quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Esperança - Alessandro Brito


Em um instante breve um sonho se desfaz, a linha tênue entre a paz e o desassossego balança e vejo a responsabilidade afetiva morrer na "página 02", que pena, mais uma história, fim!
Algumas vezes eu vivi o luto do fim, doeu, sufocou, angustiou... mas hoje entendo que senti em demasia, mas só porque eu não sabia que estava no meio da subida. A verdade é que pra mim sempre foi mais fácil desapegar, causava menos medo. Uma infância nada ortodoxa cheia de partidas inconscientemente me programou pra ser assim, no fundo era uma grande mentira que vendi a mim mesmo por longos anos, é muito mais fácil ser covarde, a história está ai para provar.
Todo espelho é cruel, ainda evito me olhar nos olhos, muitas coisas a serem reveladas me acuam e no fim, embora eu concorde que a esperança seja um mal que prolonga o sofrimento, sou escravo dela. Não sei definir o que é esperança e o que é sonho, uma confusão se instala e não consigo separá-los, também não sei se são reais ou se não passam de ideias que também compro vida a fora para conseguir ir em frente me sentindo parte desse mundo. Esse sentir-se parte não me parece um paradoxo somente meu, vejo as pessoas cabreiras, sentindo medo de sentir, se esquivando de viver, virando as costas pra emoção, se acovardando para o amor... coisas tão vitais, mas que estão sendo substituídas por máscaras frias de serenidade falsa, remédios ("Inútil dormir que a dor não passa"), alter ego feliz nas rede sociais que se assustam quando se deparam com pessoas que ainda se permitem sentir. E mesmo vivendo essas falácias, sonham e esperam.
Não, minha intensidade não é não é efêmera, o problema é que ainda sou refém da reciprocidade e decorei e aprendi a lição, correr na subida realmente cansa.

Portugal - Miguel Esteves Cardoso

Como é que se Esquece Alguém que se Ama?

Como é que se esquece alguém que se ama?
Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar?
Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz?
Como se esquece?
Devagar.
É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre.
Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente.
Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso agüentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso agüentar.
A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência.
O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém agüenta nada.
Ninguém agüenta a dor. De cabeça ou do coração.
Ninguém agüenta estar triste. Ninguém agüenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos.
Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguém antes de terminar de lembrá-lo.
Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo.
É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução.
Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si, isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar.
Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte.
Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Queimada na Amazônia - Europa

@UnwantedOne
Fabio Leal • 4 horas atrás

Ah...EUROPA...sua linda...!!!

Europa sua linda, inocente, desinteressada e bondosa! Você dividiu povos e nações, criou fronteiras artificiais que colocaram povos amigos em guerras.
Escravizou milhões de africanos, dizimou milhões de indígenas, assassinou milhões de judeus, ciganos e gays. Viveu os últimos 2 milênios em guerras, produzindo inclusive duas guerras mundiais.
De quebra nos brindou com o comunismo, o nazismo e o fascismo.
A super civilizada Europa que matou, estuprou, explorou e roubou ouro, café, açúcar, madeira, minerais e vidas agora anda preocupada.
Devastou continentes e civilizações inteiras.
Extinguiu milhares de espécies animais.
Agora essa mesma Europa que transformou suas próprias florestas em carvão, essa tão boazinha e inocente Europa agora está preocupada com a Amazônia e quer dar sermão no país que mais protegeu as suas florestas no mundo.
Ah Europa sua colonialista genocida linda!

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

What a Wonderful World - Louis Armstrong

Alguns de vocês, jovens, foram me dizendo:
"Hey senhor, o que você quer dizer com "Que mundo maravilhoso"? E todas aquelas guerras em todos os lugares? Você acha isso maravilhoso? E quanto a fome e poluição? Isso não é tão maravilhoso também?
Bem, que tal ouvir um velho senhor por um minuto?
Me parece, não é o mundo que é tão ruim, mas o que estamos fazendo para ele. E tudo que estou dizendo é pra que se veja que mundo maravilhoso seria se apenas lhe déssemos uma chance. Ame querida, ame!Esse é o segredo, sim! Se muito mais de nós amassemos uns aos outros nós resolveríamos muitos problemas. E então este mundo seria "ótimo".
Isso aí, "o velho senhor continua dizendo".

Eu vejo as árvores verdes, rosas vermelhas também
Eu as vejo florescer para mim e você
E penso comigo mesmo, que mundo maravilhoso

Eu vejo os céus tão azuis e as nuvens tão brancas
O brilho abençoado do dia, e a escuridão sagrada da noite
E eu penso comigo, que mundo maravilhoso

As cores do arco-íris, tão bonitas no céu
Estão também nos rostos das pessoas
Vejo amigos apertando as mãos, dizendo: Como vai você?
quando realmente eles estão dizendo: Eu te amo!

Eu ouço bebês chorando, eu os vejo crescer
Eles vão aprender muito mais que eu jamais vou saber
E eu penso comigo, que mundo maravilhoso
Sim, eu penso comigo, que mundo maravilhoso

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Frase - Alessandro Brito

Sistema nenhum é problema.  Qual o problema em assumir que o ser humano é que é o problema!?

Nossos Momentos - Elizeth Cardoso

Momentos são
Iguais aqueles em que eu te amei
Palavras são
Iguais aquelas que eu te dediquei

Eu escrevi, na fria areia
Um nome para amar
O mar chegou tudo apagou
Palavras leva o mar . . . .

Teu coração, praia distante
Em meu perdido olhar
Teu coração, mais inconstante
Que a incerteza do mar

Meu castelo de carinhos
Eu nem pude terminar
Momentos meus que foram teus
Agora é recordar . . . .

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

O caminho de volta - Téta Barbosa

Já estou voltando. Só tenho 37 anos e já estou fazendo o caminho de volta. Até o ano passado eu ainda estava indo. Indo morar no apartamento mais alto do prédio mais alto do bairro mais nobre. Indo comprar o carro do ano, a bolsa de marca, a roupa da moda.

Claro que para isso, durante o caminho de ida, eu fazia hora extra, fazia serão, fazia dos fins de semana eternas segundas-feiras. Até que um dia, meu filho quase chamou a babá de mãe!

Mas, com quase quarenta, eu estava chegando lá. Onde mesmo? No que ninguém conseguiu responder, eu imaginei que quando chegasse lá ia ter uma placa com a palavra "fim". Antes dela, avistei a placa de "retorno" e nela mesmo dei meia volta.

Comprei uma casa no campo (maneira chique de falar, mas ela é no meio do mato mesmo). É longe que só a gota serena. Longe do prédio mais alto, do bairro mais chique, do carro mais novo, da hora extra, da babá quase mãe.

Agora tenho menos dinheiro e mais filho. Menos marca e mais tempo. E não é que meus pais (que quando eu morava no bairro nobre me visitaram quatro vezes em quatro anos), agora vêm pra cá todo fim de semana? E meu filho anda de bicicleta, eu rego as plantas e meu marido descobriu que gosta de cozinhar (principalmente quando os ingredientes vêm da horta que ele mesmo plantou).

Por aqui, quando chove, a Internet não chega. Fico torcendo que chova, porque é quando meu filho, espontaneamente (por falta do que fazer mesmo) abre um livro e, pasmem, lê. E no que alguém diz "a internet voltou!" já é tarde demais porque o livro já está melhor que o Facebook, o Twitter e o Orkut juntos.

Aqui se chama "aldeia" e tal qual uma aldeia indígena, vira e mexe eu faço a dança da chuva, o chá com a planta, a rede de cama. No São João, assamos milho na fogueira. Aos domingos, converso com os vizinhos. Nas segundas, vou trabalhar, contando as horas para voltar.

Aí eu me lembro da placa "retorno" e acho que nela deveria ter um subtítulo que diz assim: "retorno – última chance de você salvar sua vida!" Você provavelmente ainda está indo. Não é culpa sua. É culpa do comercial que disse: "Compre um e leve dois". Nós, da banda de cá, esperamos sua visita. Porque sim, mais dia menos dia, você também vai querer fazer o caminho de volta.

Téta Barbosa é jornalista, publicitária e mora no Recife.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Rolleiflex

Numa madrugada quando tirávamos fotos num escadão da Madalena o "Guedaro", com aquela bigodeira marota, me disse: Foto é um pedaço da eternidade! Eu nunca me esqueci dessa reflexão.
Sua imagem eternizada nunca mais representará quem de fato você é, em todas as suas fotos você era. Muito embora, de fato, não mais sejamos, nossa mente tem o poder incrível de nos fazer voltar aos sentidos daquela imagem eternizada. Sinto o suor escorrendo da caminhada de Santa Tereza, descendo pelos arcos da Lapa, contornando a praça Paris (Na Glória) cruzando de ponta a ponta a arquitetura paisagística do Burle Marx no aterro do Flamengo, fazendo escala, no trote, no primeiro cassino do Brasil, Urca, uma água de coco contemplando a praia vermelha (Valeu Tim) o embarque do bondinho do Pão de Açucar, finalizando pelo abandonado Canecão, enfim, Leme. Muito suor, pés queimando, uma calçada escaldante e o sorriso de satisfação de uma criança que acabou de conhecer todos esses lugares, como "o cristão que anda a pé, na estrada de Canindé"(Ah, agora entendi Gonzaga).
Muitas vezes minha memória me trai, mas quando monto o mosaico (que dessa vez não é de pessoas, mas, de lugares que pude sentir o cheiro e tocar) com as peças difundidas eternizadas de quem fui e revivo cada emoção, transpiração, medo e tantos outros sentimentos daquelas tantas passagens, me sinto plenamente realizado, fico com os olhos cheios de esperança de colecionar novas memórias afim de aumentar as peças desse mosaico.
P.S.: Aos usuários dependentes (tipo craqueiro) das redes sociais, não importa onde ou quando foi tirada a sua foto, o que importa é a emoção que você passa (e sente) ao contar pras outras pessoas como ficou mais humilde desde a última viagem. Se não conseguir, putz, acho que alguém precisa viajar novamente.

Como Ter Uma DISCIPLINA INABALÁVEL - Efeito BUKOWSKI

Frase - Elizabeth Kubler-Ross

As pessoas são como vitrais coloridos: cintilam e brilham quando o sol está do lado de fora, mas quando a escuridão chega, sua verdadeira beleza é revelada apenas se existir luz no interior.

Frase - Bertolt Brecht

Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Coração oprimido - Paulinho da viola

Já não tenho a mesma alegria
já não canto meu samba
como antigamente
está faltando algo mais
que me fazia feliz
que eu tento esquecer
não sei se é minha mocidade
ou é saudade de você

Hoje sem esperança
Com você na lembrança
me fogem as rimas
quero cantar e me falta alegria
meu verso já não faz sentido
não tenho mais inspiração
sinto o coração tão oprimido
que até já encostei meu violão

Frase - Alessandro Brito

Deus é o amor que se tem de dentro pra fora.

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