sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Você errou - Ciro Monteiro

  Falado:
Ele foi um grande lançador de talento novos, esse maravilhoso sambista que foi Geraldo Pereira nasceu de sua voz e de seu balanço todos especial. Ele representa uma das épocas mais criativas da música popular brasileira e é também o melhor dos homens, tens seu amor carioca a famosa Silveira Martins no Catete onde cada morador é seu amigo particular e seu leão de chácara. Ele tem o dom e a vocação da amizade e querer bem a ele é para mim um teste de caráter. Ele é um grande abraço em toda humanindade, ele é Ciro Monteiro. (Vinícius de Moraes)

A saudade quando bate
Abate,
Maltrata um coração
Você zombou de mim,
Você fugiu de mim
Agora vem chorar
Para voltar

Você errou,
Quem mandou você errar?
(Quem mandou?)
Você errou,
Quem mandou você errar?
(Quem mandou?)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Fase - Abílio Martins

 Eu estava parado pensando na vida e no que tenho feito
Nas minhas virtudes e nos meus defeitos
Pra saber por que é que eu sofro assim
Nos encontros que marco só chego atrasado
Os amores que arranjo me deixam de lado
Sou um revoltado só a solidão se aproxima de mim

Amores arranjo mas são passageiros
Não mora em meu bolso esse tal de dinheiro
As coisas comigo não vão muito bem
Na realidade eis a grande verdade
Apesar de viver em meio a tanta gente
Me sinto tristonho tão só sem ninguém.

sábado, 20 de junho de 2020

Saudade sem fim - Alessandro Brito

Procurei em outros autores, os quais admiro e vivo a me apropriar de suas frases, algo que pudesse expressar o turbilhão que está dentro de mim, mas dessa vez nada encontrei. Nunca me mostrei assim tão despido de defesas, e talvez, por isso, não tenha encontrado voz fora de mim.
Por mais que eu fale repetidas vezes de saudade e amor, pra mim, esses temas nunca soam repetitivos, eu rabisco aquilo que sinto e esses sentimentos compõem meu ser.
Os dois últimos dias choveram intermitentemente, meu estado emocional acompanhou essa inconstância, pra ser mais preciso, minha saudade de você alinhou-se a esses intervalos desiguais. Hoje faz um dia lindo, é um sábado típico pra uma casal fazer muitos "nadas" juntos. O clarão do sol dessa manhã iluminou toda a casa, fui até a janela da cozinha te encontrar, acho que esse foi o "seu lugar" na casa, quando te perdia de vista, bastava ir até a janela que você estava lá, recebendo uma rajada de vento gelado de campina grande, mas você não estava. Troquei o lençol da cama, as fronhas, aquelas mesmas, modelo infantil que você achou o máximo e que fiz questão de usar apenas no dia do nosso primeiro encontro, mas isso faz 9 dias, por mais que seu cheiro ainda esteja impregnado nelas, tive que trocá-las, também ainda ecoa em meus ouvidos seu ronco na hora de sono profundo, é verdade eu não estou brincando, você ronca, pouquinho mas ronca, apesar da faxina durante a semana, ainda há cabelos seu por toda a parte, mas por toda parte mesmo, lemos os diários, e surpresaaaaa, você não sabia que também estava escrevendo o meu (nosso) diário, "você me faz sorrir" com uma dedicatória no mínimo diferenciada, fizemos uns charminhos e provocamos propositalmente um ao outro, pra depois resolver fazendo... Durante esses meses em que nos conhecíamos através da distância, sem contar com os sentidos do tato, olfato, tudo parecia tão irreal, improvável, até pra mim que aposto sempre minhas fichas na arte dos encontros, embora haja os tantos desencontros, mas tudo isso prova que não estou delirando de paixão ou coisa do tipo, você é real.
Esqueço por uns instantes a saudade, e mais uma vez, penso que entendo Vinícius, no monólogo de Orfeu: "Essa vontade de estar perto, se longe ou estar mais perto, se perto"... Em breve estaremos juntos (de corpo presente) novamente, e os dias de comunhão serão todos sábados (com chuva ou sol, não importa) em seguida, terás que voltar ao Recife e eu ficarei de braços com a saudade, mas com a esperança de no menor espaço de tempo unirmos novamente não apenas nossas almas (pois essa união já se deu) mas nossos corpos, e simplesmente viver cada dia, cada hora,cada minuto, cada milésimo de segundo, lado a lado, com toda intensidade que há em nós, sem medo do porvir,
movidos pela certeza que cedo ou tarde seremos verdadeiramente, apenas, saudade sem fim.


Vida - Alessandro Brito

Ah, eu queria apenas uma coisinha
Uma coisa qualquer, mas que fosse sua e fosse minha
Um objeto, um afeto, um cheiro, uma dança
Um sorriso, um desabafo, uma lágrima, uma lembrança
Uma briga, um medo, o desespero, qualquer coisa
Que não fosse essa distância
Que nos une e nos separa
Eu e você, mas com você longe de mim
Mas sei que é mera ironia, capricho desdém
Ela soberana dos destinos, solitária vive sem ninguém.

quinta-feira, 18 de junho de 2020

A procura da felicidade - Chris Gardner

Não aceite o plano B, diz empreendedor que inspirou o filme "À Procura da Felicidade"

Chris Gardner, empreendedor que inspirou o filme À Procura da Felicidade (Foto: Divulgação)
O banheiro de uma estação de metrô de São Francisco. Esse foi o local em que, há pouco mais de 35 anos, Chris Gardner dava banho e dormia com seu filho pequeno. Ele olhava para o espelho e se perguntava como tinha parado naquela situação. Sair dali virou seu plano número um. “A chave é que, se eu tinha me colocado naquela situação, eu poderia me tirar dela.” Ele conseguiu. Depois de bater em muitas portas, foi contratado em um programa de estágio, tornou-se corretor e acabou abrindo sua própria empresa. De tão impressionante, a história de superação de Gardner virou livro e, mais tarde, foi parar no cinema. Ele é interpretado por Will Smith no comovente “À Procura da Felicidade”. Hoje, viaja o mundo todo a fim de criar “o próximo Chris Gardner”. Ele vem ao Brasil esta semana para palestrar no National Achievers Congress (NAC Brasil 2017), em São Paulo. Aqui, ele revela à NEGÓCIOS a chave para descobrir qual o seu plano A, discute a importância de se manter firme nele e fala sobre como tem sido sua vida uma década após o filme.

Faz mais de dez anos que o senhor publicou seu primeiro livro, “À Procura da Felicidade”. Faz mais de 35 que conseguiu o estágio que foi o ponto de partida para mudar sua vida. Depois de todo esse tempo, o senhor acredita que a fórmula para “procurar a felicidade” tenha mudado? Hoje nós temos novos desafios?
Sem dúvida. E essa é uma das questões que eu vou abordar no meu novo livro, em que estou trabalhando neste momento. A definição de felicidade mudou — e vai continuar mudando. Não vai ter mais a ver com coisas materiais. O foco estará em “ser” ou “se tornar”, sobretudo para as pessoas mais jovens. Muitas delas ainda estão lutando para se recuperar dos impactos da crise financeira mundial. Não sei como foi no Brasil, mas aqui, nos Estados Unidos, 20% dos empregos criados depois da crise são precários. Os jovens estão começando a perceber que todas aquelas coisas que eram tão importantes para os seus pais não são importantes para eles próprios.
Vê essa mudança de pensamento como algo positivo?
Com certeza. Afinal, o jeito antigo não funcionou (risos). Coisas materiais vêm e vão. O valor da sua fortuna pode flutuar, mas os seus valores como pessoa têm de ser fixos.
Nos últimos anos, o senhor tem se dedicado a rodar o mundo para a contar sua história. A partir dessa experiência com tanta gente diferente, o que aprendeu sobre as “angústias” dos profissionais ao redor do globo?
Durante a última década, fiquei na estrada 200 dias por ano. Cara… No meu novo trabalho, sou oficialmente o CEO da felicidade. E amo esse trabalho. Ensinou-me algo que eu já sentia, mas que vi com mais clareza: as experiências mais importantes na nossa vida são as experiências universais, que são as mesmas, independentemente de onde você esteja no planeta. Estou falando do nascimento de uma criança, de uma formatura, do casamento, da nova oportunidade de emprego, da casa nova, da perda de um ente querido. Essas são as experiências universais que criam uma família chamada humanidade. Não interessa se você mora no Chile, na Califórnia ou no Canadá. E tenho falado em mais de 80 países nos últimos dez anos, é como se eu fosse uma ONU de um homem só.
Li que, nessas palestras, a intenção é criar “o próximo Chris Gardner”. O que isso significa para o senhor?
Se alguém vem para mim e diz que quer ser um bilionário, tenho de dizer que nunca fiz aquilo e não posso ajudar. Se alguém vem para mim e diz que quer ser o CEO de uma das 500 maiores empresas do mundo, também não vou poder ajudar. Mas se você vem e diz que quer fazer algo que ama, ser ótimo naquilo e trabalhar para si próprio, posso dizer que fiz aquilo e, sim, ajudar aquela pessoa.

O que geralmente está impedindo essas pessoas de atingir seus sonhos?
Duas coisas: o medo de falhar e — esse é bastante importante — o medo de sucesso.

Como assim, medo de sucesso?
A pessoa diz: “Uau, isso vai mudar tudo na minha vida”. E quem está ao redor dela diz que não vai dar certo e que ela deveria desistir. Ela se pergunta: “E se tudo der certo e eu não dar conta? O que eu faço?” O medo do sucesso é tão nocivo quanto o medo de falhar. E tem outra coisa. Mas quero deixar claro que nunca digo o que as pessoas deveriam estar fazendo, mas o que eu faria numa situação similar e o que funcionou para mim. E no meu caso, eu estava completamente comprometido com o meu plano A, não com o plano B. Significa que, quando você está fazendo algo que realmente ama, não há plano B. Ele não existe. Michael Jordan teve sucesso porque mirou o plano A, não o plano B. A Oprah Winfrey se tornou a rainha da mídia porque estava comprometida com plano A, não com o plano B. Barack Obama foi o presidente dos EUA por dois mandatos seguidos porque estava comprometido com o plano A, não com plano B.

Mas hoje temos tantas opções do que fazer. Como sequer saber se estou no caminho certo — no plano A?
Faça o seguinte: escove os dentes.

Perdão?
Escove os dentes. Quando você estiver sozinho, ao escovar os dentes, olhe para o espelho e se pergunte duas coisas. Questão um: se eu pudesse entrar em qualquer empresa amanhã de manhã para fazer qualquer coisa no mundo, o que seria? Pense exatamente em como você queria que fosse essa experiência e em como você se sentiria. Questão dois: o que eu posso fazer hoje para tornar esse amanhã possível? Pode ser só um passo pequeno, não importa. Agora, se a resposta é que você não está fazendo nada, então já sabe que aquele não é o plano A e que não é aquilo que você queria estar fazendo. Seja honesto com aquela pessoa do espelho.
"O valor da sua fortuna pode flutuar, mas os seus valores como pessoa têm de ser fixos"

Li algo que o senhor disse certa vez em uma entrevista e achei bem interessante: “O cara que mais se importa com a sua família mora na sua casa, não na Casa Branca”. As pessoas querem “terceirizar” as soluções dos problemas delas mais do que deveriam?
Muitas vezes, especialmente aqui nos EUA. A culpa é sempre do outro. Foi o NAFTA [Tratado Norte-Americano de Livre Comércio] ou foi outro acordo comercial ou foi o governo. Quando eu estava no ponto mais baixo da minha vida, morando num banheiro com o meu filho — que a propósito tinha só 14 meses de idade e ainda usava fraldas, apesar de aparecer mais velho no filme —, eu tinha de dar banho nele ali e, depois, olhar no espelho para me fazer perguntas bem difíceis. “Por que isso aconteceu? O que vai acontecer daqui para a frente? Como eu cheguei até aqui?” E a resposta para esta última era brutal: “Foi porque eu me coloquei aqui”. Não era o acordo comercial com outro país, não era o ciclo econômico — eu tinha me colocado ali. Foram as decisões que tomei, as coisas que eu fiz e algumas das coisas que deixei de fazer. Mas a chave é que, se eu tinha me colocado naquela situação, eu poderia me tirar dela.

Na jornada de sair daquela situação, qual foi a decisão mais difícil que o senhor teve de tomar?
Essa é uma pergunta muito interessante. Já me perguntaram de um jeito diferente, mas a resposta é a mesma. “Como você escolhe entre fazer o que é prático e o que é a sua paixão?” O que eu digo aqui pode ser impopular: algumas vezes você vai ter de fazer os dois ao mesmo tempo.

No filme, vemos que o senhor tinha de usar o tempo a seu favor quando conseguiu um estágio — até indo menos vezes ao banheiro a fim de ser mais produtivo. Aquele, claro, era um caso extremo. Mas hoje, muitos profissionais têm dificuldade de usar o tempo deles de maneira sábia para serem mais produtivos. Há listas e mais listas na internet sobre o assunto. O que o senhor diria para um profissional que quer ser mais produtivo?
Tem a ver com algo que discutimos no início da entrevista. Não se trata de fazer mais, mas de fazer melhor. Estou sendo a melhor versão de mim mesmo? Pessoalmente, uma das coisas que estou fazendo agora é criar a versão 2.0 de mim mesmo. Sabe quando os dispositivos eletrônicos dizem que você já pode atualizar o sistema? Eu estou tentando fazer a atualização — mentalmente, fisicamente, espiritualmente, emocionalmente. É algo em que estou trabalhando todos os dias.

Em seu discurso na Universidade da Califórnia em Berkeley, em 2009, o senhor diz que, quando se chega em certo ponto da carreira, outras pessoas vão querer te dizer o que fazer o tempo todo. Depois, o senhor rasga o discurso que tinha nas mãos. Quando nós devemos ouvir só a nós mesmo?
A primeira coisa é se perguntar como você se sente sobre aquela decisão. Todas as vezes que agi contra a minha intuição, estava errado. Então aprendi a me perguntar: “Como eu me sinto em relação a isso?” Uma das coisas que precisamos ter em mente é que todo mundo sempre vai ter uma opinião sobre o que você deveria estar fazendo. Já perdi a conta de quantos advogados conheci que não queriam ser advogados, mas a mãe deles queria. Eles foram atrás daquilo e, depois, acordaram um dia fazendo algo que nunca quiseram. Tenha em mente que ninguém tem de gostar daquilo além de você mesmo.

Vou inverter a pergunta, então. Qual é o melhor conselho que já recebeu e que, de fato, seguiu?
Cara, um conselho da minha mãe. Meu Deus… Minha mãe uma vez me disse, “filho, a cavalaria não vai vir te ajudar”. Ou seja, você não tem como pedir reforço — você vai ter de fazer acontecer por si próprio. Se você é, por exemplo, um pai ou uma mãe solteira (caso de 30% das famílias aqui nos EUA), cabe muito bem a frase “a cavalaria não vai vir te ajudar”. Você pode até tirar um dia livre no trabalho, mas o seu dia nunca vai ser livre. A pessoa em quem você pode contar é só você mesmo. Mas minha mãe também me deu o maior presente: permissão para sonhar. E isso é universal. Eu dei essa mesma permissão aos meus filhos. E vivi o suficiente para dar também à minha neta e a outros jovens ao redor do mundo.

terça-feira, 16 de junho de 2020

Foi um drama - Chico Santana

Foi um drama que passou
E neste vou lembrar aquele falso amor
Que sorriu quando me viu chorar
Se compadecer da minha dor
Hoje o remorso lhe acolheu
Rolaram lágrimas dos olhos seu

Muito padeceu meu coração
Por alimentar essa ilusão
Na esperança perdia 
Daquela foi não é mais minha querida
Mas o destino é mesmo assim
Quem me viu chorar hoje chora por mim


sexta-feira, 29 de maio de 2020

Frase

Discutir assuntos políticos fornece controle para os desejos das massas, o que não beneficia ninguém, não importa o quão grande é a sua plataforma.


Fonte: https://medium.com/high-five/lebron-james-michael-jordan-e-duas-estradas-diferentes-para-o-empoderamento-negro-80fd32f4911b

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Travesseiro - Alessandro Brito

Travesseiro, velho companheiro
Nunca penses que sou ingrato
Tantas foram as noites que me ouvistes
E tantas lágrimas minhas amparastes
Como poderia esquecê-lo ou abandoná-lo?

O que acontece velho amigo
É que ela me encontrou
Fez rolar meu pranto,  mas de alegria
E hoje vivo em puro encanto
Embalado nos seus braços

Te dei a fronha mais linda
O mundo me deu ela
Te dei meu abraço mais puro
A vida meu deu os braços dela
Hoje repousas tranquilo no seu canto
E eu adormeço nos sonhos dela.







sábado, 2 de maio de 2020

Ederaldo Gentil - Biografia.

EDERALDO GENTIL - O ouro do samba baiano.

DO LARGO 2 DE JULHO AO TORORÓ

Ederaldo Gentil, cantor e compositor, nasceu no dia 7 de setembro de 1943, no Largo Dois de Julho, um dos tradicionais bairros do centro de Salvador. Seus pais foram D. Maria José de Souza (D. Zezé) e Sr. Carlos Gentil Pereira, antigo relojoeiro da capital baiana. Foi no Largo Dois de Julho que o menino Ederaldo Gentil passou parte da sua infância, brincando, estudando e trabalhando na modesta oficina do pai. Foi desta forma que aprendeu o ofício de relojoeiro o que ajudava nas rendas financeiras da família bastante numerosa.

Ainda adolescente mudou-se para o bairro do Tororó, também na área central da cidade, que era nessa época, o mais forte reduto do carnaval baiano. Ali podiam ser encontradas diversas agremiações carnavalescas, como o bloco Os Apaches do Tororó, a Escola de Samba Filhos do Tororó, entre outras. O menino Ederaldo começou bem cedo o gosto pelo carnaval, acompanhando o pai nos bailes à fantasia que eram realizados nos clubes tradicionais da cidade.

Por residir perto do QG do samba baiano, Ederaldo passou a freqüentar os ensaios da bateria da escola Filhos do Tororó. A sua facilidade em tocar instrumentos rítmicos logo despertaria a curiosidade e atenção dos mais velhos e compenetrados sambistas. Desses, em especial Arnaldo Silva (o Sêu Arnaldo), então presidente da Escola, foi quem lhe deu primeiro incentivo para o entrosamento no mundo do samba. Ainda adolescente, Ederaldo começa a elaborar as suas primeiras composições, participando ativamente da ala dos compositores da escola de samba Filhos do Tororó. Os seus sambas passam a ser cantados nos ensaios da escola.

A LUTA DO DIA À DIA

Do lado de cá, as dificuldades da vida obrigavam o jovem Ederaldo a procurar outras atividades profissionais para sobreviver. Por esse período, chegou a ter uma rápida passagem pelo mundo do futebol, onde atuou como meia-esquerda no Esporte Clube Guarany. Fazia uma dupla imbatível com o ex-jogador André Catimba, este que seria, mais tarde, um dos maiores nomes da história do Esporte Clube Vitória. Consta que Ederaldo Gentil chegou também a treinar no Vitória, porém a sua vocação maior não era o futebol, e sim, a música popular, e em especial, o samba. Contam os que o viram jogar que, comparado a muitos dos “craques” de hoje, o Ederaldo teria, com certeza, espaço em qualquer grande clube do Brasil ou do exterior, entretanto a música falaria mais alto em sua opção de vida.

Por esse tempo continuava ligado à música compondo suas canções. No ano de 1967 vence um concurso municipal para o carnaval de Salvador com a música "Rio de Lágrimas", defendida pela cantora Raquel Mendes. A partir daí, durante alguns anos, torna-se presença constante nesses concursos, sempre obtendo as primeiras colocações. Chegou a repetir a façanha de obter o primeiro lugar por três anos consecutivos.

Uma das composições vitoriosas dessa fase foi o samba "Esquece a Tristeza" que seria gravado mais tarde pelo cantor e compositor Tião Motorista, já falecido. Ainda em 1967, vence o concurso interno de samba-enredo da escola Filhos do Tororó com a música "Dois de Fevereiro", a qual aborda o tema da famosa festa de Yemanjá, que acontece anualmente no bairro do Rio Vermelho. Foi nesse ano que ele teve, pela primeira vez, a alegria de ter dois sambas seus na boca do povo.

No ano de 1969 houve um fato, inusitado até hoje, na história do carnaval baiano, quiçá do país. Indisposto com as dissenções internas da sua escola, Ederaldo resolve se afastar. Imediatamente seria assediado pelas escolas concorrentes que o convidam para compor seus sambas-enredos. O resultado foi que, no carnaval de 1970, todas as outras nove escolas de samba de Salvador saíram no desfile principal da cidade com sambas-enredos assinados pelo mesmo compositor, Ederaldo Gentil. A única que não trazia essa autoria era, simplesmente, a sua escola - Filhos do Tororó. Esse fato por si só já seria digno de registro no livro de recordes - O Guinness Book.

A ESTRÉIA NACIONAL

Como compositor urbano, fora do ambiente carnavalesco, Ederaldo Gentil aportou para valer na cena da MPB no ano de 1970 através das composições Berequetê e Alô Madrugada (esta última em parceria com Edil Pacheco). O criador desses sucessos foi o cantor paulista Jair Rodrigues, na época um dos nomes de maior cartaz como sambista. Foram gravadas no disco LP “Talento e Bossa – JAIR RODRIGUES”, Philips R765. 117, ano de 1970. Foi o batismo musical deste jovem e talentoso músico. Essa abertura facilitou-lhe a aproximação com outros cantores nacionais como Alcione, Eliana Pittman, Leny Andrade e Conjunto Nosso Samba que se interessaram por suas músicas. Estava dado o primeiro passo para ter, dessa forma, o devido reconhecimento nacional como compositor.

Em 1972, transferiu-se temporariamente para a cidade de São Paulo onde tenta gravar o seu próprio disco. Nesse tempo, recebeu o incentivo e a ajuda de pessoas como o ator Juca de Oliveira, o produtor e pesquisador musical Fernando Faro, Walter Silva - o “Pica-Pau” e o Magno Salermo. Esse tempo na capital paulista se dividia em apresentações em programas de rádio e também de TVs, como a TV Cultura e a TV Record (Mixturação).

Embora contasse com a boa vontade dos amigos paulistas, o disco demorava a sair, e, decepcionado, retorna no final de 1972 à sua Bahia. É o reencontro com a família, os amigos e também com seu ofício de relojoeiro. Reaproxima-se também da sua escola de samba, onde, após as pazes com os dirigentes, resolve participar do enredo daquele ano que comemorava o cinqüentenário da maior ialorixá da Bahia, Menininha do Gantois. O seu samba "In-Lê-In- Lá" é, para variar, novamente o vencedor desse ano. Seria também a sua despedida da atividade de compor sambas-enredos. Essa música seria gravada por ele próprio alguns anos depois no seu segundo disco LP.

O OURO E A MADEIRA

Em 1975, a gravadora Chantecler o convoca de volta a São Paulo onde grava um compacto simples (vinil), que trazia as composições "O Ouro e a Madeira" e "Triste Samba", ambas de sua exclusiva autoria. A primeira composição fêz um relativo sucesso em sua voz, despertando a atenção do radialista e produtor musical Adelzon Alves, na época trabalhando com a cantora mineira Clara Nunes e outros artistas do mundo do samba. Foi no famoso programa radiofônico do Adelzon Alves, o Comando da Madrugada, da rádio Globo do Rio de Janeiro, que se decidiu a gravação do samba O Ouro e a Madeira pelo grupo Nosso Samba (acompanhantes oficiais da Clara Nunes). Essa nova gravação do samba foi, como se diz no jargão do mundo fonográfico, um estouro!

Esse destaque fêz com que a gravadora Chantecler o convidasse para uma nova gravação. Desta feita, para a sua surpresa, não mais um simples compacto, mas sim, um longa-duração (LP), o primeiro de sua carreira. E assim surge, ainda em 1975, o disco Samba, Canto Livre de Um Povo, que trazia novamente o sucesso "O Ouro e a Madeira". Esse disco é hoje uma raridade, visto que ainda não foi reeditado em CD, assim como os seus outros discos em vinil. Embora não tenha tido um maior rigor técnico da produção, esse trabalho do Ederaldo mereceu, na época do seu lançamento, comentários bastante favoráveis da crítica especializada.

Ainda pela gravadora Chantecler, lança no ano seguinte (1976) outro LP, intitulado Pequenino. Dessa vez a produção se esmerou (o que não aconteceu com o primeiro), e o disco, tecnicamente irrepreensível, trouxe um time de músicos e arranjadores da pesada como João de Aquino, Waldir Silva, Altamiro Carrilho, Luna, Eliseu, Marçal, Jorginho, Pedro Sorongo e um coro de primeira com Dinorá, Zélio, Eurídice, Da Fé, Therezinha e outros. No repertório desse LP destacam-se os sambas De Menor, Dois de Fevereiro e In-Lê-In-Lá. Estava então consolidado o seu nome no universo fonográfico brasileiro. São vários os convites para participar de shows e apresentações em rádio e TV.

Participou, em 1977, na rádio Jornal do Brasil RJ como entrevistado especial do programa Especial JB-AM, apresentado pelo radialista Haroldo Saroldi. Já consagrado na mídia, Ederaldo retoma em Salvador aos seus shows. Ao seu lado grandes companheiros do mundo do samba como Edil Pacheco, Batatinha, Riachão, Nelson Rufino, Walmir Lima e outros. No final da década de 70, protagoniza ao lado de Edil Pacheco e Batatinha (já falecido) o show O Samba Nasceu na Bahia, que ficaria célebre na história da música baiana.

A despeito da qualidade do seu trabalho, inexplicavelmente permanece cerca de sete anos sem gravar. Parece que os seus discos não alcançaram vendagens que atendessem às expectativas financeiras dos executivos das gravadoras.

Devido a esse "jejum" fonográfico, resolve lutar contra a indiferença para com o seu trabalho. Começa no ano de 1982 a produzir um disco independente, concluindo o projeto dois anos depois com o lançamento do LP denominado Identidade. Esse disco foi todo gravado nos estúdios da WR em Salvador, contando com o apoio de diversos amigos. Entre esses, alguns músicos, compositores, divulgadores e outras pessoas identificadas com o projeto. Em seu texto, na contra-capa do disco, ele cita todas as pessoas (uma relação enorme) que o ajudaram nesse trabalho.

Sobre o valor do Ederaldo Gentil como compositor, o produtor e crítico musical Roberto Moura, assim se expressa na contra-capa do disco Pequenino: "Ederaldo guarda um estilo macio. Mesmo nos temas ácidos. Talvez alguma coisa entre Ataulfo Alves e seu parceiro Batatinha".

O DECLÍNIO

Durante todos esses anos, continuou junto com os parceiros Edil Pacheco e Batatinha, promovendo a anual festa da noite do samba na Bahia todo dia 2 de dezembro. O tempo passou e Ederaldo Gentil viu o seu nome sendo pouco à pouco esquecido pela mídia e pelas gravadoras. As suas canções, consagradas por vários cantores nacionais, ainda continuavam sendo executadas nos bares das noites baianas, porém muitos nem sabiam que eram de sua autoria. Contam os amigos que, antes da reforma do bairro do Pelourinho, ele ainda gostava de circular pelas ruas do Centro Histórico, e, às vezes, chegava a corrigir quando os cantores e boêmios erravam cantando suas músicas. Esse fato se deu mais de uma vêz no espaço cultural da Cantina da Lua no Terreiro de Jesus.

Os anos 90 seriam terríveis para os artistas tradicionais do samba baiano. A invasão do fenômeno batizado primeiramente de fricote e mais tarde, indevidamente, de axé-music, é a pá de cal para a música de Ederaldo Gentil e outras da mesma linha. O historiador Luiz Américo Lisboa Júnior, em seu livro 81 Temas da Música Popular Brasileira, conta que no ano de 1991 Ederaldo participou, com outros compositores do samba tradicional, de um projeto que usava a tecnologia do trio elétrico para apresentar um outro lado do carnaval baiano. Houve até apoio da prefeitura, mas o momento era ingrato, pois a concorrência com as estrelas da chamada axé-music era desleal. Tudo isto, somado à intolerância de algumas pessoas, foi a gota d´água para Ederaldo Gentil. Vencido, e sem forças para resistir, entrega os pontos afastando-se de vêz do mundo artístico.

Provavelmente tudo isso deve ter contribuído para que ele tenha se entregue ao desânimo e ao pessimismo, comportamentos que o levaram a um isolamento do mundo artístico e social. Hoje vive recolhido a um exílio voluntário, dentro da sua casa no bairro da Vila Laura, onde reside com a irmã Denise Gentil e outros familiares.

AS HOMENAGENS

No ano de 1999, o seu parceiro e amigo Edil Pacheco produziu o CD "Pérolas Finas", patrocinado pela Copene (Companhia Petroquímica do Nordeste) e apoiado pelo órgão do estado o FAZCultura, que mostra uma visão da carreira de Ederaldo Gentil. O disco conta com participações especiais do saudoso João Nogueira, Carlinhos Brown, Elza Soares, Beth Carvalho e Gilberto Gil, entre outras. Do repertório do autor foram escolhidas músicas como por exemplo "Saudade Me Mata", "Rose", "Barraco" e "Identidade". O disco é um primor como representação da pequena, porém valiosa, obra de Ederaldo Gentil.

Nesse CD, todos os artistas que participaram do projeto o fizeram com um carinho muito grande pelo trabalho do compositor baiano. As músicas são quase todas releituras de outras gravações, exceto a "Maria da Graça", até então inédita. Esta canção estava a cargo da interpretação de Chico Buarque, que no momento da gravação não pode estar presente, cabendo ao incansável companheiro Edil Pacheco interpretá-la.

Gravado basicamente nos estúdios da WR (Salvador) e Cia dos Técnicos (Rio), além dos intérpretes, o CD traz um time de músicos de primeira como Cristóvão Bastos, Luciana Rabello, Carlinhos Marques, Ivan Bastos, Maurício Carrilho e outros. A ilustração da capa, que é um primor de imagem, ficou a cargo da competência de Elifas Andreatto. "Pérolas Finas" já pode ser considerado um clássico da MPB. Está necessitando de uma outra edição, visto que a primeira de três mil discos está esgotada. Sobre o disco assim se expressou o produtor, Edil Pacheco: "Tive uma felicidade na escolha dos intérpretes. Os músicos participaram de boa vontade. O disco serve para mostrar a obra do Ederaldo de uma forma mais ampla… ele é um poeta!".

O lançamento desse disco aconteceu às 19 horas do dia 08 de setembro de 1999, na Praça Tereza Batista, no Pelourinho onde foi oferecido um caruru aos convidados. Entre os artistas presentes no evento estavam alguns dos que participaram do disco como Jair Rodrigues, João Nogueira, Lazzo, Vânia Bárbara, e Paulinho Boca de Cantor. Alguns até adiaram compromissos para prestigiarem o homenageado. Entre o público em geral, pessoas de renome, como os artistas Duda Valverde, Carlinhos Cor das Águas, Clécia Queiroz, o poeta José Carlos Capinan, a coordenadora do Projeto Pelourinho Dia & Noite, Tânia Simões, além de muitos amigos, admiradores e gente interessada do meio cultural.

No dia 5 de outubro de 1999, às 18 horas, a rádio EDUCADORA FM apresentou o seu programa ESPECIAL DAS SEIS, todo dedicado ao disco Pérolas Finas - Homenagem a Ederaldo Gentil, apresentando as músicas: Luandê, com Gilberto Gil; A Saudade Mata, com Elza Soares; e Barraco, com Carlinhos Brown, entre outras.

OS PARCEIROS E SUCESSOS

Embora Ederaldo Gentil seja um compositor completo (muitas de suas canções não têem co-autores), não se pode esquecer daqueles compositores seus parceiros que, sem dúvidas, auxiliaram no brilho de suas criações. São eles: Edil Pacheco, Batatinha, Nelson Rufino, Paulinho Diniz, Eustáquio Oliveira, Luiz Carlos Capinam, Anísio Félix, Roque Ferreira e Gereba. Destaque também para os cantores que interpretaram suas músicas como os já citados Jair Rodrigues, que foi o primeiro grande incentivador, Conjunto Nosso Samba e Alcione (Feira do Rolo), além de Roberto Ribeiro (Rose, c/ Nelson Rufino), Lazzo e outros.

A DISCOGRAFIA

1. Compacto Simples. Gravadora Chantecler Ano 1975. Nº 2-08-101-043

Lado A Triste Samba (Ederaldo Gentil). Lado B O Ouro e a Madeira (Ederaldo Gentil)

2. LP Gravadora Chantecler Ano 1975 Nº 2-08-404-066: Ederaldo Gentil – Samba, Canto Livre de um Povo

Lado A

1. A Saudade Me Mata (Ederaldo Gentil)

2. Samba, Canto Livre De Um Povo (Ederaldo Gentil - Edil Pacheco)

3. Fevereiro Eu Volto (Ederaldo Gentil - Eustáquio Oliveira)

4. O Ouro E A Madeira (Ederaldo Gentil)

5. Miro, Pandeiro De Ouro (Jandira Aragão - Walmir Lima)

6. Eu E A Viola (Ederaldo Gentil)

Lado B

1. Dia De Festa (Ederaldo Gentil

2. Barraco (Ederaldo Gentil

3. Rose (Ederaldo Gentil - Nelson Rufino)

4. Pam Pam Pam (Ederaldo Gentil - Batatinha)

5. Amargura (Ederaldo Gentil - Paulinho Diniz)

6. Ladeiras (Ederaldo Gentil

3. LP Gravadora Chantecler, ano de 1976, nº 2-08-404-074 Edição com encarte, texto e letras das músicas: Ederaldo Gentil - Pequenino

Lado A

1. In-Lê-In-Lá (Ederaldo Gentil - Anísio Félix)

2. O Rei (Ederaldo Gentil - Paulinho Diniz)

3. De Menor (Ederaldo Gentil)

4. Manhã de um Novo Dia (Ederaldo Gentil - Edil Pacheco)

5. Bêrêkêtê (Ederaldo Gentil)

6. O Samba e Você (Ederaldo Gentil - Nelson Rufino - Memeu)

Lado B

1. Dois de Fevereiro (Ederaldo Gentil)

2. Vento Forte (Ederaldo Gentil - Eustáquio Oliveira)

3. Compadre (Ederaldo Gentil)

4. Peleja do Bem (Tatau - Théa Lúcia)

5. Rio das Minhas Ilusões (Ederaldo Gentil)

6. A Bahia Vai Bem (Ederaldo Gentil - Batatinha)

4. LP Independente Nosso Som nº 0384: Ederaldo Gentil - Identidade

Lado A

1. Identidade (Ederaldo Gentil

2. Choro – Dor (Ederaldo Gentil)

3. Roxinha (Ederaldo Gentil

4. Nordeste de Amaralina (Ederaldo Gentil

5. Luandê (Ederaldo Gentil - Capinam)

Lado B

1. Cimento Fraco (Ederaldo Gentil)

2. Provinciano (Ederaldo Gentil - Roque Ferreira)

3. Amor Amor (Ederaldo Gentil)

4. Ternos da Lapinha (Ederaldo Gentil - Gereba)

5. Baticum (Ederaldo Gentil)

5. LP Gravadora Phonodisc nº 0.34.405.556. Ano 1989: Ederaldo Gentil

Lado A

1. Vento Forte (Ederaldo Gentil - Eustáquio Oliveira)

2. De Menor (Ederaldo Gentil)

3. Samba, Canto Livre de um Povo (Ederaldo Gentil - Edil Pacheco)

4. Rose (Ederaldo Gentil

5. In-Lê-In-Lá (Ederaldo Gentil - Anísio Félix)

6. Ladeiras (Ederaldo Gentil)

Lado B

1. O Ouro E A Madeira (Ederaldo Gentil)

2. Bêrêkêtê (Ederaldo Gentil)

3. Dois de Fevereiro (Ederaldo Gentil)

4. Manhã de um Novo Dia (Ederaldo Gentil)

5. Dia de Festa (Ederaldo Gentil)

6. Barraco (Ederaldo Gentil)

Obs: Esse último disco LP é uma coletânea dos dois primeiros LPs da Chantecler.

6. CD Copene, FAZCultura, 1999. Produção de Edil Pacheco: Ederaldo Gentil - Pérolas Finas.

1. Luandê (E. Gentil - Capinam) c/ Gilberto Gil.

2. Identidade (E. Gentil) c/ João Nogueira

3. Espera (Batatinha/E. Gentil) c/ Luiz Melodia

4. Saudade Me Mata (E. Gentil) c/ Elza Soares

5. Rose (E. Gentil - Nelson Rufino)c/ Lazzo

6. Maria da Graça (E. Gentil) c/ Edil Pacheco

7. Barraco (E. Gentil) c/ Carlinhos Brown e César Mendes

8. Impressão Digital (E. Gentil - Paulinho Diniz) c/ Jussara Silveira

9. De Menor (E. Gentil) c/ Paulo César Pinheiro

10. Eu e a Viola (E. Gentil) c/ Beth Carvalho

11. Oceano de Paz (E. Gentil - Edil Pacheco) c/ Vânia Bárbara

12. In-lê-in-lá (E. Gentil - Anísio Félix) c/ Paulinho Boca de Cantor e Pepeu Gomes

13. O Ouro e a Madeira (E. Gentil) c/ Jair Rodrigues

_____________________________________________

Nestes tempos em que tudo passa a ser descartável (inclusive as pessoas), onde parece que perdemos a noção do bem e do belo, é um prazer constatar a trajetória de um artista digno de figurar no panteão da MPB ao lado de outros mestres. A sua benção mestre Ederaldo Gentil, verdadeira pérola do nosso samba baiano!

Para você esta nossa homenagem.

Lourival Augusto

Salvador-Ba

Fevereiro de 2001

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Separações - Domingos Oliveira

Nunca pensei que pudesse o homem sentir tanta saudade.
Dizem que a palavra não existe em nenhum outro idioma...
mas eu conheço o seu significado.
A alma procura a outra na velocidade do desatino.
Não há lugar senão para a busca.
Nenhuma satisfação que não seja o encontro.
Nenhum engano possível.
A alma sabe exatamente qual a outra é.
É aquela.
Em tudo maravilha, encontrada seria uma.
Um eterno abraço.
Por que não cala o trovão da mente?
Por que não seca a lágrima da obsessão?
Por que não cessa esta falta que enfraquece?
Essa dor que apenas cresce.
Porque não fecha o peito ardente. Demente.
Ouvi o abismo presente, ouve o ruído dos passos...
Então cai eternamente.
Eu não sei se é verdade que de saudade tambémse morre, mas é melhor morrer do que sentir saudade.”

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Rolleiflex

É sim, pose de quebrada!
O princípio, resume-se em lealdade.
Quando preciso, deixo orgulho de lado e peço a bênção.
Rememoro, sinto a necessidade de lembrar do rosto de cada um.
Conto, encho o peito pra dizer o quanto me ensinaram.
Também erro, não é maldade estou tentando acertar.
Os traumas, ainda são muitos mas supero.
As dores, só doem quando eu insisto em mexer.
Amo, todos os momentos que vivenciei, não troco meus 37 anos por muitos de 40, 50, 60, 70, 80 e 90 não viram nem viveram o que vivi.
Cada rosto, uma história.
Crítica, só daqueles que sobreviveram pra contar nossas histórias.
Salve!

sábado, 4 de abril de 2020

Paternidade - Alessandro Brito

 Hoje, aos 37 anos de idade assumo, com um pouco mais de dignidade, o real motivo de não ter sido pai. Como de costume, no ser humano, sempre foi mais confortante terceirizar a responsabilidade e usar os argumentos que me isentasse, e meu histórico familiar triste de uma infância nada ortodoxa me davam total embasamento.

O fato da minha mãe ter ido embora de casa inúmeras vezes durante minha infância e adolescência foi sempre o argumento principal, álibi perfeito, e ainda, comovente. A falta de "estabilidade" financeira e outros argumentos sempre foram secundários, quase nunca usados, o primeiro sempre foi muito convincente. Eu sempre disse que não queria casar e ter que separar, que se tivesse um filho gostaria de ficar com a mãe dele "até pra sempre", e este era o grande problema, o fator resultante de não ter assumido a paternidade, não gostaria que ele passasse pelo que passei.

Das moças que foram minhas companheiras nenhuma despertou-me esse desejo, nunca conseguiram me passar a confiança que eu necessitava para arriscar, poderia ter sido isso sim, mas não foi, não é verdade, além de ser injusto.

Ao tentar me olhar nos próprio olhos, vejo que o meu medo maior não era apenas a separação, a infância sem mãe casou-me sim algum trauma, mas a perda da pessoa que mais amo na vida, aos 23 anos, foi relevante.
Como eu o amo, quatorze anos depois e a dor da saudade é absurda, indescritível, ainda choro, sofro e reclamo sua ausência, foi quando me dei conta que sou sensível demais pra ser pai. A realidade nua a crua é que, acredito eu, não teria estrutura psicológica para aguentar a possível perda de um filho.

Não, eu não descarto que essa é apenas uma probabilidade, e que ter essa posição elimina a possibilidade de viver experiências incríveis sendo pai, nessa horas gostaria de ter religião, acreditar em alguma doutrina, mas na condição de agnóstico nietzschiano, não me vejo com estrutura.

Não ter uma religião e ter filosofia de vida, não muda muita coisa, então é sempre uma guerra comigo mesmo, os paradoxos são infinitos, são perguntas demais pra respostas de menos. Sigo acreditando que, de fato, o que se planta se colhe, a vida não apresenta flexibilidade quando o assunto é retorno, se assim posso classificar.

Das análises da vida entendo que se tiver saúde ela cobrará do seu bolso, se tiver dinheiro, ela cobrará da sua saúde, e se tiver ambos, fatalmente ela levará alguém que você ama, eu tenho "pecados demais", vou seguindo, talvez um dia mude essa maneira de ver a vida, mas até aqui é assim, se está certo ou errado, não é uma questão do que vão achar, mas sim, do que eu acho.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Apareça- Alessandro Brito

Ainda penso em ti
Tão distante e já querida
Que ironia não é mesmo?
Mas, não é assim a vida?

Do teu toque lembro pouco
Mas não esqueço teu sorriso
Cabelos ao vento fazendo pose
Preto brilhante, longo e liso.

Um café, um reencontro
Era tudo que queria
Mas você partiu bem antes
E eu fiquei sem companhia

Um verso aqui de longe
Pra que você não se esqueça
Te quero livre sempre
Mas se puder, apareça.

sábado, 28 de março de 2020

Claudionor - Alessandro Brito

Dois boêmios se embriagando.
O vento forte que adentra minha janela nesse instante em que vos lhe escrevo me faz sentir um daqueles abraços seu, forte e cheio de energia, tem um pássaro, lá fora no parquinho, cantando insistentemente, me fez rememorar sua voz soltando alguma pilera no abraço. Tudo bem, pode ser apenas fruto da minha imaginação tentando processar a informação de que você nos deixou, provavelmente seja, mas e dae? Está me fazendo bem sentir esse abraço imaginário, continue cantando e fique quanto tempo puder meu irmão.
Foram tantas madrugadas frias no bar da Nancy não é mesmo? Inclusive foi lá, numa terça feira congelante no alto daquele morro que tive o prazer de ser apresentado a você. Não consigo recordar qual música eu pedi, mas com certeza eu pedi, você mesmo me disse tantas vezes que eu era chato pra caraleo. Foda-se, problema meu seu velho boca dura e se aqui tivesse continuaria pedindo só aquelas que eu achava que você não saberia.
Dentre tantas noites, tantos bares e tantas canções divididas, uma sempre me fará lembrar de você, inclusive essa canção sempre me fez chorar, e foi você quem me "apresentou", eu me emocionei, chorei, mas fingi que já conhecia, pra não perder aquela velha pose, se sabe bem qual. A canção?
- O filho que eu quero ter - Toquinho e Vinícius.
Quantas vezes me falou sobre ser pai... que tipo de pai eu seria... Ah velho amigo, que ser humano lindo você.
Sua visita inesperada em Campina Grande certamente foi um presente inesquecível, mas os debates que travamos, você com sua sabedoria, paciência e elegância e eu, caçador de mim, perdido na minha ignorância e arrogância, certamente foram os maiores presentes que me destes.
Você é um homem que irei admirar e respeitar até pra sempre, fomos leal uma ao outro e agora que está partindo não há mais como manchar essa trajetória, sua caminhada ficou ilibada, e por isso te agradeço, quando algum filho (a) da puta der mancada eu vou contar a nossa história também, e dizer: Então, desculpa ae mas eu tenho referentes. rs
Hoje você partiu... confesso que estou muito triste mano véio, não pela partida, nunca será pela partida, mas pela saudade que sei, virá me machucar... Porra, se sabe que já tenho um monte delas caraleoooo, num dava pra dar uma segurada não? Nos falamos quarta feira... ouvi sua voz... não tornarei a ouvir, e isso dói. Quando eu descobrir uma brasa, não vou mais poder te afrontar, quando eu pegar uma piada engraçada você não será mais o primeiro a ver... pelo menos quando o São Paulo perder de novo você não vai encher meu saco neh!?
Eu continuo dizendo, hoje é todo o tempo que tenho...
Obrigado meu irmão por ter sido meu professor da vida, embora eu seja um péssimo aluno, ser grato tenho certeza que tento ser.
Sei que pessoalmente te disse todos os te amos que tive vontade, mas faço questão de finalizar "inscrivinhando", te amo.
Até breve, muito breve.

Sandrinho.

P.S.: Enquanto escrevia pra você escutava a música que te dedicarei até pra sempre: Adios nonino.




Marcadores