sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Manteiga de Garrafa - Martinho da Vila (1977)

Acordei com a melodia fritando a mente...

Pois é... pois é
Eu só sei dizer
Que o amor é lindo

Eu não vou ficar tão longe
Tão distante dos seus pelos
Vou voar pros seus cabelos
E vou lhe dar mamadeira
E então me banhar na lava
Do vulcão que existe em você
Eu quero lhe transar
Eu quero lhe curtir
Eu quero lhe entender


quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Algoz - Paulo Mathias

Amarrado e amordaçado, meus olhos estão vendados.
Ouço os passos do meu opressor.
Lentamente aproxima se.
Parece que estuda como me fará maior mal.
Sem pressa, prepara-se.
Minha maior pergunta é como fui capturado?
Não lembro, não sei!
Se sei, pareço esquecer.
Recordações desencontradas vem à tona.
Estou entorpecido? Será?
Não pode ser! Justo eu!
Não acredito...
Suavemente o primeiro golpe é desferido.
A mordaça é retirada.
Sinto o aço cortante... Deus do céu sangue...
A dor é abafada por meus gritos de clemência
O algoz parece divertir se.
Não o vejo...
Interessa negociar minha vida?
De repente o conheço!
Percebo seu riso sarcástico.
Sem palavra alguma, o algoz retira se.
Foi embora? Atendeu meus pedidos?
Estou salvo?
Adormeço...
Perco a noção do tempo
Quantas horas? Quantos dias estou aqui?
Nada se desvenda, meu desespero aumenta.
Brinde?  Meus sentidos estão embaralhados.
Uma voz percorre meus ouvidos.
Melhorou? Está bem?
Parece familiar, mas ainda não sei quem poderia ser.
Ouvindo aquele som complacente, acreditei estar melhor
Respondi:
Sim, agora acredito estar...
Gargalhadas aos montes...
Nesse momento sinto um, dois, três, quatro golpes com violência.
Minhas pernas tremem, meu corpo dobra se diante de tamanha brutalidade.
 O êxtase do algoz enche o ambiente.
 Mas ainda posso falar!

Por que estou sofrendo isso, repito de maneira ensandecida
Por quê?
Por quê?
A resposta oferecida foi simples:
 --- A vida é feita de escolhas, e minha escolha é essa!
O algoz afirma ter escolhido me fazer sofrer!
Mas por quê?
Eu sei que não mereço!
As palavras frias revelam que o maior mandamento do algoz é:
“ama a si mesmo, acima de tudo”
Despreze os outros!

Juro que não podia entender.

Minha venda é retirada.
Meus olhos se abrem com dificuldade.
Um vulto, uma silhueta conhecida.
Quem é?
O algoz aproxima se...
Nãoooooooo, Nãoooooooo !
Você não!
Todos no mundo menos você.
Como acreditar?
Com requintes de crueldade o algoz fita me.
Terror...
Agora são olhos nos olhos.
Os mesmos que há tempos atrás, olhavam-me com carinho.
Como entender?
Pergunto por nossa amizade.
Meu algoz tem a delicadeza de explicar...
Com calma, mostra-me o que eu tentava não enxergar.
Declara que tem como amigos meus inimigos.
Deixa claro que os sentimentos são mutáveis...

Ainda acho complicado entender tudo isso!

Supliquei

--- Pai não afasta de mim esse cálice!
Preciso beber, preciso sentir o gosto amargo!
Talvez eu acorde de um sonho...
Não pode ser quem comigo vivia!

Meu corpo já não resiste...
Os ferimentos são diversos,
Racionalmente falando
“Não deu, não dava, não daria de jeito nenhum”,

Resta-me o golpe de misericórdia, e antes de ferir-me,
Ele pede que eu entenda!
Mostra se obtuso e cheio de razões.
A vaidade e a soberba brilham em seu rosto.

Nesse momento as sensações são diversas e confusas.
Não darei ao meu algoz,
O gosto de ver ódio em meu rosto.
Meus sentimentos de amor e amizade sempre tão presentes, irão comigo!
Como troféu de guerra.  !
Recebo o ultimo golpe...
A força com que é desferido é tremenda.
Ele vem de uma vez e corta os cordões sentimentais.
Destrói meu peito, e expõe meu coração.
Que bate por mais alguns segundos

De repente
O coração para...
Sinto-me leve...
Descubro que até em meu ultimo suspiro,
Morri aprendendo,
Sendo levado não sei como,
Nem por qual caminho.

Aprendo que o golpe de misericórdia,
È um instrumento libertador.
Liberto estou!
Não me sinto sofredor,
E sei que de hoje em diante,
Mesmo sem saber onde estou,
Não vivo mais por quem não entende o amor!

TENHO DESEJO - NELSON GONÇALVES

Seja impotente prá dizer sou inocente.
No meu acesso só desejo castigá-la
Espezinhá-la dando vaza ao meu desejo
Mas, entretanto, tudo que almejo
É enlaçá-la e sufocá-la num só beijo.
Tenho desejo de ofendê-la e magoá-la...
(até o final)

sábado, 24 de dezembro de 2011

Diego Orey

Meu irmãozinho amado... está aqui comigo! Sempre!!!!!!

Geni e o Zepelim - Chico Buarque

NATAL... ÉPOCA EM QUE AS PESSOAS SE TORNAM MAIS ASQUEROAS E NOJENTAS DO QUE NUNCA, EM QUE O PRESENTE MAIS COMERCIALIZADO É SEM DÚVIDA, DISPARADO, A HIPOCRISIA!

Monólogo de natal - Aldemar Paiva (Jornalista e radialista pernambucano)

Dedico este texto a minha saudosa irmã Patrícia de Brito Lima, que se foi em 2005 aos 28 anos! Saudade amada...

Monólogo de Natal 

Não gosto de você, Papai Noel!
Também não gosto desse seu papel
de vender ilusões à burguesia.
Se os garotos humildes da cidade
soubessem do seu ódio à humildade,
jogavam pedras nessa fantasia!

Você talvez nem se recorde mais.
Cresci depressa e me tornei rapaz,
sem esquecer no entanto o que passou.
Fiz-lhe bilhete pedindo um presente,
a noite inteira eu esperei contente,
chegou o sol e você não chegou.

Dias depois, meu pobre pai cansado
trouxe um trenzinho velho, empoeirado,
que me entregou com certa hesitação.
Fechou os olhos e balbuciou:
"É pra você... Papai Noel mandou..."
E se esquivou contendo a emoção.

Alegre e inocente nesse caso,
pensei que meu bilhete com atraso
chegara às suas mãos no fim do mês.
Limpei o trem, dei corda, ele partiu,
deu muitas voltas, meu pai sorriu
e me abraçou pela última vez.

O resto só eu pude compreender
quando cresci e comecei a ver
todas as coisas com realidade.
Meu pai chegou um dia e disse, a medo:
"Onde é que está aquele seu brinquedo?
Eu vou trocar por outro na cidade".

Dei-lhe o trenzinho quase a soluçar,
e como quem não quer abandonar
um mimo que lhe deu quem lhe quer bem,
disse medroso: "Eu só queria ele...
Não quero outro brinquedo, quero aquele
E por favor, não vá levar meu trem".

Meu pai calou-se e pelo rosto veio
descendo um pranto que eu ainda creio,
tão puro e santo, só Jesus chorou.
Bateu a porta com muito ruído,
mamãe gritou, ele não deu ouvidos,
saiu correndo e nunca mais voltou.

Você, Papai Noel, me transformou
num homem que a infância arruinou,
Sem pai e sem brinquedos. Afinal,
dos seus presentes, não há um que sobre
para a riqueza do menino pobre
que sonha o ano inteiro com o Natal!

Meu pobre pai doente, mal vestido,
pra não me ver assim desiludido,
comprou por qualquer preço uma ilusão:
num gesto nobre, humano, decisivo,
foi longe pra trazer-me um lenitivo,
roubando o trem do filho do patrão.

Pensei que viajara. No entanto
depois de grande, minha mãe, em pranto,
contou que fora preso. E como réu,
ninguém a absolvê-lo se atrevia.
Foi definhando, até que Deus um dia
entrou na cela e o libertou pro céu!



O texto do jornalista e radialista pernambucano Aldemar Paiva, é um clássico da poesia brasileira, criticado durante muitos anos pelo contundente e melancólico tom de contestação aos chamados “valores burgueses” desta tradicional festa natalina. Muitos leitores mudaram, a partir desta crítica, suas concepções sobre uma data que celebra a imagem daquele "bom velhinho de barbas brancas" que distribui presentes a algumas crianças. Já outras...


A evaristo Carriego - Trio Contempo

PUTZ!

Quejas de Bandoneón-Sexteto Mayor (en función privada)

Absurdamente lindo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

SERENATA DO ADEUS - CLARA NUNES

Ai, a lua que no céu surgiu
Não é a mesma que te viu
Nascer nos braços meus
Cai, a noite sobre o nosso amor
E agora só restou do amor
Uma palavra : Adeus
Ai, vontade de ficar mas tendo que ir embora
Ai, que amar é se ir morrendo pela vida afora
É refletir na lágrima, um momento breve
De uma estrela pura cuja luz morreu
Ai, mulher, estrela a refulgir
Parte, mas antes de partir

Rasga meu coração
Crava as garras no meu peito em dor
E esvai em sangue todo o amor
Toda desilusão
Ai, vontade de ficar mas tendo que ir embora
Ai, que amar é se ir morrendo pela vida afora
É refletir na lágrima um momento breve
De uma estrela pura cuja luz morreu

Meu fim (Cardeal arco verde)

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