quinta-feira, 30 de abril de 2020

Separações - Domingos Oliveira

Nunca pensei que pudesse o homem sentir tanta saudade.
Dizem que a palavra não existe em nenhum outro idioma...
mas eu conheço o seu significado.
A alma procura a outra na velocidade do desatino.
Não há lugar senão para a busca.
Nenhuma satisfação que não seja o encontro.
Nenhum engano possível.
A alma sabe exatamente qual a outra é.
É aquela.
Em tudo maravilha, encontrada seria uma.
Um eterno abraço.
Por que não cala o trovão da mente?
Por que não seca a lágrima da obsessão?
Por que não cessa esta falta que enfraquece?
Essa dor que apenas cresce.
Porque não fecha o peito ardente. Demente.
Ouvi o abismo presente, ouve o ruído dos passos...
Então cai eternamente.
Eu não sei se é verdade que de saudade tambémse morre, mas é melhor morrer do que sentir saudade.”

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Rolleiflex

É sim, pose de quebrada!
O princípio, resume-se em lealdade.
Quando preciso, deixo orgulho de lado e peço a bênção.
Rememoro, sinto a necessidade de lembrar do rosto de cada um.
Conto, encho o peito pra dizer o quanto me ensinaram.
Também erro, não é maldade estou tentando acertar.
Os traumas, ainda são muitos mas supero.
As dores, só doem quando eu insisto em mexer.
Amo, todos os momentos que vivenciei, não troco meus 37 anos por muitos de 40, 50, 60, 70, 80 e 90 não viram nem viveram o que vivi.
Cada rosto, uma história.
Crítica, só daqueles que sobreviveram pra contar nossas histórias.
Salve!

sábado, 4 de abril de 2020

Paternidade - Alessandro Brito

 Hoje, aos 37 anos de idade assumo, com um pouco mais de dignidade, o real motivo de não ter sido pai. Como de costume, no ser humano, sempre foi mais confortante terceirizar a responsabilidade e usar os argumentos que me isentasse, e meu histórico familiar triste de uma infância nada ortodoxa me davam total embasamento.

O fato da minha mãe ter ido embora de casa inúmeras vezes durante minha infância e adolescência foi sempre o argumento principal, álibi perfeito, e ainda, comovente. A falta de "estabilidade" financeira e outros argumentos sempre foram secundários, quase nunca usados, o primeiro sempre foi muito convincente. Eu sempre disse que não queria casar e ter que separar, que se tivesse um filho gostaria de ficar com a mãe dele "até pra sempre", e este era o grande problema, o fator resultante de não ter assumido a paternidade, não gostaria que ele passasse pelo que passei.

Das moças que foram minhas companheiras nenhuma despertou-me esse desejo, nunca conseguiram me passar a confiança que eu necessitava para arriscar, poderia ter sido isso sim, mas não foi, não é verdade, além de ser injusto.

Ao tentar me olhar nos próprio olhos, vejo que o meu medo maior não era apenas a separação, a infância sem mãe casou-me sim algum trauma, mas a perda da pessoa que mais amo na vida, aos 23 anos, foi relevante.
Como eu o amo, quatorze anos depois e a dor da saudade é absurda, indescritível, ainda choro, sofro e reclamo sua ausência, foi quando me dei conta que sou sensível demais pra ser pai. A realidade nua a crua é que, acredito eu, não teria estrutura psicológica para aguentar a possível perda de um filho.

Não, eu não descarto que essa é apenas uma probabilidade, e que ter essa posição elimina a possibilidade de viver experiências incríveis sendo pai, nessa horas gostaria de ter religião, acreditar em alguma doutrina, mas na condição de agnóstico nietzschiano, não me vejo com estrutura.

Não ter uma religião e ter filosofia de vida, não muda muita coisa, então é sempre uma guerra comigo mesmo, os paradoxos são infinitos, são perguntas demais pra respostas de menos. Sigo acreditando que, de fato, o que se planta se colhe, a vida não apresenta flexibilidade quando o assunto é retorno, se assim posso classificar.

Das análises da vida entendo que se tiver saúde ela cobrará do seu bolso, se tiver dinheiro, ela cobrará da sua saúde, e se tiver ambos, fatalmente ela levará alguém que você ama, eu tenho "pecados demais", vou seguindo, talvez um dia mude essa maneira de ver a vida, mas até aqui é assim, se está certo ou errado, não é uma questão do que vão achar, mas sim, do que eu acho.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Apareça- Alessandro Brito

Ainda penso em ti
Tão distante e já querida
Que ironia não é mesmo?
Mas, não é assim a vida?

Do teu toque lembro pouco
Mas não esqueço teu sorriso
Cabelos ao vento fazendo pose
Preto brilhante, longo e liso.

Um café, um reencontro
Era tudo que queria
Mas você partiu bem antes
E eu fiquei sem companhia

Um verso aqui de longe
Pra que você não se esqueça
Te quero livre sempre
Mas se puder, apareça.

sábado, 28 de março de 2020

Claudionor - Alessandro Brito

Dois boêmios se embriagando.
O vento forte que adentra minha janela nesse instante em que vos lhe escrevo me faz sentir um daqueles abraços seu, forte e cheio de energia, tem um pássaro, lá fora no parquinho, cantando insistentemente, me fez rememorar sua voz soltando alguma pilera no abraço. Tudo bem, pode ser apenas fruto da minha imaginação tentando processar a informação de que você nos deixou, provavelmente seja, mas e dae? Está me fazendo bem sentir esse abraço imaginário, continue cantando e fique quanto tempo puder meu irmão.
Foram tantas madrugadas frias no bar da Nancy não é mesmo? Inclusive foi lá, numa terça feira congelante no alto daquele morro que tive o prazer de ser apresentado a você. Não consigo recordar qual música eu pedi, mas com certeza eu pedi, você mesmo me disse tantas vezes que eu era chato pra caraleo. Foda-se, problema meu seu velho boca dura e se aqui tivesse continuaria pedindo só aquelas que eu achava que você não saberia.
Dentre tantas noites, tantos bares e tantas canções divididas, uma sempre me fará lembrar de você, inclusive essa canção sempre me fez chorar, e foi você quem me "apresentou", eu me emocionei, chorei, mas fingi que já conhecia, pra não perder aquela velha pose, se sabe bem qual. A canção?
- O filho que eu quero ter - Toquinho e Vinícius.
Quantas vezes me falou sobre ser pai... que tipo de pai eu seria... Ah velho amigo, que ser humano lindo você.
Sua visita inesperada em Campina Grande certamente foi um presente inesquecível, mas os debates que travamos, você com sua sabedoria, paciência e elegância e eu, caçador de mim, perdido na minha ignorância e arrogância, certamente foram os maiores presentes que me destes.
Você é um homem que irei admirar e respeitar até pra sempre, fomos leal uma ao outro e agora que está partindo não há mais como manchar essa trajetória, sua caminhada ficou ilibada, e por isso te agradeço, quando algum filho (a) da puta der mancada eu vou contar a nossa história também, e dizer: Então, desculpa ae mas eu tenho referentes. rs
Hoje você partiu... confesso que estou muito triste mano véio, não pela partida, nunca será pela partida, mas pela saudade que sei, virá me machucar... Porra, se sabe que já tenho um monte delas caraleoooo, num dava pra dar uma segurada não? Nos falamos quarta feira... ouvi sua voz... não tornarei a ouvir, e isso dói. Quando eu descobrir uma brasa, não vou mais poder te afrontar, quando eu pegar uma piada engraçada você não será mais o primeiro a ver... pelo menos quando o São Paulo perder de novo você não vai encher meu saco neh!?
Eu continuo dizendo, hoje é todo o tempo que tenho...
Obrigado meu irmão por ter sido meu professor da vida, embora eu seja um péssimo aluno, ser grato tenho certeza que tento ser.
Sei que pessoalmente te disse todos os te amos que tive vontade, mas faço questão de finalizar "inscrivinhando", te amo.
Até breve, muito breve.

Sandrinho.

P.S.: Enquanto escrevia pra você escutava a música que te dedicarei até pra sempre: Adios nonino.




sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Frase - Dom Quixote

A liberdade, Sancho, é um dos dons mais preciosos, que aos homens deram os céus: não se lhe podem igualar os tesouros que há na terra, nem os que o mar encobre; pela liberdade, da mesma forma que pela honra, se deve arriscar a vida, e, pelo contrário, o cativeiro é o maior mal que pode acudir aos homens.

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Frase - Anais Nin

"Um homem jamais pode entender o tipo de solidão que uma mulher experimenta. Um homem se deita sobre o útero da mulher apenas para se fortalecer, ele se nutre desta fusão, se ergue e vai ao mundo, a seu trabalho, a sua batalha, sua arte. Ele não é solitário. Ele é ocupado. A memória de nadar no líquido amniótico lhe dá energia, completude. A mulher pode ser ocupada também, mas ela se sente vazia. Sensualidade para ela não é apenas uma onda de prazer em que ela se banhou, uma carga elétrica de prazer no contato com outra. Quando o homem se deita sobre o útero dela, ela é preenchida, cada ato de amor, ter o homem dentro dela, um ato de nascer e renascer, carregar uma criança e carregar um homem. Toda vez que o homem deita em seu útero se renova no desejo de agir, de ser. Mas para uma mulher, o clímax não é o nascimento, mas o momento em que o homem descansa dentro dela."

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Frase - Ariano Suassuna

A massificação procura baixar a qualidade artística para a altura do gosto médio. Em arte, o gosto médio é mais prejudicial do que o mau gosto... Nunca vi um gênio com gosto médio.


sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Minhas primaveras - Mestre Fuleiro

São tantas
Tantas foram as primaveras
Que por mim já passaram
Nesses meus cabelos brancos
É fácil de calcular
Amar, amei bastante, até demais
Quando fui Guapo rapaz
Gozei o que pude gozar
Só me resta agora recordar
Quem viver a vida que vivi
Certamente há de recordar
Amar, amei
Sambar, sambei
Tantas belas coisas desfrutei.

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