. Fiz a cotação, R$ 3.000,00 por 100 metros... Normalmente encontra-se água após 300 metros (mas não é garantido, são probabilidades)... Não foi possível!
Um sertanejo não precisa de esmola do governo, eles precisam de condições, por lá, um trator da prefeitura para arar a Terra (o resto fazem na enxada) e um poço ou barragem seria suficiente pras aspirações de vida e retomada da "dignidade" daquela gente, mas como manter o voto de cabresto sem "assistencialismo"?
Gonzaga em 70 cantou:
"Seu doutô os nordestino têm muita gratidão
Pelo auxílio dos sulista nessa seca do sertão
Mas doutô uma esmola a um homem qui é são
Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão
É por isso que pidimo proteção a vosmicê
Home pur nóis escuído para as rédias do pudê
Pois doutô dos vinte estado temos oito sem chovê
Veja bem, quase a metade do Brasil tá sem cumê
Dê serviço a nosso povo, encha os rio de barrage
Dê cumida a preço bom, não esqueça a açudage
Livre assim nóis da ismola, que no fim dessa estiage
Lhe pagamo inté os juru sem gastar nossa corage."
Ó sol!
sol escaldante
Terra poeirenta
Dias e dias, meses e meses sem chover
E o pobre lavrador com a ferramenta rude
Dá corte no solo duro
Em cada pancada parece gemer
Hum, hum, hum, hum, hum, hum, hum, hum
Geme a terra de dor ô ô ô ô
Não adianta o meu lamento meu Senhor
Õ õ Õ õ E a chuva não vem
O Chão continua seco e poeirento
No auge do desespero uns se revoltan contra Deus
Outros rezam com fervor
Nosso gado está sedento meu Senhor
Nos livrai dessa desgraça
O céu escurece
As nuvens parecem grandes rolos de fumaça
Chove no coração do Brasil
E o lavrador retira o seu chapéu
E olhando o firmamento
Suas lágrimas se unem
Com as dádivas do céu
O gado muge de alegria
Parece entoar uma linda melodia.
quinta-feira, 19 de setembro de 2019
Lapso - Amado Batista
Um sonho? Ir no show do Amado 😍
1992/93 sentava eu e o Josivam em cima do barraco (na viga das telhas brasilit) e escutava Amado Batista por horas.
O Pai do Josivam, saudoso Zé Preto (um dos melhores amigos do meu coroa) fez um bar (de migué, de noite rolava uma jogatina pesada de baralho) na casa dele, e a vitrola rodava quase que 24 hs...
Eu tinha uns 10 anos, lembro que pegava o jornal escondido no bar e me perguntava 2 coisas:
1- Pra que tinha jornal ali se os caras eram todos analfabetos 😅
2- Caraleoooo como que preenche essa porra (palavras cruzadas), uma vez perguntei pro Zé Preto que disse que não sabia ler. Kkkkkkkk
Era um tempo de muita inocência pra mim, sinto saudade.
Uma das poesias mais lindas do cancioneiro brasileiro. É, não é erudita, mas é vívida e por isso é, pra mim, um das canções mais linda... Essa é uma daquelas que o Vinícius esqueceu de compor.
Há como eu queria
Voltar ao passado
Cantar com meus amigos
Pra você fazer serenata
Nas madrugadas vazias
De sereno meu violão molhado
Eu cantava em sua janela
Eu era o seu namorado
A lua descia do céu
Eu cantando você acordava
Com os olhos cheios de amor
Abria a janela e me beijava
Depois de te dar uma flor
Quase chorando eu ia embora
Há se voltasse esse tempo
De poesia sem dor de outrora
O tempo passou como as nuvens
Sopradas pela tempestade
Onde está a minha alegria
Já não tenho mais felicidade
Vou cantar outra vez pra você
Jogar fora essa dor que me mata
Vou chamar meu melhor amigo
E pra você fazer serenata.
quarta-feira, 18 de setembro de 2019
Demian - Hermann Hesse
“Não creio ser um homem que saiba. Tenho sido sempre um homem que busca.”
“A vida de todo ser humano é um caminho em direção a si mesmo, a tentativa de um caminho, o seguir de um simples rastro.”
“Desses acontecimentos, que ninguém percebe, é que se nutre a linha axial interna de nosso destino. A falha, a rachadura se fecham mais tarde; podem cicatrizar e cair no esquecimento; mas em nossa câmara secreta mais recôndita nunca cessam de sangrar.”
“...podemos entender-nos uns aos outros, mas somente a si mesmo pode cada um interpretar-se.”
“Sempre é bom termos consciência de que dentro de nós há alguém que tudo sabe...”
“Queria apenas tentar viver aquilo que brotava espontaneamente em mim. Por que isso me era tão difícil?”
“Quando alguém encontra algo de que verdadeiramente necessita, não é o acaso que tal proporciona, mas a própria pessoa; seu próprio desejo e sua própria necessidade o conduzem a isso.”
"Há, por exemplo, entre as mariposas, certa espécie noturna da qual as fêmeas são em número muito mais reduzido do que os machos. As mariposas se reproduzem da mesma maneira que todos os outros insetos: o macho fecunda a fêmea, e esta põe ovos. Quando se captura uma dessas fêmeas (e numerosos naturalistas já comprovaram o fato), os machos vão dar ao lugar onde ela se encontra prisioneira, depois de voarem vários quilômetros de distância, viajando horas e horas através da noite. Presta atenção! A vários quilômetros de distância os machos sentem a presença da única fêmea existente nas imediações. Tentou-se buscar uma explicação para o fato, mas é muito difícil de explicar. Talvez os machos tenham o sentido do olfato extraordinariamente desenvolvido, como os bons cães de caça, que conseguem achar e seguir um rastro imperceptível. Compreendes? A Natureza está cheia de fatos como este, que ninguém consegue explicar. Mas imagino que se, entre essas mariposas, as fêmeas fossem tão freqüentes quanto os machos, estes talvez não tivessem um olfato tão fino. Se o têm é porque se viram na necessidade de exercitá-lo a tal ponto e a intensificar sua sensibilidade. Quando um animal ou um homem orienta toda a sua atenção e toda a sua força de vontade para determinado fim, acaba por consegui-lo. O mesmo acontece com o que antes dizíamos. Se observarmos uma pessoa com suficiente atenção, acabaremos por saber mais a seu respeito do que a própria pessoa.
(...) É necessário perguntar-se sempre, duvidar sempre. Mas a coisa é muito simples. Se uma dessas mariposas noturnas de que falamos pretendesse orientar toda a sua vontade em direção a uma estrela ou a outro fim semelhante, é claro que nada conseguiria. Mas nem sequer pretende isso. Busca apenas o que tem para ela um sentido e um valor, algo que lhe é necessário e de que não pode prescindir. E é então precisamente quando consegue também o inacreditável: desenvolver um sexto sentido, que só ela possui entre todos os animais. Nós, os homens, temos um campo de ação muito mais vasto e interesses mais amplos do que os animais. Mas também nós nos achamos inscritos num círculo relativamente pequeno e não conseguimos ultrapassá-lo. Posso imaginar muitas coisas, imaginar, por exemplo, que meu maior desejo seria chegar ao Pólo Norte ou algo semelhante; mas só poderei querer isso com suficiente intensidade e realizar esse desejo quando ele realmente existir em mim e todo o meu ser se achar penetrado por ele. Quando isso acontece, quando intentas algo que te é ordenado de dentro do teu próprio ser, acabas por consegui-lo e podes atrelar tua vontade como se fosse um animal de tiro. Se eu me esforçasse agora no sentido de que, por exemplo, o nosso pároco não usasse óculos, não haveria de conseguir nada. Seria apenas um jogo. Mas, quando no outono passado, surgiu em mim o firme propósito de mudar de lugar na classe, tudo aconteceu maravilhosamente. Logo apareceu um aluno, que até então estivera doente e cujo nome começava por uma letra anterior à inicial do meu, e como alguém devesse dar-lhe o lugar nos primeiros bancos, fui eu, desde logo, quem lhe cedeu o lugar, precisamente porque minha vontade já se encontrava preparada para aproveitar a primeira ocasião."
“A maioria das pessoas vive também em sonhos, mas não nos próprios, e aí é que está a diferença.”
“Não creio que se possam considerar homens todos esses bípedes que caminham pelas ruas, simplesmente porque andam eretos ou levem nove meses para vir à luz. Sabes muito bem que muitos deles não passam de peixes ou de ovelhas, vermes ou sanguessugas, formigas ou vespas.”
“Quando me comparava com os demais, sentia-me muitas vezes orgulhoso e satisfeito comigo mesmo, e em outras tantas deprimido e humilhado. Ora me acreditava um verdadeiro gênio, ora fraco do juízo. Não me era possível compartilhar a vida e as alegrias dos outros rapazes de minha idade, e às vezes reprovava asperamente o meu isolamento e sentia profunda tristeza, crendo-me definitivamente afastado de todos os meus semelhantes, com todas as portas da vida fechadas irrevogavelmente para mim.”
“Não há porque te comparares com os demais, e se a natureza te criou para morcego, não deves aspirar a ser avestruz. Às vezes te consideras por demais esquisito e te reprovas por seguires caminhos diversos dos da maioria. Deixa-te disso. Contempla o fogo, as nuvens, e quando surgirem presságios e as vozes soarem em tua alma, abandona-te a elas sem perguntares se isso convém ou é do gosto do senhor teu pai ou do professor ou de algum bom deus qualquer. Com isso só conseguimos perder-nos, entrar na escala burguesa e fossilizar-nos.”
“Não devemos temer nem julgar ilícito nada do que nossa alma deseja em nós mesmos.”
“A ave saiu do ovo. O ovo é o mundo. Quem quiser nascer tem que destruir um mundo.”
“A única realidade é aquela que se contém dentro de nós, e se os homens vivem tão irrealmente é porque aceitam como realidade as imagens exteriores e sufocam em si a voz do mundo inteiro. Também se pode ser feliz assim; mas quando se chega a conhecer o outro, torna-se impossível seguir o caminho da maioria. O caminho da maioria é fácil, o nosso é penoso. Caminhemos.”
“Esta é minha fraqueza, meu caro Sinclair, pois às vezes percebo que não deveria sentir tais desejos, que são um luxo e uma fraqueza. Seria mais digno e mais acertado estar simplesmente à disposição do destino, sem aspirações de qualquer ordem. Mas não posso, é a única coisa que não posso fazer. Talvez tu o consigas um dia. É muito difícil, é o único verdadeiramente difícil. Já sonhei em consegui-lo, mas não o consigo realizar, me dá medo. Não posso decidir-me a ficar tão desnudo e tão só em meio da vida; também eu sou um pobre cão fraco, que necessita de um pouco de calor e de alimento e gosta de sentir-se de vez em quando entre seus semelhantes. Aquele que verdadeiramente só quer seu destino já não tem semelhantes e se ergue solitário sobre a terra, tendo ao seu lado somente os gélidos espaços infinitos.”
“Eu só esperava que meu destino se me apresentasse com uma nova imagem.”
"Todos os homens buscavam a 'liberdade' e a 'felicidade' num ponto qualquer do passado, só de medo de ver erguer-se diante deles a visão da responsabilidade própria e da própria trajetória."
"Nunca se chega ao porto. Mas quando duas rotas amigas coincidem, o mundo inteiro então nos parece o anelado porto."
“O que hoje existe não é comunidade, é simplesmente rebanho. Os homens se unem porque têm medo uns dos outros e cada um se refugia entre seus iguais: rebanho de patrões, rebanho de operários, rebanho de intelectuais...E por que têm medo? Só se tem medo quando não se está de acordo consigo mesmo.”
Frase - Irvin D. Yalom (Quando Nietzsche Chorou)
O desespero é o preço pago pela autoconsciência. Olhe profundamente para dentro de si e sempre encontrará o desespero.
A Forma Justa - Sophia de Mello Breyner Andresen
Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu o mar e a terra estão prontos
A saciar a nossa fome do terrestre
A terra onde estamos — se ninguém atraiçoasse — proporia
Cada dia a cada um a liberdade e o reino
— Na concha na flor no homem e no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa
E no todo se integra como palavra em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo
Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo.
In "O Nome das Coisas"
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu o mar e a terra estão prontos
A saciar a nossa fome do terrestre
A terra onde estamos — se ninguém atraiçoasse — proporia
Cada dia a cada um a liberdade e o reino
— Na concha na flor no homem e no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa
E no todo se integra como palavra em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo
Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo.
In "O Nome das Coisas"
quinta-feira, 12 de setembro de 2019
Lapso - Espetáculo "Violetas"
Ontem assisti um monólogo que contava a história da vovó Wilma, nascida em 1933. A neta da Dona Wilma (real) fez uma analogia do feminismo daquela época até hoje.
Me senti muito incomodado, afinal a neta da dona Wilma (Mayra Montenegro) tem a mesma idade que eu, e as situações machistas apresentadas pela Vó, mãe, tia, manicure e dela própria, dialogaram muito comigo, pois vivenciei praticamente tudo aquilo (com outra perspectiva, masculina, obviamente). Inclusive um fato bem peculiar, que relata a separação de uma das personagens que não pode arrumar outro companheiro pois o ex ameaçava-a de morte, igual meu pai e minha mãe. Meu pai faleceu ano passado, mas separou-se da minha mãe há uns 25 anos, e ela não arrumou outro companheiro pois meu pai passou esses 25 anos ameaçando-a, dentre outras situações apresentadas no monólogo.
Após a apresentação, foi aberto um debate (o SESC é phoda) e valendo-se da timidez que Deus me deu, dei meu depoimento de homem machista. Acreditem, por inúmeras vezes eu sou machista sem me atentar... tenho junto com outros amigos, trabalhado essa condição que é tão enraizada dentro de nós homens.
Bom, porque de todo esse blá blá blá? A trilha sonora da Dona Wilma era obviamente da era do rádio, e a música que mais marcou a Dona Wilma e a neta é uma que me toca profundamente, foi um sucesso estrondoso na voz do Carlos Galhardo (1943 original) e regravada por outros tantos intérpretes (Elis Regina fez um sucesso absurdo também) e ao vivo vi o Ney Matogrosso e o Elymar Santos interpretarem essa lindeza.
P.S.: Ae me perguntam por que não gosto das "musicas atuais", por que sou tão xiita... Respondo que é porque tenho referentes, se o novo não for tão bom ou melhor, eu fico com minha velharia mesmo! Uma música pra dialogar comigo precisa transmitir uma mensagem que agregue algum tipo de valor, caso contrário pra mim não é musica. E Fascinação é fascinante! Trocadilho péssimo eu sei, mas já foi.

Os sonhos mais lindos sonhei
De quimeras mil, um castelo ergui
E no teu olhar, tonto de emoção,
Com sofreguidão, mil venturas previ
O teu corpo é luz, sedução
Poema divino cheio de esplendor
Teu sorriso quente, inebria, entontece
És fascinação, amor
P.S.: Ainda sobre o espetáculo de ontem... Meu irmão (o filho único com mais irmãos do Brasil) Luan algum tempo atrás criticou nossa postura (homens) em relação a forma como as mulheres tratam os assuntos pessoais, ele disse que elas estão muito mais evoluídas, parei pra pensar... homens geralmente, comumente, falam de Música, política, futebol (a maioria) as vezes uma filosofada de boteco... Não paramos para falar dos nossos sentimentos (falo do meu circulo de relacionamento)... Ele criou então um grupo de WhatsApp que chama-se Clube da Luta (referência ao filme, com o feinho do Brad Pitt) e lá tentamos discutir essas questões, inclusive machismo é um tema sempre recorrente, sempre que percebemos ou somos chamados atenção, levamos a questão para o grupo. Pois bem ontem pela manhã, ele mandou no grupo um documentário, a noite ao fim do debate a atriz indicou o mesmo documentário.
Doc. O SILÊNCIO DOS HOMENS - Esse filme é parte de um projeto que ouviu mais de 40 mil pessoas em questões a respeito das masculinidades e desembocou num documentário e num livro-ferramenta baseado nesse estudo com dados públicos.
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