terça-feira, 26 de novembro de 2019

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Dicionário - Aleivosia

substantivo feminino

    1.
    traição ou crime cometido com falsas demonstrações de amizade; perfídia, deslealdade.
    2.
    qualidade de quem engana, atraiçoa; dolo, fraude.

Frase - Thomas Sowell

"O racismo ainda não morreu, mas está respirando por aparelhos. Só é mantido vivo por políticos, aproveitadores raciais e pessoas que se sentem superiores por rotular outras de racistas".

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Frase - Alessandro Brito

Então ela olhou nos meus olhos e disse:
“-Você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida”.
Minha mente gritava:
Então por que você sempre me deixa ir? Por que você não segura minha mão e enfrenta tudo, juntos? Por que é tão mais fácil me deixar e tentar seguir em frente? Por que não fica?
Mas a única coisa que fiz foi sorrir.
Quero minha armadura de volta, minha cama, meus livros, quero tudo!

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Frase - Charles Bukowski

Caí em meu patético período de desligamento. Muitas vezes, diante de seres humanos bons e maus igualmente, meus sentidos simplesmente se desligam, se cansam, eu desisto. Sou educado. Balanço a cabeça. Finjo entender, porque não quero magoar ninguém. Este é o único ponto fraco que tem me levado à maioria das encrencas. Tentando ser bom com os outros, muitas vezes tenho a alma reduzida a uma espécie de pasta espiritual. Deixa pra lá. Meu cérebro se tranca. Eu escuto. Eu respondo. E eles são broncos demais para perceber que não estou mais ali.

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

O “Adeus” de Teresa - Castro Alves

A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus
E amamos juntos E depois na sala
“Adeus” eu disse-lhe a tremer co’a fala

E ela, corando, murmurou-me: “adeus.”

Uma noite entreabriu-se um reposteiro. . .
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus
Era eu Era a pálida Teresa!
“Adeus” lhe disse conservando-a presa

E ela entre beijos murmurou-me: “adeus!”

Passaram tempos sec’los de delírio
Prazeres divinais gozos do Empíreo
… Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse – “Voltarei! descansa!. . . ”
Ela, chorando mais que uma criança,

Ela em soluços murmurou-me: “adeus!”

Quando voltei era o palácio em festa!
E a voz d’Ela e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei! Ela me olhou branca surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!

E ela arquejando murmurou-me: “adeus!”

A música - Charles Baudelaire (in "As Flores do Mal")

A música p'ra mim tem seduções de oceano!
Quantas vezes procuro navegar,
Sobre um dorso brumoso, a vela a todo o pano,
Minha pálida estrela a demandar!

O peito saliente, os pulmões distendidos
Como o rijo velame d'um navio,
Intento desvendar os reinos escondidos
Sob o manto da noite escuro e frio;

Sinto vibrar em mim todas as comoções
D'um navio que sulca o vasto mar;
Chuvas temporais, ciclones, convulsões

Conseguem a minh'alma acalentar.
— Mas quando reina a paz, quando a bonança impera,
Que desespero horrivel me exaspera!



quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Covardia - Alessandro Brito

Foi pura covardia! Triste do ser humano que carrega em suas costas o peso da covardia.
Esse peso ironicamente é como o vento, suave, mas frio e implacável, talvez seja como a fé, não se pode ver, mas pesa toneladas nas costas de quem a carrega.

Os papéis assinados me deram a falsa ilusão de que tudo ficaria bem, sua gentileza foi covarde do início ao fim, premeditada e egoísta ela seduzia-me, mas sua postura quando comparada aos outros casais ao nosso redor, parecia ingênua. Você soube articular bem a redoma que me cobriu e impediu-me de respirar enterrando-me em vida, ferindo-me sem ser ríspido. Fez-me sentir nula, fui constrangedoramente feliz para a sociedade,  nos nossos aniversários, nos aniversários do nosso filho, motivada pela esperança de viver os sonhos vendidos nas assinaturas dos papéis.
Não pude ao menos me retirar da sala, nem reclamar das suas horas em frente a televisão, não tivemos uma sala, não pude reclamar da toalha molhada em cima da cama, ou dos tênis e meias espalhados no quarto, não tivemos um quarto, não pude sorrir pra você na cozinha enquanto dividíamos as tarefas do jantar ou o lanche na madruga depois do sexo, não tivemos uma cozinha, não tivemos uma casa nem moramos juntos, no final do feriado íamos cada qual pra casa dos nossos respectivos pais.
Não foi possível gestar a intimidade, a verdade é que nós abortamos a felicidade no único ano que moramos no mesmo teto, o primeiro ano. Eu não tive coragem de levantar a cabeça olhar no espelho e aceitar que fiz um aborto, o da minha própria felicidade.
Ainda sim a ti me dediquei, fui honesta, fiel, passei noites procurando o que havia de errado em mim que te fazia me colocar naquela condição de esposa que mora na casa da mãe, não entendo sua motivação em agir assim, não assumir a mim ao nosso filho, tive noites infinitas, longas como toda espera daquele que ama, na maioria delas consegui engolir o choro e as palavras, nas outras senti meus olhos arderem, pois só eles tiveram coragem de gritar, eu não. Agora percebo que também fui covarde. Como poderia julgá-lo?
Você me tratou com muito carinho e cordialidade, isso foi muito, muito pouco perto do que mereço. Inevitavelmente nesses milhares de dias passados você foi desaparecendo lentamente dentro de mim, deixando apenas sua réstia, sobras de atenção que eu ainda me apegava. O paradoxo entre sacrifício e covardia aliado a proposta do amor eterno me fez sobrepujar todos os obstáculo, até aqui! Não o amo mais como homem, o sentimento se transformou, nossos nomes deixaram de ter o mesmo sobrenome, você é o pai do meu filho, apenas.
Esse sentimento não é meu e essa história não é a minha, mas poderia ter sido.

P.S.: Um homem que não se dedica a família, nunca será um homem de verdade. Don Vito Corleone

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Solidão - Francisco Buarque de Holanda

Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... Isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida. .. Isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma....

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Lapso - Rancho da Goiabada

"A vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros pela vida", é poetinha minhas vivências me fazem repetir incansavelmente essa frase, obrigado!
Um casal (sem a hipocrisia medíocre habitual dos que fingem ser casais), um convite, um lar, dois radicados, samba!
Sábado a noite estava marcada uma reunião de colegas para cantar uns sambinhas... raramente fico doente, mas eu estava febril, sentindo aqueles calafrios cabulosos (que arrepiam até os pelos das orelhas)... Tomei um banho, coloquei aquele moletom maroto de capuz, e fui, ficar em casa sozinho rachando de febre não era a melhor opção, até ae sem novidades!
Cheguei na casa desse casal... aquela casa com um puta recuo, ou seja, um quintal "bitelão", uma hortinha marota... Ele de BH ela de SP... radicados há 3 anos em campina grande, cidade boa.
Alguns (vários, rs) tragos de cachaça e um casal de repertório enfezado, confesso que fiquei surpreso!
O anfitrião, mano Tiago Perdigão, com seu pinho no peito rememorando várias musguinhas que "a gente gosta" cantou "Favela - Padeirinho" que música linda, mas é um samba de terreiro e que eu nunca (em 6 anos em campina grande) tinha visto alguém cantar, confesso que fiquei emocionado, e assim prosseguiram as surpresas, entramos no repertório do Geraldo Filme, outro gênio, pouco conhecido e valorizado, e meus zoinhos brilhavam, até arrisquei cantar (os anfitriões,que estão nessa lista, me desculpem eu definitivamente não sei cantar rs) mas eu estava tão a vontade, me sentindo em casa...
O ápice da noite foi quando o mano Perdigão cantou uma musga que "abalou bangu", simplesmente bagunçou meu coreto.
Essa canção que o mano Perdigão cantou foi-me apresentada em 1992 (estava com 9 anos) pela professora Nilza, ela não apresentou apenas, mas nos fez interpretar a musga. Ah, como sou grato!
Quer dizer, na verdade, foram duas musgas mas a primeira que ela passou o exercício de interpretação eu devia ter algum compromisso inadiável, porque eu faltei rs, era "Pau de arara'. Mas pra minha sorte na segunda eu estava lá, junto com o Chandela (que também está aqui na lista 😍). Foi incrível a viagem nas nossas cabecinhas férteis, fala ae Chandela!
Em seguida eu pedi que ela me gravasse um K7, dois dias depois ele me presenteou e foi a a responsável direta por eu me interessar por MPB. Eu nunca descobri quais eram as musgas daquele K7, exceto a primeira, que eu escutava, ouvia e voltava a fita K7 com a bic, e escutava e ouvia incansavelmente... não necessariamente nessa ordem, rs. A musga do K7 era construção... E eu construia e reconstruia aquela viagem quase que psicodélica da letra, poxa numa mente de 9 anos, aquela era fonte de inspiração pra "fantástico mundo de Bob" nenhum por defeito. mesmo eu não entendo nada, mas ela apresenta muitos elementos imagináveis.
Nas voltas que a vida dá, a professora Nilza que ainda morou na rua da escola por anos, foi traída pelo marido, entrou em depressão... Anos mais tarde, saindo do curso de computação (informática rs) encontro ela no prédio... Claro que eu a abordei, rs, e ela lembrou-se de mim e de outros amiguinhos, inclusive o Chandela 😊.
Na outra semana, eu já havia ensaiado em casa, e fiz questão de contar pra ela o quanto ela fora importante na minha formação, o quanto aquela interpretação e aquele K7 foi um divisor de águas na minha vida... Infelizmente não posso transmitir pra vocês em palavras as lágrimas que ela deixou rolar com um sorrisão lindo...
P.S.: Um dia no refeitório da escola, comendo polenta com carne moída, o Chandela me chamou a atenção porque eu estava com os cotovelos na mesa, e não podia. rs Acreditem se quiser, naquela escola pública padrão, essa mesma professora nos dava aula de etiqueta. Tínhamos um caderninho com essas lições. Eu o Chandela e outros amiguinhos, nessa época morávamos em barraco de madeira, essa mulher foi mesmo muito importante. Até hoje eu finjo que sou educado me valendo de várias lições que ela deu.
Rancho da goiabada é a musga em questão!
Essa musga conta muito das coisas que eu via meu pai fazendo e vivendo, é óbvio que na época eu não tinha essa leitura da situação neh, mas eu gostava dos vários elementos dela, mas hoje ela me comove imensamente justamente por conseguir enxergar que meu pai era um dos personagens daquela musga, um flagelado retirante nordestino no inicio dos anos 90, analfabeto, descriminado, sobrevivendo de biscates e tentando dar para o filho tudo o que seu pai não deu, principalmente carinho.

Os bóias-frias
Quando tomam umas biritas
Espantando a tristeza,
Sonham com bife-a-cavalo, batata-frita
E a sobremesa
É goiabada cascão com muito queijo,
Depois café, cigarro e um beijo
De uma mulata chamada
Leonor ou Dagmar...

Amar
O rádio de pilha, o fogão jacaré, a marmita, o domingo
O bar
Onde tantos iguais se reúnem e contando mentiras
Pra poder suportar...

Ai, são pais-de-santo, paus-de-araras são passistas
São flagelados, são pingentes, balconistas
Palhaços, marcianos, canibais, lírios, pirados,
Dançando dormindo de olhos abertos à sombra
Da alegoria dos faraós embalsamados

Marcadores