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terça-feira, 6 de abril de 2021

Seresta Moderna - Nelson Gonçalves

Lançado em 1962... imagina o que Adelino iria dizer dos dias de hoje, ontem, antes de ontem...
Obrigado Adelino, obrigado Nelson!

P.S.:Nelson Gonçalves, mais um exemplo de entrega e paixão por aquilo que se faz de corpo e alma. Cantor profissional em São Paulo, tentou todas as gravadoras no Rio de Janeiro e levou "trocentos" não! Ary Barroso, o famosão dos programas de calouro da época, disse na cara dele: "Você não canta nada, volta pra São Paula e vai jogar boxe" mas ele persistiu e é considerado por muitos o maior cantor brasileiro.

Seresta moderna não tem poesia
Não tem noite de lua, não tem luar
Não tem cavaquinho, não tem violão
Nem mesmo um pandeiro
Para o sambar ritmar
Seresta moderna agora é Hi-Fi
Num canto de sala de um apartamento
Vitrola tocando, bebida rolando
Gritinhos nervosos a todo momento
Um gaiato cantando sem voz
Um samba sem graça
Desafinado que só vendo
E as meninas de copo na mão
Fingindo entender
Mas na verdade, nada entendendo
Pela madrugada, tudo está em paz
Ninguém sabe o que fez
Ninguém sabe o que faz
A noite termina, o samba tem fim
Amargurado por ser tratado assim.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Mocidade louca (Adelino Moreira) - Nelson Gonçalves

Eu tenho pena dessa mocidade
Leviandade que o prazer domina
Anda correndo sem saber pra onde
Pensa que o mundo amanhã termina

Eu tenho pena dessa pobre gente
Que fatalmente irá chorar um dia
Se eu pudesse ser seu espelho,
Dar meu conselho
Bem que eu daria

Também fui moço e na mocidade
Dei liberdade à minha fantasia
Passei o tempo em noites loucas
Beijando bocas
Que nem conhecia

Hoje, confesso, só ficou saudades
Da mocidade que se dissipou
Trago no peito um crivo de penas
Mágoas centenas
Que o amor deixou.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Escultura - Nelson Gonçalves

Cansado de tanto amar
Eu quis um dia criar
Na minha imaginação
Um mulher diferente,
De olhar e voz envolvente,
Que atingisse a perfeição.
Comecei a esculturar
No meu sonho singular
Essa mulher fantasia:
Dei-lhe a voz de Dulcinéia,
A malícia de Frinéia
E a pureza de Maria.
Em Gioconda fui buscar
O sorriso e o olhar;
Em Du Barry o glamour
E para maior beleza
Dei-lhe o porte de nobreza
De madame Pompadour.
E assim, de retalho em retalho
Terminei o meu trabalho,
O meu sonho de escultor
E quando cheguei ao fim
Tinha diante de mim
Você, só você meu amor.

domingo, 25 de setembro de 2011

Carlos Gardel - Nelson Gonçalves

Tango, bandoneon, uma guitarra que chora
Num ritmo de amor desesperado
Um cabaré que fecha suas portas
Uma rua de amor e de pecado

Um guarda que vigia numa esquina
Um casal que anda a procura de um hotel
Um resto de melodia
Um assobio uma saudade imortal
Carlos Gardel

Carlos Gardel
Buenos Aires cantava no teu canto
Buenos Aires chorava no teu pranto
E vibrava em tua voz
Carlos Gardel

O teu canto era a batuta de um maestro
Que fazia pulsar os corações
Na amargura das tuas melodias

Carlos Gardel
Se cantavas a tragédia das perdidas
Compreendendo suas vidas
Perdoavas seu papel

Por isso enquanto houver um tango triste
Um otário, um cabaré, uma guitarra
Tu viverás também
Carlos Gardel

O teu canto era a batuta de um maestro
Que fazia pulsar os corações
Na amargura das tuas melodias

Por isso enquanto houver um tango triste
Um otário, um cabaré, uma guitarra
Tu viverás também
Carlos Gardel

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Deusa do asfalto - Nelson Gonçalves

Um dia sonhei um porvir risonho
E coloquei o meu sonho
Num pedestal bem alto
Não devia e por isso me condeno
Sendo do morro e moreno
Amar a deusa do asfalto.

Um dia ela casou com alguém
Lá do asfalto também
E dizem que bem me quer
E eu triste boêmio da rua
Casei-me também com a lua
Que ainda é a minha mulher
É cantando que carrego a minha cruz
Abraçado ao amigo violão
E a noite de luar já não tem luz
Quem me abraça é a negra solidão

É, é, é, eeé cantando que afasto do coração
Esta mágoa que ficou daquele amor
Se não fosse o amigo violão
Eu morria de saudade e de dor.

terça-feira, 22 de março de 2011

Carlos Gardel - Nelson Gonçalves

Tango, bandoneon, uma guitarra que chora
Num ritmo de amor desesperado
Um cabaré que fecha suas portas
Uma rua de amor e de pecado

Um guarda que vigia numa esquina
Um casal que anda a procura de um hotel
Um resto de melodia
Um assobio uma saudade imortal
Carlos Gardel

Carlos Gardel
Buenos Aires cantava no teu canto
Buenos Aires chorava no teu pranto
E vibrava em tua voz
Carlos Gardel

O teu canto era a batuta de um maestro
Que fazia pulsar os corações
Na amargura das tuas melodias

Carlos Gardel
Se cantavas a tragédia das perdidas
Compreendendo suas vidas
Perdoavas seu papel

Por isso enquanto houver um tango triste
Um otário, um cabaré, uma guitarra
Tu viverás também
Carlos Gardel

Carlos Gardel
Buenos Aires cantava no teu canto
Buenos Aires chorava no teu pranto
E vibrava em tua voz
Carlos Gardel

O teu canto era a batuta de um maestro
Que fazia pulsar os corações
Na amargura das tuas melodias

Por isso enquanto houver um tango triste
Um otário, um cabaré, uma guitarra
Tu viverás também
Carlos Gardel

Palhaço - Nelson Gonçalves

As mulheres que eu conheço
Pobres flores sem perfume
Dizem que tudo o que faço
É produto do ciúme
Que eu lembro um toureiro antigo
Que causa dó, causa pena
Que não posso nem comigo
Mas quero morrer na arena
Os amigos que eu procuro
Amizade é só fumaça
Se relembro os áureos tempos
Fazem pouco, acham graça
E se arranjo um novo amor
Quando vem a madrugada
Dizem logo que esse amor
É romance de calçada

Palhaço
É um palhaço todo homem
Que não sabe envelhecer
Que não sabe impor silêncio
Ao maldito coração
Que acredita na mentira
Que perdoa a traição
Palhaço
É um palhaço todo homem
Que se entrega ao desespero
E não consegue compreender
Que o passado já morreu
Todo o homem que não sabe
Que no amor envelheceu
Nesta vida é um palhaço
É um palhaço como eu

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Hoje quem paga sou eu - Nelson Gonçalves

Antigamente nos meus tempos de ventura
Quando eu voltava do trabalho para o lar
Deste bar alguém gritava com ironia:
"Entra mano, o fulano vai pagar"
Havia sempre alguém pagando um trago
Pelo simples direito de falar
Havia sempre uma tragédia entre dois copos
Nas gargalhadas de um infeliz a soluçar
Eu sabia que era um estranho nesse meio
Um estrangeiro na fronteira desse bar
Mas bebia, outros pagavam e eu partia
Para o mundo abençoado do meu lar

Hoje, faço deste bar a sucursal
Do meu lar que atualmente não existe
Tenho minha história pra contar
Uma história que é igual, amarga e triste
Sou apenas uma sombra que mergulha
No oceano de bebida, o seu passado
Faço parte dessa estranha confraria
Do vermuth, do conhaque e do traçado
Mas se passa pela rua algum amigo
Em cuja porta a desgraça não bateu
Grito que entre neste bar beba comigo
Hoje quem paga sou eu!

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