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quinta-feira, 30 de abril de 2020

Separações - Domingos Oliveira

Nunca pensei que pudesse o homem sentir tanta saudade.
Dizem que a palavra não existe em nenhum outro idioma...
mas eu conheço o seu significado.
A alma procura a outra na velocidade do desatino.
Não há lugar senão para a busca.
Nenhuma satisfação que não seja o encontro.
Nenhum engano possível.
A alma sabe exatamente qual a outra é.
É aquela.
Em tudo maravilha, encontrada seria uma.
Um eterno abraço.
Por que não cala o trovão da mente?
Por que não seca a lágrima da obsessão?
Por que não cessa esta falta que enfraquece?
Essa dor que apenas cresce.
Porque não fecha o peito ardente. Demente.
Ouvi o abismo presente, ouve o ruído dos passos...
Então cai eternamente.
Eu não sei se é verdade que de saudade tambémse morre, mas é melhor morrer do que sentir saudade.”

segunda-feira, 18 de março de 2013

Juventude - Domingos de Oliveira

Eu acredito em muitas coisas. Acreditei que o bem sempre venceria o mal. Lembro da minha mãe me acordando, as lágrimas dela rolando, para que eu comemorasse a derrota dos nazistas e o armistício. Acreditei em Freud e na psicanálise; se eu tivesse coragem, eu chegaria ao auto-conhecimento e seria feliz. Acreditei em Marx e na revolução. Se eu tivesse bastante coragem, eu poderia ajudar o mundo a alcançar a justiça social. Acreditei também em muitas outras coisas. Na dignidade, na honra, na inocência, na sabedoria, na razão, na intuição, na ciência e nas artes. Ah, sim, e acreditei mais do que tudo no amor eterno, no amor único, nas forças da paixão segundo Vinicius de Moraes. Acredito até hoje que quando os corpos dos amantes se unem a terra treme. Esta é a minha história, e a história da minha geração. Nós somos aqueles que viveram e sobreviveram a muitos ideais. Aqueles que viram a falência das soluções libertadoras. As que prometiam resolver o próprio enigma da existência humana. Nós somos os que vimos as falências das soluções. Não estou me queixando, não – não me queixo. O melhor é ter ideais, nem que seja para perdê-los – e sair procurando outros.”

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Poema - Domingos de Oliveira

Sou realmente fã dele... Era isso que eu queria dizer, mas os pensamentos desencontrados não me ajudaram, farei em outra ocasião!

Agora eu sei que te amo, de fato.
Mais que minhas rimas ou primas,
Ou outras que vieram depois.
Pois porque eu sou porque sois,
Além da lua, além dos sóis que vimos juntos,
Ou quaisquer outros assuntos, agora eu sei.
Eu vos amo mais do que temo a morte.
Eu reconheço a fonte dos nossos problemas:
É que antes, e cedo,
Eu fiquei com medo de te escrever
Poemas.

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