quinta-feira, 12 de março de 2026

Experimentos de Conformidade de Asch - @A_Psique (Solomon Asch/ Friedrich Nietzsche)


A estupidez, muitas vezes, não é a ausência de inteligência, deficiência cognitiva ou falta de informação. É antes, uma abdicação deliberada, ainda que inconsciente, da capacidade de pensar. É a escolha de não ver o que está diante dos olhos.

Contexto histórico importa!

Solomon Asch, testemunhando os julgamentos de Nuremberg (1945/46), observou homens saudáveis, sem qualquer déficit perceptível, explicarem como seguiram ordens absurdas. Em 1951, apresenta os resultados dos Experimentos de conformidade de Asch.

CONFORMIDADE NORMATIVA: Sabe-se que a resposta do grupo está errada. Nossa percepção permanece intacta, nossa cognição funcionando normalmente mas concordamos mesmo assim para evitar rejeição social, ridicularização ou conflito. É a estupidez social por excelência. Preservamos a harmonia do grupo, nossa aceitação, nossa imagem, ao custo deliberado da verdade. É uma barganha consciente. Verdade em troca de pertencimento.

CONFORMIDADE INFORMACIONAL: Duvida-se da própria percepção. A discrepância entre o que vemos e o que todos afirmam ver, cria dissonância cognitiva insuportável. A inteligência se curva diante da suposta sabedoria coletiva, o consenso se torna evidência.

CONFORMIDADE POR EXAUSTÃO COGNITIVA: Depois de discordar repetidamente e ser constantemente contrariado, desiste-se. Não porque acredita no grupo, não porque teme rejeição, mas porque é cognitivamente cansativo manter-se em oposição constante. É mais fácil ceder, seguir o fluxo e guardar energia mental para batalhas mais importantes.

Friedrich Nietzsche 

Além do bem e do mal: "A loucura é rara em indivíduos mas em grupos, partidos e épocas, é a regra.

Nietzsche não tinha experimentos controlados mas contava com sua percepção aguda sobre a psicologia do conformismo. Para o filósofo alemão a conformidade não era meramente um erro cognitivo ou uma fragilidade psicológica ocasional, era a condição fundamental do que ele denominou de Moralidade de rebanho. A tendência humana de buscar segurança no número, de substituir julgamento individual por consenso coletivo, de trocar autenticidade por pertencimento.

A gaia ciência: "A voz do rebanho dentro de nós ainda diz: "Nós deveríamos ser iguais, não diferentes.""

Essa voz não é imposta externamente, ela habita dentro de cada um de nós sussurrando que desviar-se do grupo é perigoso, suspeito, talvez até imoral. A conformidade se disfarça de virtude, lealdade, humildade, espírito de equipe. 

O velho Nietzsche identificou algo que os experimentos de Asch confirmariam empiricamente. A inteligência individual frequentemente se curva, não porque seja fraca, mas porque o peso psicológico de estar sozinho é insuportável.

Assim falou Zaratustra: "Vocês tem seu jeito de pensar, mas a maioria despreza aquele que pensa diferente. Vocês precisam aprender a suportar que sejam desprezados."

O pensamento independente não é apenas uma questão individual mas uma prova de caráter. Requer não apenas capacidade cognitiva mas força psicológica para suportar isolamento.

Humano demasiado humano: "O espírito livre é aquele que pensa diferente do que se esperaria dele com base em sua origem, ambiente, posição e função, ou com base nas opiniões dominantes do seu tempo."

Conceito Nietzschiano "Espírito livre" é essencialmente o antídoto filosófico para a Conformidade de Asch. 

Mas Nietsche não romantiza tal posição: "Aquele diferente de mim não me exalta a inteligência, me exalta a paciência". O pensamento independente irrita, incomoda, cria fricção social, por isso mesmo a maioria prefere não exercê-lo.

O que torna à analise do filósofo alemão particularmente relevante para o experimento de Asch é sua compreensão que Conformidade não precisa de tiranos ou estruturas totalitárias explícitas para  prosperar. Ela opera através de mecanismos sutis internalizados.

Aurora: "Quando cem homens estão juntos, cada um perde a sua razão e ganha outra."

Racionalidades coletivas que anulam percepções individuais perfeitamente corretas. O grupo desenvolve sua própria lógica, sua própria realidade e o indivíduo que resiste paga o preço em ansiedade, dúvida e exclusão social. 

Uma tentação reconfortante é imaginar que pessoas realmente inteligentes estariam imunes a esses efeitos. Que QI elevado, pensamento crítico, expertise em determinada área, educação superior e treinamento seriam antídotos confiáveis contra a conformidade, que filósofos, cientistas e acadêmicos estariam naturalmente protegidos. Pessoas inteligentes são muitas vezes mais hábeis em racionalizar decisões conformistas. Elas não simplesmente sedem a pressão do grupo de maneira passiva ou irreflexiva, ao invés disso constroem justificativas elaboradas, argumentos sofisticados, narrativas complexas para explicar porque concordar com o consenso é na verdade a posição mais racional, prudente e intelectualmente defensável. A inteligência se torna serva da conformidade não sua crítica. 

Há estudos que mostram que pessoas com maior capacidade de raciocínio analítico são melhores em encontrar falhas em evidências que contradizem suas crenças políticas prévias mas não melhores em encontrar falhas em evidências que a confirmam.

Ser expulso do grupo neandertal era morte quase certa. Discordar do grupo era perigoso, manter coesão social era questão de sobrevivência. Essa marca evolutiva permanece, codificada em circuitos neurais profundos.

Vivemos em tempos de câmaras de eco digitais algoritmicamente reforçadas, polarizações políticas sem precedentes, movimentos de massa que se consolidam em torno de narrativas empiricamente frágeis  mas socialmente coesas. 

As redes sociais criaram um ambiente perfeito para os efeitos que Asch documentou. Feeds personalizados nos mostram principalmente opiniões que já concordamos. Algoritmos de engajamento amplificam consensos aparentes, métricas de likes, shares e retuítes tornam visível, quantificável e inescapável o grau de conformidade ou dissidência.

A pressão agora vem de milhares de sinais sociais constantes, de enxames digitais que recompensam concordância e punem desvio. A inteligência se torna estúpida não porque para de funcionar, não porque os circuitos cognitivos falham, mas porque é deliberadamente direcionada para o objetivo errado. Não buscar a verdade, não construir modelos precisos da realidade mas preservar pertencimento, sinalizar lealdade tribal, manter status dentro do grupo. A Conformidade nos ensina obediência mas nos priva da capacidade mais fundamental, a autoridade sobre nosso próprio julgamento.

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=JL_--sZPxqg

terça-feira, 15 de julho de 2025

Felicidade - Alessandro Brito

  
 
Eu nunca temi a morte, sentimento natural para quem sobreviveu ao lado dela, desde sempre. E provavelmente por não temê-la, sempre (mesmo que de forma inconsciente ou inconsequente) vivi intensamente.

Às vezes me sinto um personagem de Macondo, vivendo meus anos de pura solidão (muito embora, por vezes, em meio a multidão). E mesmo nesses momentos não alivio na intensidade, eu sinto, mas sinto a ponto de deixar-me estremecer a carne. O coração cada vez mais vulnerável, quanto mais envelheço mas sinto-me tomado pela vulnerabilidade de sentir, segue implacavelmente batendo e apanhando.

E nesse movimento de sentir desvairadamente me percebo sempre numa busca que parece infinda, de ter uma companheira (já me debrucei tantas vezes a respeito desse tema). Me permito muito, me apaixono raramente. Acredito que são nessas raras vezes que sinto o pulsar da vida rasgar minhas artérias e meu corpo planar, desconsiderando totalmente as leis da física.

Nessas raras vezes em que me apaixono, arrisco, me jogo no precipício e voo em queda livre. E esse é o adjetivo perfeito: "livre". Liberdade das amarras sociais, que nos moldam e nos encabrestam, liberdade para escolher, mesmo sem garantia de êxito. Liberdade para ser e sentir.

Toda ação tem uma reação, tenho me machucado nesses últimos anos. As marcas e feridas são inevitáveis, mas a sede de viver é muito maior. Quanto vale ser quem você é e viver como você vive? Ainda tenho conseguido pagar o preço de ter coragem e me permito apenas ser quem quero ser (antes de tudo um forte). 

A vida, pra mim, se resume em: Morrer (um dia desses qualquer); fazer escolhas (o resto são apenas consequências) e afetos. O resto é banalidade.

Do que vi e vivi, trago a certeza que essas passagens são invioláveis. Quando me deparo com tempos difíceis de tristezas, amarguras e desilusões (como a gente ilude e se desilude, não!? Tudo tão fugaz) procuro na memória essas gavetas de lembranças, revisito-as e é como se fosse um novo sopro de vida emergindo dentro de mim. As lembranças de momentos felizes me fazem crer que a felicidade é infatigável. Mesmo quando centelha, mesmo quando não passa de pequenos momentos, ela é capaz de mudar todo o cenário, para sempre, até mesmo quando o "para sempre" se perde nas atitudes.

Me abasteço com essas vivências rememoradas, olho pra frente e marcho. Não evita meu sofrimento e não alivia a dor das desventuras, mas tem sido suficiente para que eu posso recomeçar.   

 

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

Medo - Alessandro Brito

Amo, é inegável!

Mas em dado momento os traumas somados aos medos me fizeram paralisar. Tanto que eu me dediquei, tantos paradoxos desfeitos, traumas superados e no entanto chegou um ponto que não consegui dar o próximo passo, o medo simplesmente me congelou.

Quão difícil é perder, há sim (sempre) a possibilidade, é parte do jogo da vida. Pensei em todas as saudades que vivi e vivo e foi desesperador. O que eu faria depois? Como suportaria? Caramba, mais uma saudade!?

A vida seguiu, mas eu não! Fiquei refém do medo, tive tanto medo que ele me dominou, consumiu minha racionalidade, extirpou quase tudo que foi construído a muito custo e não foi pouca coisa, literalmente me aniquilou.

É interessante o movimento de amadurecer, e isso vem sim com muita reflexão e o peso das experiências. Sempre comprei a ideia de que "O bon vivant nunca mostra o ponto fraco", cresci seguindo essa regra inconscientemente, não me permitia ser acessado. Enquanto as companheiras (durante a vida) me mostravam todas suas faces, permitindo-se serem vulneráveis, confiando a mim todas as áreas de suas vidas.

Hoje me olhando de frente, percebo que nunca consegui doar-me completamente. Estive sempre dentro de alguma mínima margem de "segurança", mesmo tendo ao meu lado companheiras tão incríveis.

Ao sair de cena e revisitar as relações em que me projetei mais a fundo (ao menos o máximo que consegui naqueles momentos), não vejo uma questão de ter faltado com a verdade com as companheiras, não é esse o caminho, mas sendo honesto comigo mesmo, vejo que não tive maturidade e não consegui fazer a leitura de mim mesmo (o que eu representava na relação). Não tive a capacidade de entender que era preciso ir além do que eu já tinha conseguido e que se fazia necessária essa compreensão, para que eu  pudesse superar todas as adversidades no relacionamento sem selecionar o que conseguiria ou não sobrepujar.

Mas como diz o dito popular: "Se eu soubesse vem depois". Toda ruptura de alguma maneira é morte, e ironicamente o nascimento de algo.

E por falar em morte, todo tempo que disponho é o agora, e por mais esforço que faça ainda negligencio-o.

A vida está além de nascer, crescer, reproduzir e morrer. Ela está muito mais em se revelar, principalmente a si mesmo. Ela me diz, que apesar de eu adotar essa postura de não me permitir ser acessado, quando rabisco eu me exponho totalmente. Pois é, é literalmente o que estou fazendo nesse exato momento. Mais uma vez ela tem toda razão!

Eu não tenho mais, muito, medo.


segunda-feira, 6 de maio de 2024

Como os Brasileiros Dançam - Paulino Raposo (Inspirado em “Os Africanos Dançam”)

Como os brasileiros DANÇAM!

Os brasileiros DANÇAM enquanto o mundo avança
Enquanto a Europa nos escraviza
Enquanto os Estados Unidos brigam com a Ásia pela a liderança do planeta
O Brasil DANÇA, sim o brasileiro DANÇA.

Esses bons brasileiros fabricados pela televisão
Esqueceram de Deus, enquanto os jovens europeus leem e escrevem livros
Enquanto os americanos planejam colonizar outro planeta
E inventam coisas para melhorar a vida do ser humano
O brasileiro DANÇA e, como o brasileiro DANÇA.

Enquanto os asiáticos dominam a matemática
Fabricam os telefones, carros e valorizam a educação
O brasileiro DANÇA, os brasileiros DANÇA nos pancadões
Cantam funk sujo e tem os seus cérebros lavados por ideologias impostas a ele
O brasileiro DANÇA, a cabeça do brasileiro na maioria das vezes, não pensa em nada, nada além de DANÇAR.

Os brasileiros DANÇAM até se esquecerem de trabalhar no dia seguinte
Enquanto os chineses vêm tomar a economia brasileira de mão beijada
Ocupando todos os setores produtivos, o brasileiro continua DANÇANDO
O brasileiro foge da agricultura, do empreendedorismo e da economia e sonha em passar em concurso público
Sonha em viajar para um país de primeiro mundo ou ganhar na loteria
Mas enquanto espera a sorte eles continuam DANÇANDO

Como o brasileiro DANÇA.

Eles DANÇAM a DANÇA da decadência
Concentram-se em figuras vazias
Enquanto as ONGs e multinacionais tiram todas as riquezas da Amazônia
Para no final, ouvirem que estão destruindo a natureza com banhos maiores do que dois minutos
E pior, serem facilmente manipulados por políticos corruptos
Matando uns aos outros por causa de um celular
Sem entender que até estes mesmos políticos são meros peões em agendas internacionais.

Os brasileiros DANÇAM e bebem em baladas e bares
Enquanto o governo aumenta os impostos de tudo que eles usam
A ponto de trabalharem só para pagar impostos
E aí nós continuamos DANÇANDO
Enquanto os nossos políticos corruptos vendem as nossas riquezas
Enquanto a grande mídia injeta em nosso subconsciente que estudar é sinônimo de ser otário
Enquanto isso nós continuamos DANÇANDO.

Enquanto as mulheres são submetidas a "prostituição"
Ganhando visibilidade da mídia hipócrita, para incentivar que outras mulheres se "prostituam"
Enquanto as mulheres asiáticas ganham prêmios Nobel
Enquanto o mundo debate sobre a revolução da inteligência artificial
O brasileiro se concentra no próximo carnaval, para DANÇAR até SE cansar
E depender do SUS até morrer.

Como o brasileiro DANÇA.              (Inspirado em "os Africanos dançam)

P.S.: https://www.youtube.com/watch?v=2PbFtuORSrg

segunda-feira, 8 de abril de 2024

Marcas que o amor vai deixando - Danielle Dain

O amor que tanto me engrandece, me envelheceu. Mas, inacreditavelmente, me sinto mais pleno do que nunca. O amor acumulou seus percalços em cada pequena fresta que o sentimento deixou aberta ao pedir passagem e o resultado deste preenchimento foi uma alma aprimorada e resiliente, que encontrou nos destroços, os pedaços de si que faltavam para completar o quebra-cabeça deste enigma chamado amadurecer. Porque o que nos torna bonitos, elegantes e desejados é justamente aquela metade avariada que a gente tenta esconder. Eu, me sinto cada dia mais lindo. Espero que vocês também. Aquela ruguinha boba no canto esquerdo da boca se apruma toda num sorriso cada vez que meu coração consegue abrir as portas para amar novamente. A idade tem dessas ternuras que talvez a gente só consiga sentir com total exatidão quando chega lá. E olha que acaso (ou sorte), a minha ruguinha combina perfeitamente com as bolsas insones que carrego debaixo dos olhos. Bagagem boa é aquela que a gente carrega de mãos dadas. Que a gente continue se encontrando nestas marcas que o amor vai deixando pelo caminho, porque se do lado de fora a gente transparece vivência, do lado de dentro fica cada dia mais próximo da eterna juventude.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

WJ - Sobre a cena

Eae W. passa a visão mano Que que tu ta achando da cena? -Sobre a cena? Quecena? Os menor que tão na cena? Bandido de novela pô! Esses moleques só encena! Eles não rouba, nem trafica, Me dá pena... Novo som com o mermo flow Mermo flow com mermo tema "Tô de Glock" "Atiro na BOPE" "Ando armado" "Roubo a cena" Na hora do caô esses moleque nem acena Ainda insiste em falar que canta aquilo que eles vive Só que quem vive o que eles canta Por aqui nem sobrevive Eu não fecho com esses manos E nem jogo nesse time Os caras é cria de favela E fica romantizando o crime No som deles es que matam Deles num morre ninguém Esses caras são MC ou esses caras são He-Man? Ou Super Man? Quem? -Esses menor! Falam tão bemd e droga que "os menor" quer cheirar Pô! A cena é triste e covarde Enquanto você precisa não dá chance pra sua arte Aí tu luta, mó labuta Na chuva, em Marte... Quando tu não precisa mais Aí te chamam pra fazer parte Querem mérito num sucesso que eles nunca investiram Quantos menor sem sucesso por causa deles desistiram É tipo... Como falar da criação se eu não falar do princípio? Fácil falar que droga é bom, se eu não falar de vício Glamorizam a traição, mas não falam de desperdício O Rap era bom quando "Rap era compromisso" Sacou? Eu vi minha mãe ser traída Perdi meu pai para álcool Vi minha vó destruída Fralda me assandro sem talco A nossa roupa encardida Praticamente descalço Se eu for falar sobre a vida Então não posso ser falso Traição, cachaça e droga É tudo uma droga só! Se só se ganha retorno cantando esse lixo Então que se lixem eu retorno pro pó Melhor morrer só Sem pena e sem dó Mas não encho o gogó pra fingir ser bandido Posso não ser o melhor Eu posso até ser "O pior opeta do mundo" Mas esses caras me odeiam porque eu não sou vendido Eu falo o que eu quero, do jeito que eu quero E se me proíbe eu não quero contrato Tenho contrato, miltrato e contato Mas eu sei bem quem que enche meu prato Fato! Não é a cena, não é o cinema Não é meus esquemas, não é meu extrato Não são meus poemas, nem meus teoremas Não são meus dilemas, nem são meus retratos Na verdade eu já nasci rico Mermo tendo nascido pobre Mas só entende quem vive o que eu vivo E só vive quem tem o coração nobre Sobre dinheiro? Dinheiro nós tem! Mas não é pelo donheiro que nós leva a sério Sobre a cena? Nada de novo! Todo dia novo é um novo som velho

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

O pai do Leo Mundiça, diz que a cada 10 anos se vive uma vida, eu gosto muito dessa ideia. Primavera de 2023, ano que completei 40 primaveras fazendo raiva nesse mundo e 10 primaveras em Campina Grande/ Brasil/ Planeta Terra. Setembro de 2013 larguei o 8º semestre de ADM e um dos melhores trampos da vida! Vim morar (com meu tio) e trabalhar (com o mesmo tio) em Campina Grande grande a convite de desse bendito tio, pessoa que já amei muito, um dia, no passado. Ligo pra ele confirmando se ao chegar eu poderia começar a trabalhar, tudo certo! O problema é que quando ele foi me buscar no aeroporto, me perguntou onde eu iria ficar? Ui, que frio delicioso na espinha, covardia sempre será algo que nos pegará desprevinido! Resumo da ópera, fiquei na mão, sem conhecimento algum nessa cidade. Sem lugar para morar e sem emprego! Os bons e velhos amigos e amigas insistiram para que eu voltasse, era a opção mais plausível naquele momento, mas cabeça dura que sou, bati um papo comigo mesmo (na pousada que morei por 3 meses) e decidi que iria passar pelo que fosse preciso, mas não iria voltar! E mais, só iria embora de Campina Grande, quando eu obtivesse sucesso. 10 anos se passaram... Não, não passou rápido! 10 anos morando no mesmo apartamento. Já fiquei devendo 3 meses de aluguel e 12 condomínios, podem acreditar! 10 anos de fases... Montanha russa, e porque não dizer, roleta russa. Os amigos, aqueles a quem dedico esse rabisco, por inúmeras vezes me ajudaram financeiramente. E não, não foi uma, duas, três, quatro, cinco, dez, cinquenta vezes... Quando fui morar no ap, que moro até hoje, tinha um colchão inflável (que amanhecia murcho, rs), um guarda roupa de criança quebrado (Que meu tio, milhões amado, Russo me deu, dentre outras centenas de ajuda, de todo tipo) um rede emprestada, um microondas que o Rancho (Rogério) me deu dinheiro pra comprar e uma TV 332 polegadas de Tudo SLIM que o Maestro Lanche (Daniel) também me deu dinheiro pra comprar. Friso essa parte fincanceira, porque é a que mais "pega", a que mais afasta as pessoas. E outra, ajudar umas poucas vezes em momentos alternados, é uma coisa, ajudar continuamente por temporadas, dividindo do seu suor com alguém que está lá, tão tão distante e você nem sabe de fato o que está se passando, investindo plenamente na confiança, apenas, se é que é "apenas", muito phoda! E mais phoda ainda, foram incontáveis pessoas, tantas que nem me arriscaria citar nomes aqui, que estiveram ali disponíveis para todas as minhas demandas, todas! Muitas noites foram mais longas e mais frias? Sim! As incertezas tentram me dominar? Sim! O sentimento de solidão povoou a casa? Sim! Tive medo? Sim, em alguns momentos senti vários tipos de medo! jà havia me colocado aprova dessa maneira? Nunca! Mas eu tinha que seguir em frente, não porque sou phodão, mas porque tinha duas responsas: Inadmissível decepcionar meu tio João, o amor da minha vida, minha alma gêmea (que faleu em 2005). Já pensou se de onde ele estiver ele, possa me ver! Meus amigos amados, que são minha família. Que me apoiam desde sempre em todas as insanidades que já cometi, incentivam todos os meus sonhos e alimentam a chama do amor dentro de mim, mesmo quando eu fico perdido sem entender as coias da vida e do mundo! Eu prometo que tento mas é, impossível externalizar minha gratidão, por tanto e por tanto tempo! Hoje, caros amigos e amigas, já posso fazer a malar e rumar pra outro lugar. E quero que saibam que o troféu dessa caminha, de "uma vida" no nordeste, são também dois, perseverança e resiliência! Eu não teria chegado até aqui, sem vocês! Amo-os, até pra sempre! Sandrinho

terça-feira, 1 de agosto de 2023

Alvorada no sertão - Waldick Sorinao

Eu armei minha rede
Na beira do rio para descansar
E o vento da noite
Passava vazio a me balançar
A brisa passava
Toda perfumada cantando pra mim
A lua sorria

O rio gemia bem perto de mim
O sol foi nascendo
A lua morrendo o vento parou
E os passarinhos
Fizeram alvorada para nosso senhor

Lá no meu sertão
Tem coisas bonitas que falam de amor

Tem o vento que balança
Que balança minha rede
A noite toda sem parar
Tem a lua prateada
Minha eterna enamora
A noite toda a me adorar

Quem é que não quer
Viver no sertão
Onde a vida é mais feliz
E o mal existe não

quinta-feira, 27 de julho de 2023

Fica - Silas de Oliveira




Fica, o meu desejo é profundo, é açoite
Fica, fica comigo esta noite
Nunca é demais pedir para amar
Eu tenho medo de você ir e não voltar
Depois de eu tanto, tanto te esperar

Inteligentemente essa tua malícia
Que tendência fictícia, é de torturar
Mas evidentemente quem bate não sente
Não me canso de te implorar pra ficar


 

terça-feira, 25 de abril de 2023

Vergonha de sentir - Alessandro Brito

Não sei bem  o que pensar a respeito de relacionamento, apenas sei que sou um romântico apaixonado pela vida.

Nada como "rabiscar" pra aliviar.

As vezes sinto vergonha de Sentir
Talvez seja medo de rejeição
Paro num canto a refletir
Procuro e não vejo explicação
Quando estas longe de mim
Meu peito padece na solidão
Sem você para fitar os meus olhos
Que tristes vagueiam na imensidão

Tu és a fonte da minha alegria
O teu riso é pra mim uma canção
Na vida hoje és minha harmonia
A dama que conduz meu coração
Não deixe que a saudade me sufoque
O tempo de quem espera é ilusão
Trilhemos juntos os mesmos caminhos
Sendo um do outro perfeição

terça-feira, 11 de abril de 2023

Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde - Pequeno Príncipe

 

 


 A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo, amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos, Se tu queres um cativa-me!
-Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
-É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto ..

No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca há hora de preparar o coração ... É preciso ritos.
- Que é um rito? perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa, É o que faz com dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta feira então é o dia maravilhoso!

quinta-feira, 23 de março de 2023

Um sabiá diligente - Cancão

Voou pela vastidão
Mas por inexperiente  
Caiu em um alçapão  
Depois de aprisionado
Ficou mais martirizado  
Pensando no seu filhinho
Implume, sem alimento,
Exposto à chuva e ao vento
Sem poder sair do ninho.

Deram-lhe por seu abrigo
Uma pequena gaiola  
Num casebre de um mendigo  
Que só comia de esmola  
Só vivia cochilando  
Com certeza imaginando  
Sua liberdade santa Ia cantar, não podia,  
Que sua voz se perdia
Logo ao sair da garganta.

Tornou-se a pena cinzenta
Em seu profundo castigo
Na saleta fumarenta
Da casa do tal mendigo
Sempre triste, arrepiado,  
Nesse viver desolado
Ia um mês, vinha outro mês,  
Assim completou um ano
Sentindo o seu desengano  
Nunca cantou outra vez.

Dormindo, uma tarde inteira  
O pobre do passarinho
Sonhou que ia à palmeira  
Onde tinha feito o ninho  
Olhava, em frente, as campinas  
Via por trás das colinas  
A natureza sorrindo
Ao sentir a liberdade
Pensou ser realidade  
Sem saber cantou dormindo.

Depois, sonhou que voltava  
À terra dos braunais  
Por onde sempre cantava  
Junto a outros sabiás  
Pousava nas laranjeiras,
Passava nas ribanceiras  
Olhando o clarão do dia  
Voava por sobre o monte,  
Voltava a beber na fonte  
Que toda manhã bebia.

No sonho via as favelas  
Criadas nos carrascais
Voou, baixou, pousou nelas
Cantou os seus madrigais  
Voltou, e colheu orvalhos  
Que gotejavam dos galhos
Dos frondosos jiquiris  
Contente, abriu a plumagem,  
Pra receber a bafagem  
Das manhãs do seu país.

Foi à terra dos palmares  
Atravessou toda a flora
Cantou por todos lugares
Que tinha cantado outrora
Passou pelos mangueirais
E com outros sabiás
Cantou sonora canção  
O seu som melodioso
Estava mais pesaroso
Devido a sua emoção.

Viu a vinda do inverno
Nos quadrantes da paisagem
Ouviu o sussurro terno
Do bulício da folhagem
Cantava pelo arrebol,
Com o brilho morno do sol
Morrendo nos altos cumes  
Sentia, quando cantava,
Que seu coração chorava
Com mais tristeza e queixumes.

Sonhou catando semente  
Num campo vasto e risonho
Se sentia tão contente
Que sonhou que fosse um sonho
Olhava pra vastidão
Sentia no coração
Um regozijo profundo
Todas delícias sentia
Às vezes lhe parecia
Vivendo fora do mundo.

Atravessou os verdores,
Passou por entre as searas,
Cantou pelos resplendores  
Das manhãs frescas e claras
Passou por um campo vago,
Bebeu das águas de um lago,
Pousou em um arvoredo,
Entrou em um bosque escuro,
Aí sonhou um futuro  
Tão triste que teve medo.

Depois, sonhou que estava
Trancado numa gaiola
Ouvindo alguém que cantava  
Na porta, pedindo esmola.
Ao despertar de momento
Reparou seu aposento,  
Ouviu falar o mendigo
Fechou os olhos pensando
Sentiu seu íntimo chorando
No rigor do seu castigo.

Ainda em vão procurava  
Sair daquela prisão
Seu olhar denunciava
Piedade e compaixão
Ao pensar na liberdade
A mais pungente saudade
Devorava o peito seu
Assim, o cantor da mata,
Ferido da sorte ingrata,
No outro dia, morreu.

 



















 


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

What a Wonderful World - Louis Armstrong


    “Alguns de vocês jovens tem me dito ‘Hey senhor, o que você quer dizer com What a Wonderful World?’ E as guerras em todos os lugares? Você chama isso de maravilhoso? E quanto a fome e a poluição? Isso não é tão maravilhoso também.”

    Bem, que tal ouvir um velho senhor por um minuto.

Me parece que não é o mundo que é tão ruim, mas o que estamos fazendo para ele. E tudo o que eu estou dizendo é para vermos o quanto o mundo é maravilhoso se apenas lhe déssemos uma chance. Ame, querida. Ame. Esse é o segredo. Se muito mais de nós amássemos uns aos outros, nós resolveríamos muitos problemas, e então esse mundo seria ótimo. Por isso é que o velho senhor aqui continua dizendo… I see trees of green, red roses too…

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

Reciclagem

Um homem que se reciclou merece andar ao lado de uma mulher que se reinventou.

Uma mulher que se curou merece evoluir ao lado de um homem que se priorizou.

Um homem que reconheceu seu valor merece passar a vida com uma mulher que se livrou de sua dor.

Uma mulher que ressuscitou das cinzas merece a presença de um homem que transcendeu suas misérias.

Um homem que se desligou da seita familiar merece o apoio de uma mulher que rompeu com os padrões de seu clã.

Uma mulher que se desenvolveu merece ser vista por um homem que se inventou.

Um homem que não tem mais medo da opinião das pessoas merece dividir seu tempo com uma mulher que não tem mais medo de ser apontada.

Uma mulher que já não se contenta com nada, merece encontrar a mais bela joia.

Um homem corajoso e sincero merece ser reconhecido e admirado por uma mulher de coragem e alma selvagem.

Uma mulher livre e com poder merece ser apoiada por um homem bom, consciencioso e pleno.

Um homem que torna sua vida um desafio merece ser amado por uma mulher que visualiza seus sonhos.

Uma mulher que aspira o melhor merece ser amada por um homem que se sente vencedor.

Um homem que vive no presente e cuida de sua mente merece ser abraçado por uma mulher que medita, canta e pula.

Uma mulher que vive ligada à sua divindade merece ser cuidada e respeitada por um homem que conhece os grandes segredos da solidão e os direitos de sua liberdade.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

O que é espaço-tempo? - Bogdan Vilicic Neto

 

 SOBRE:

"Em um nível fundamental, o universo é composto de quanta... que podem interagir uns com os outros. "

O UNIVERSO É UM SER VIVO.
Seriam estes quanta como os neurônios de nossos cérebros, e a sinapse destes quantas/neurônios ocorrem no espaço do vácuo existente entre eles, a qual chamo de energia FRIA existente entre eles?
Assim como as sinapses cerebrais ocorrem por estímulos elétricos, as sinapses dos astros e partículas ocorreriam, principalmente, por estímulos de mudanças de temperaturas e campos eletromagnéticos.
O resultado destas sinapses e um Universo em constante transformação e movimento, e esta constante transformação e movimento é o que torna o Universo um ser vivo.

SOBRE ESPAÇO TEMPO:

" por exemplo, alguém observando outra pessoa cair em um buraco negro veria essa queda como um evento extremamente lento (enquanto a pessoa caindo não). "

PROPORCIONALIDADE PODERIA SER A RESPOSTA?

HOMEM x FORMIGA.
É como relacionar uma formiga a nós humanos, quando damos um passo o tempo/espaço para cada um será diferente.

ESPAÇO
A formiga terá que dar aproximadamente 55 passos para percorrer 1mt em 01 segundo, que é 180 vezes o seu tamanho, e dez vezes mais rápidas que o velocista jamaicano Usain Bolt.
O homem dará apenas 01 passo para percorrer a mesma distância no mesmo tempo aproximado, a uma velocidade proporcional 10 vezes menor que a formiga.
EFEITOS – Visão diferente do espaço, e o que é Multe Universo Espacial.
Para o homem a sua visão de espaço de 1 metro está na escala de 1 para 1, para a formiga a visão do mesmo espaço está na escala de 1 para 180.
Aqui também está a resposta para os MULTE UNIVERSOS ESPACIAIS, o Universo espacial que o homem vive e diferente no Universo espacial que a formiga vive, vivendo cada um em um Universo espacial de escalas diferentes proporcional a sua massa e deslocamento. Homem mais massa, logo mais lento para percorrer uma distância, formiga menos massa, logo mais veloz para percorrer a mesma distância.

TEMPO
A formiga vive 01 ano, e o homem 70 anos, em média ambos, e ambos precisam de aproximadamente o mesmo tempo para percorrer 1mt.
Porem na escala de tempo da existência/tempo, 1mt de tempo percorrido pela formiga (na relação de seu tempo de vida seriam 70 segundos nossos), e 70 vezes mais longo que 01 homem, que precisa de 1 segundo de sua vida para percorrer a mesma distância, apesar que se observarmos os 2 ao mesmo tempo, iremos ver que na escala universal do tempo eles levaram o mesmo tempo.
EFEITOS – Percepção diferenciada na escala de tempo, e a existência de Multe Universos Temporais.
Para o homem a sensação de tempo de 1 metro está na escala de 1 para 1 segundo, para a formiga a sensação de tempo está na escala de 1 para 70 segundos nosso.
Aqui também está a resposta para os MULTE UNIVERSOS TEMPORAIS, o Universo temporal que o homem vive e diferente no Universo temporal que a formiga vive, vivendo cada um em um Universo temporal de escalas diferentes proporcional a sua massa e velocidade.

CONCLUSÃO
A natureza sempre tenta manter tudo em equilíbrio e assim manter os Universos Entrelaçados.
O homem vive 70 vezes mais no TEMPO que a formiga.
Porem a formiga anda 10 vezes mais rápido no ESPAÇO para compensar esta diferença.
Ou seja, quando o tempo e espaço se curvam entre si, eles mantem o equilíbrio entre os Universos paralelos.
Aqui também está a resposta para os MULTE UNIVERSOS, o Universo espaço/tempo que o homem vive e diferente no Universo espaço/tempo que a formiga vive, e o que determina esta existência de Universos tempo/espaço diferente e ao mesmo tempo o equilíbrio entre eles, são as proporcionalidades massa/velocidade.
TE = mv.

Voltemos ao buraco negro.

A PROPORCIONALIDADE.
Quem estiver de fora, ira ver um ponto ínfimo dentro de um abismo gigantesco, digamos que um ponto de 0,018 km de altura que seria do homem em queda, e de 150.000 km de profundida (número hipotético) o buraco negro no qual ele está caindo.
Esta relação de tamanhos desproporcional, cria uma ilusão de ótica dos fatos.

A VISÃO DA PESSOA CAINDO.
Se a pessoa estiver caindo a 100 km por hora, a pessoa sentiria que está em grande velocidade ao ver as paredes do buraco negro passarem ao seu lado de forma tão rápidas, isto se deve a sua proximidade das paredes do buraco negro.

A VISÃO DE QUEM ESTA DE FORA OBSERVANDO A QUEDA.
Quem estiver de fora olhando o conjunto todo pessoa caindo e buraco negro, ira ver um ponto se deslocando lentamente em relação ao tamanho do buraco. Pois ele vai precisar de 150 horas para percorrer todo o trajeto, criando a ilusão ótica de que ele está lento. Porem quanto mais você se aproximar dele e as paredes do buraco negro forem diminuindo dentro do seu campo de visão, mais a velocidade dele irá aumentar.

02 EXPERIMENTOS QUE COMPROVAM ISTO.
1- Primeiro experimento.
Quem estiver dentro de um kart correndo a 10cm do chão, terá a sensação que estará em uma velocidade muito superior a pista, do quem estiver olhando de fora o conjunto pessoa/kart em relação a mesma pista sobre a qual estão correndo, que terá a sensação que eles estão lentos.
2- Segundo experimento.
A nossa experiência diária de movimento das velocidades que o nosso planeta Terra gira.
Sobre seu próprio eixo (rotação) 1 700 km/h.
Ao redor do Sol (translação) 107 000 km/h.
Em relação ao centro da galáxia 1.000.000 km/h.

EFEITO – A proporcionalidade de massa/distancia pode aumentar ou diminuir a nossa percepção de velocidade.
Então agora responda, você consegue sentir ou observar estas velocidades tão altas tanto aqui na Terra ou olhando para o espaço e observando os movimentos dos astros?
Se perceber será algo igual a pessoa que estava fora do buraco negro, vai ver tudo muito lento.
Velocidade perceptiva está relacionada a relação entre massa e distância.
VP=md

“Não atribua a natureza mais fenômenos do que ela possa de uma forma simples produzir.”


Fonte: https://universoracionalista.org/o-que-e-espaco-tempo/

Gravidade - Alessandro Brito

Há um breve espaço-tempo
Um denso oscilar de pensamentos
Que une e movimenta os sentidos
Envoltos em suas magnitudes
Ainda que compostos por partes diversas
Se unem no firmamento
Percepções distintas de universos paralelos
Que a natureza tentar manter em equilíbrio
Sem maiores gravidade.




domingo, 1 de janeiro de 2023

Transformações - Alessandro Brito

E, apesar dos pesares, percebo que o amor ainda é o norte da minha vida.

Em algum momento, percebi que amor não se acaba. Aliás, entendi que os sentimentos não se acabam apenas se transformam.

Assim como perder a vida pode levar uma fração de segundos é também em um fração de segundos que tudo que é vivo  pode se transformar. Principalmente os sentimentos. 

Uma decisão, uma atitude, uma frase ou até mesmo o silêncio, pode ser o suficiente para mudar o rumo de nossas vidas, transformar todo um cenário. E não aponto dessa forma por mera especulação ou achismo, como de costume, faço com base nas minhas vivências. 

Alguns tiros ceifaram a vida da pessoa que mais amo, foram segundos. Meu pai, que até meus 17 anos foi meu herói, em determinada situação de nossas vidas calou- se, foram segundos de silêncio que sepultaram tudo o que poderíamos ter vivido nas décadas seguintes, até sua morte. Uma passagem comprada em segundos, mudou todo o rumo da minha vida. A decisão de fazer uma cirurgia plástica fez tudo desmoronar. Uma súbita paixão poderia acontecer em segundos e novamente mudar todo o cenário, um frase mal colocado poderia ter sido suficiente para o rompimento de uma nova gestação. Enfim, assim tem sido, transformações.

Então, percebi que essas passagens impactantes estão sempre ligadas ao amor e na sua transformação, por meio de como se reage a cada evento. 

Hoje entendo que os sentimentos não morrem, apenas se transformam. O que era amor pode transformar-se em decepção, em segundos. Os planos e promessas podem ser alterados em segundos e se transformarem em ilusão. Basta um desencontro entre o tic e o tac para resultar no sepultamento ou nascimento, na transformação da morte em vida ou vice versa.

Não há como controlar tais eventos, nessas situações, nos resta apenas reagir aos sentimentos e direcioná-los.

As festas de fim de ano sempre foram eventos que me feriram, sou agraciado com uma família nada ortodoxa. E aquela tristeza incontida, que sempre me acompanhou transformou-se em aceitação da minha realidade. Acredito que os festejos vindouros, caso eu tenha essa oportunidade, serão mais amenos. 

A dor de ser só (sem a família tradicional), talvez tenha se transformado na velha esperança (aquela que o velho Nietzsche diz ser o pior dos males, pois prolonga o sofrimento) de formar minha família. A querido Nietzsche você que tanto me ensina, nessa não vai ter jeito, sonhar ainda é minha maior habilidade e sonhos, são pura esperanças.

O amor ainda pulsa e fala alto dentro do meu peito, embora eu ainda pastore o "pássaro azul", a gaiola está aberta.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Súplica - Marcos Sacramento


Aço frio de um punhal
Foi teu adeus para mim
Não crendo na verdade
Implorei, pedi
As súplicas morreram
Sem eco, em vão
Batendo nas paredes frias do apartamento
Torpor tomou-me todo
E eu fiquei sem ser mais nada
Adormecido tenha
Talvez, quem sabe
Pela janela, aberta, a fria madrugada
Amortalhou-me a dor
Com o manto da garoa
Esperança morreste muito cedo
Saudade cedo demais chegaste
Uma quando parte
A outra sempre chega
Chorar se lágrimas não tenho
Coração, porque é que tu não paras
A taça do meu sofrer findaste
É inútil prosseguir
Se forças já não tenho
Tu sabes bem que ela era minha vida
Meu doce e grande amor.


sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Mestre, meu mestre querido - Álvaro Campos

 

Mestre, meu mestre querido!
Coração do meu corpo intelectual e inteiro!
Vida da origem da minha inspiração!
Mestre, que é feito de ti nesta forma de vida?

Não cuidaste se morrerias, se viverias, nem de ti nem de nada.
Alma abstracta e visual até aos ossos,
Atenção maravilhosa ao mundo exterior sempre múltiplo,
Refúgio das saudades de todos os deuses antigos,
Espírito humano da terra materna,
Flor acima do dilúvio da inteligência subjectiva...

Mestre, meu mestre!
Na angústia sensacionista de todos os dias sentidos,
Na mágoa quotidiana das matemáticas de ser,
Eu, escravo de tudo como um pó de todos os ventos,
Ergo as mãos para ti, que estás longe, tão longe de mim!

Meu mestre e meu guia!
A quem nenhuma coisa feriu, nem doeu, nem perturbou,
Seguro como um sol fazendo o seu dia involuntariamente,
Natural como um dia mostrando tudo,
Meu mestre, meu coração não aprendeu a tua serenidade.
Meu coração não aprendeu nada.
Meu coração não é nada,
Meu coração está perdido.

Mestre, só seria como tu se tivesse sido tu.
Que triste a grande hora alegre em que primeiro te ouvi!
Depois tudo é cansaço neste mundo subjectivado,
Tudo é esforço neste mundo onde se querem coisas,
Tudo é mentira neste mundo onde se pensam coisas,
Tudo é outra coisa neste mundo onde tudo se sente.
Depois, tenho sido como um mendigo deixado ao relento
Pela indiferença de toda a vila.
Depois, tenho sido como as ervas arrancadas,
Deixadas aos molhos em alinhamentos sem sentido.
Depois, tenho sido eu, sim eu, por minha desgraça,
E eu, por minha desgraça, não sou eu nem outro nem ninguém
Depois, mas porque é que ensinaste a clareza da vista,
Se não me podias ensinar a ter a alma com que a ver clara?
Porque é que me chamaste para o alto dos montes

Se eu, criança das cidades do vale, não sabia respirar?
Porque é que me deste a tua alma se eu não sabia que fazer dela
Como quem está carregado de ouro num deserto,
Ou canta com voz divina entre ruínas?
Porque é que me acordaste para a sensação e a nova alma,
Se eu não saberei sentir, se a minha alma é de sempre a minha?

Prouvera ao Deus ignoto que eu ficasse sempre aquele
Poeta decadente, estupidamente pretensioso,
Que poderia ao menos vir a agradar,
E não surgisse em mim a pavorosa ciência de ver.
Para que me tornaste eu? Deixasses-me ser humano!

Feliz o homem marçano,
Que tem a sua tarefa quotidiana normal, tão leve ainda que pesada.
Que tem a sua vida usual,
Para quem o prazer é prazer e o recreio é recreio.
Que dorme sono,
Que come comida,
Que bebe bebida, e por isso tem alegria.

A calma que tinhas, deste-ma, e foi-me inquietação.
Libertaste-me, mas o destino humano é ser escravo.
Acordaste-me, mas o sentido de ser humano é dormir.


15-4-1928
Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993).  - 31.


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