Tento decifrar
uma foto que não há:
ao lado da janela meu pai
e eu
e nosso reflexo no vidro
de uma tarde morta.
O retrato impossível me fita,
imagem-lembrança de desejo,
provando mudo
que o que resta
não é jamais o uso
dos melhores sonhos,
mas apenas a ideia
viajando na carne:
os pés sobre os quais não dancei,
a mão que não retive,
os lábios que não marcaram minha face.
Somente o olhar
espiritual-imperfeito
alcança-me agora
dessa tarde morta
e sem registro.
Minha lira tem um jeito de quem está perdido em um caminho sem volta, não há paredes, não há estradas, não há luz nem referentes, há apenas passos desvairados que me conduzem querendo voltar...
sexta-feira, 26 de julho de 2019
Frase - Alessandro Brito
Você começa a viver verdadeiramente, quando atingi o nível de não ter que provar nada a ninguém, nem a você mesmo.
Favela - Alessandro Brito
Seria como eu dizer que alguém tem LEPRA, essa palavra tem um peso histórico (bíblico) muito negativo também, mas se eu tratá-la como HANSENÍASE fica ameno e muitos nem saberão do que se trata.
A questão é simples, o ESTADO banca a mídia e faz o FAVELADO ter orgulho da COMUNIDADE (lugar bom e agradável, só que não) e aceitar aquelas condições (muitas vezes subumana) de falta total de infraestrutura, assim o FAVELADO passa a ter orgulho da "QUEBRADA" da "COMUNIDADE" e o ESTADO se isenta da responsabilidade de urbanizar as favelas, vendendo a ideia que lá e maravilhoso.
É tão bizarro que tiveram a capacidade de instalar TELEFÉRICO em algumas favelas, morro Alemão e Providência no Rio de Janeiro.
Tem que ter orgulho sim, dos valores que aprendemos nela, a favela sempre foi absurdamente mais humana que os outros bairros, orgulho dos infinitos exemplos de superação e dignidade, honra e caráter, dos mais velhos, muitos tem uma história ilibada que foram e são nossos referentes. Agora, orgulho do lugar físico jamais, o ESTADO tem o dever de prover moradia digna (no sentido de infraestrutura).
A vida é diferente da ponte pra cá! Favela, todo meu respeito por ela.
quarta-feira, 24 de julho de 2019
Frase Vários - Friedrich Nieztsche
“Eu sou vários! Há multidões em mim. Na mesa de minha alma sentam-se muitos, e eu sou todos eles. Há um velho, uma criança, um sábio, um tolo. Você nunca saberá com quem está sentado ou quanto tempo permanecerá com cada um de mim. Mas prometo que, se nos sentarmos à mesa, nesse ritual sagrado eu lhe entregarei ao menos um dos tantos que sou, e correrei os riscos de estarmos juntos no mesmo plano. Desde logo, evite ilusões: também tenho um lado mau, ruim, que tento manter preso e que quando se solta me envergonha. Não sou santo, nem exemplo, infelizmente. Entre tantos, um dia me descubro, um dia serei eu mesmo, definitivamente. Como já foi dito: ouse conquistar a ti mesmo.”
Negro Prison Songs - Alan Lomax
01 - Black Woman (0:00)
02 - Duckin' And Dodgin' (3:04)
03 - Early In The Mornin' (6:39)
04 - How I Got In The Penitentiary (11:20)
05 - It Makes A Long Time Man Feel Bad (12:44)
06 - Jumpin' Judy (15:25)
07 - Levee Camp Holler (19:36)
08 - Lonesome Blues (22:27)
09 - Murder's Home (25:58)
10 - My Baby Got To Go (26:48)
11 - No More, My Lawd (30:11)
12 - Old Alabama (32:21)
13 - Old Dollar Mamie (35:24)
14 - Penitentiary Blues (38:49)
15 - Prettiest Train (41:13)
16 - Prison Blues (44:56)
17 - Rock Me Mama (47:18)
18 - Rosie (50:52)
19 - Stackerlee (53:43)
20 - Tangle Eye Blues (57:48)
21 - They'll Miss Me When I'm Gone (1:00:56)
22 - What Makes A Work Song Leader (1:03:56)
23 - Whoa, Buck (1:06:02)
segunda-feira, 22 de julho de 2019
Prepara-te para a vida! - Huberto Rohden (do livro De Alma para Alma)
"Prepara-te para a vida!"
Disseste-me, alma amiga, que a grande tarefa da sua vida era preprara-te para a morte.
Que só desejavas uma boa morte, e nada mais.
Se pensaste as direitas, falaste as avessas.
Tu, que tem saúde, inteligência, preparo,
Tu, que vives a primavera da vida,
Tu, que entras no mundo de braços abertos,
Tu, que inicias a grande viagem,
Não deves falar em preparar-te para a morte, prepara-te para a vida!
Não sabes que a morte é o corolário da vida?
Ignoras que morrer, é o eco do viver?
Como podia ser má a tua morte se boa foi tua vida?
Receias a morte tal qual negro fantasma?
Porque hesitaria a fruta madura em desprender-se da haste?
Porque se despenderia com dor o que amadureceu com amor?
Não te prepares para desapegar-te da árvore...
Vive como deves, e será espontâneo e natural o teu desapego...
Não morras antes de viver, não faças o segundo antes do primeiro!
Não faças a causa depender do efeito!
Não penses no sono noturno, antes de entregar-te aos labores diurnos!
Não chores ao acaso, antes do sorriso da aurora!
Enche de grandes tesouros a barquinha da tua vida, e entra contente nas águas do porto!
Semeia mãos cheias de áureos cereais, e recolhe farta messe de fruto maduro!
Carrega de flores a primavera da vida, para que de frutos te carregue o outono da morte!
Prepara-te para a morte, enriquecendo tua vida!
A morte não faz o que a vida não fez, colhe-te como és.
A morte não retoca tua alma, revela apenas o que a vida fotografou.
Sombras e luzes, boas e más perspectivas,...
Revela ás claras o que ás escuras diziam imagens latentes...
Eternamente serás o que em tempo a vida te fez...
Prepara-te, pois, para a vida, e a morte dirá o que foi tua vida...
Fazes da vida uma sementeira do bem, e será a morte uma colheita de felicidade...
Liberta o espírito das algemas do ego, e a morte te levará ao seio de Deus.
A vida eterna...
Ao amor imortal...
Disseste-me, alma amiga, que a grande tarefa da sua vida era preprara-te para a morte.
Que só desejavas uma boa morte, e nada mais.
Se pensaste as direitas, falaste as avessas.
Tu, que tem saúde, inteligência, preparo,
Tu, que vives a primavera da vida,
Tu, que entras no mundo de braços abertos,
Tu, que inicias a grande viagem,
Não deves falar em preparar-te para a morte, prepara-te para a vida!
Não sabes que a morte é o corolário da vida?
Ignoras que morrer, é o eco do viver?
Como podia ser má a tua morte se boa foi tua vida?
Receias a morte tal qual negro fantasma?
Porque hesitaria a fruta madura em desprender-se da haste?
Porque se despenderia com dor o que amadureceu com amor?
Não te prepares para desapegar-te da árvore...
Vive como deves, e será espontâneo e natural o teu desapego...
Não morras antes de viver, não faças o segundo antes do primeiro!
Não faças a causa depender do efeito!
Não penses no sono noturno, antes de entregar-te aos labores diurnos!
Não chores ao acaso, antes do sorriso da aurora!
Enche de grandes tesouros a barquinha da tua vida, e entra contente nas águas do porto!
Semeia mãos cheias de áureos cereais, e recolhe farta messe de fruto maduro!
Carrega de flores a primavera da vida, para que de frutos te carregue o outono da morte!
Prepara-te para a morte, enriquecendo tua vida!
A morte não faz o que a vida não fez, colhe-te como és.
A morte não retoca tua alma, revela apenas o que a vida fotografou.
Sombras e luzes, boas e más perspectivas,...
Revela ás claras o que ás escuras diziam imagens latentes...
Eternamente serás o que em tempo a vida te fez...
Prepara-te, pois, para a vida, e a morte dirá o que foi tua vida...
Fazes da vida uma sementeira do bem, e será a morte uma colheita de felicidade...
Liberta o espírito das algemas do ego, e a morte te levará ao seio de Deus.
A vida eterna...
Ao amor imortal...
sexta-feira, 19 de julho de 2019
O Meu Nirvana - Augusto dos Anjos
No alheamento da obscura forma humana,
De que, pensando, me desencarcero,
Foi que eu, num grito de emoção, sincero
Encontrei, afinal, o meu Nirvana!
Nessa manumissão schopenhauereana,
Onde a Vida do humano aspecto fero
Se desarraiga, eu, feito força, impero
Na imanência da Ideia Soberana!
Destruída a sensação que oriunda fora
Do tato - ínfima antena aferidora
Destas tegumentárias mãos plebeias -
Gozo o prazer, que os anos não carcomem,
De haver trocado a minha forma de homem
Pela imortalidade das Ideias!
De que, pensando, me desencarcero,
Foi que eu, num grito de emoção, sincero
Encontrei, afinal, o meu Nirvana!
Nessa manumissão schopenhauereana,
Onde a Vida do humano aspecto fero
Se desarraiga, eu, feito força, impero
Na imanência da Ideia Soberana!
Destruída a sensação que oriunda fora
Do tato - ínfima antena aferidora
Destas tegumentárias mãos plebeias -
Gozo o prazer, que os anos não carcomem,
De haver trocado a minha forma de homem
Pela imortalidade das Ideias!
Vieste - Ivan Lins
Vieste na hora exata
Com ares de festa
E luas de prata
Vieste com encantos, vieste
Com beijos silvestres
Colhidos prá mim
Vieste com a natureza
Com as mãos camponesas
Plantadas em mim
Vieste com a cara e a coragem
Com malas, viagens
Prá dentro de mim
Meu amor
Vieste a hora e a tempo
Soltando meus barcos
E velas ao vento
Vieste me dando alento
Me olhando por dentro
Velando por mim
Vieste de olhos fechados
Num dia marcado
Sagrado prá mim
Vieste com a cara e a coragem
Com malas, viagens
Prá dentro de mim.
Com ares de festa
E luas de prata
Vieste com encantos, vieste
Com beijos silvestres
Colhidos prá mim
Vieste com a natureza
Com as mãos camponesas
Plantadas em mim
Vieste com a cara e a coragem
Com malas, viagens
Prá dentro de mim
Meu amor
Vieste a hora e a tempo
Soltando meus barcos
E velas ao vento
Vieste me dando alento
Me olhando por dentro
Velando por mim
Vieste de olhos fechados
Num dia marcado
Sagrado prá mim
Vieste com a cara e a coragem
Com malas, viagens
Prá dentro de mim.
Ecos da Alma - Augusto dos Anjos
Oh! madrugada de ilusões, santíssima,
Sombra perdida lá do meu Passado,
Vinde entornar a clâmide puríssima
Da luz que fulge no ideal sagrado!
Longe das tristes noites tumulares
Quem me dera viver entre quimeras,
Por entre o resplendor das Primaveras
Oh! madrugada azul dos meus sonhares.
Mas quando vibrar a última balada
Da tarde e se calar a passarada
Na bruma sepulcral que o céu embaça
Quem me dera morrer então risonho
Fitando a nebulosa do meu sonho
E a Via-Láctea da Ilusão que passa!
Sombra perdida lá do meu Passado,
Vinde entornar a clâmide puríssima
Da luz que fulge no ideal sagrado!
Longe das tristes noites tumulares
Quem me dera viver entre quimeras,
Por entre o resplendor das Primaveras
Oh! madrugada azul dos meus sonhares.
Mas quando vibrar a última balada
Da tarde e se calar a passarada
Na bruma sepulcral que o céu embaça
Quem me dera morrer então risonho
Fitando a nebulosa do meu sonho
E a Via-Láctea da Ilusão que passa!
Música - Santa Marta (Duas semanas no morro)
Vai embora tristeza
Hoje não é o seu dia
Vai sentar em outra mesa
Já paguei sua despesa
Hoje eu quero alegria
Já lhe aturei o ano inteiro
De janeiro a janeiro você comigo morou
Hoje entre em nós tudo acabou
Vai embora tristeza que alegria voltou.
Hoje não é o seu dia
Vai sentar em outra mesa
Já paguei sua despesa
Hoje eu quero alegria
Já lhe aturei o ano inteiro
De janeiro a janeiro você comigo morou
Hoje entre em nós tudo acabou
Vai embora tristeza que alegria voltou.
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