quarta-feira, 11 de julho de 2018

Save Our Last Goodbye - Disturbed

Através dos passos alternados de perda e ganho,

silêncio e atividade, nascimento e morte,

eu trilho o caminho da imortalidade" -- Deepak Chopra.



terça-feira, 10 de julho de 2018

As fases da vida - Alessandro Brito

Estou com uma pergunta existencialista: Quais foram suas fases na vida? Essa foi a pergunta que lancei aos meus amigos hoje pela manhã. Hoje ao longo do dia recebi diversas respostas, algumas bem rasas (eles tem seus motivos) outras incríveis e complexas, me senti instigado a replicar:
Em suma acho que podemos definir as fases da vida em 3: infância, adolescência e fase adulta. Percebi dentre as respostas dos meus amigos que também usaram essa a divisão.

Infância: Foi incrível! Tudo começa na figura paterna  (visto que minha mãe foi embora de casa mais de 10 vezes, entre meus 4 a 15 anos, e eu sempre fiquei com meu pai) que foi meu exemplo, isso até meus 17 anos quado comecei a deixar de admirá-lo. Me ensinou a nadar e a andar de bicicleta, me ensinou a não diferenciar as pessoas. Foi exemplo de honestidade, trabalho e valentia. Talvez exista um pai absurdamente apaixonado pelo filho, mas acredito que igual ao meu foi por mim, mas, não mais que o meu. Além de me amar, me fazia sentir-me amado. A favela... o barraco de madeira, que em dias de chuva era preciso sair pra casa da vizinha, pois corria risco de desabar. A primeira morte, onde meu pai matou um cara a facadas na minha frente aos 5 anos de idade (deu até o Gil Gomes), as outras mortes viraram banalidade. Aos 6 anos mudança de barraco, época que entrei na escola,onde tive o privilégio de estudar da 1ª série até 3º ano do colegial. (Fundamental ao ensino médio). Nesse período de 11 anos (1989 a 2000) foi o período de tudo que formaria meu caráter. Ainda rememorando as fases da infância, não posso esquecer as infinitas horas no campo de futebol jogando bola e aprendendo a ser e ter amigos e uns dribles claro.. O fliperama onde gastei uma fortuna de moedas e tempo, até minha mãe descobrir que eu estava por lá e ir me batendo de dentro do fliper até chegar em casa, puta que pariu, passei vergonha. A casa de alguns amigos que me acompanham até hoje, Rogério (Rancho) Tiago (Chandela) e Leonardo (Kit Léo/ Leozones) hoje consigo entender que não fui um criminoso, como minha mãe dizia que eu iria ser, porque tive uma fase (que dura até hoje) de convivência e aprendizado na casa desses que se tornaram meus referentes de família.

Adolescência: Essa fase eu era abastado de dinheiro e amor do meu pai e amigos. Não tinha como ser um rebelde sem causa, muito menos com causa. Mas, obviamente achava que sabia muito das coisas da vida. Fase das mulheres... Fase de ir nas portas das escolas pela manhã, (Barão de Mauá, Maria Luíza, Wallace e quando arrumava carona ainda rolava a entrada do Universitário (hoje COC) nessa ordem). As portas de escolas foram sem dúvidas o primeiro divisor de águas da minha vida. Através delas penetrei no mundo burguês e cá pra nós, embora na época morrêssemos de orgulho da favela, quem mora em favela é rato e uma habitação digna é o mínimo que todo cidadão merece. Passar a frequentar a casa das minas burgueses abriu um leque de possibilidades incrível, foi a fase da descoberta do conforto, do comer bem, falar bem, das grifes de roupas e perfumes, foi do caraleo.
Entrou então a música na minha vida, comecei escutar tudo que tivesse ao meu alcance (Nunca tive um grupo ou tribo fixa, isso também me permitiu explorar mais que o normal), essa é uma fase que ainda não terminou, já está com uns bons dias... fase essa que me fez projetar-me na noite de São Bernardo do Campo (bendito Santa Filomena) e em curto prazo na noite do ABC seguida de 8 anos ininterruptos na noite de SP até vir morar na Paraíba.
Foram incontáveis madrugadas tombando latas pela cidade... Ia atrás de samba em todas as favelas da cidade, outras tantas apenas vagando pelas noites, caminhando ou de carro, quase sempre sozinho. As vezes nos puteiros de SBC com um traficante amigo, ele abastecendo as putas e eu lá, de bobo alegre, me divertindo e me achando o malandrão, ae se a polícia pega, eu estava fodido, logo eu que nunca fumei nem um baseado. Fase também das viagens pra outros estados, normalmente sem grana (mesmo) ou "patrocinado" por alguém, foram todas no mínimo incríveis , eu realmente era um sem noção do espaço que vivia. A única parte cruel foi a morte da pessoa que é tudo na minha vida, meu tio (João Banana) executado a tiros aos 26 anos (eu apenas com 23 anos)... Provavelmente foi o momento que eu tenha pensado que era preciso querer "chegar em alguma lugar, ter algo bom pra comer e algum lugar pra se morar"... É estranho resumir essa fase, foram tantas coisas vividas, tanta gente que deixou um pouquinho delas em mim, foi tão especial que muitíssimas delas ainda fazem parte do meu meio, eu as amo!
Fase adulta: Aos 26, depois da morte do meu tio, faculdade de psicologia (1 semestre) seguida do curso de ADM com o velho 100% do PROUNI (Lula aquele abraço seu picareta) e a fase mais dura, a desconstrução de valores e filosofia para a construção dos meus verdadeiros valores e das minhas verdadeiras filosofias, óbvio que é outra fase sem fim. Esse ano o falecimento do meu pai, que havia se tornado um filho, ali sabia dar trabalho viu, serei eternamente grato. Agora completando 5 anos da fase paraíba o posso afirmar que me adaptei e apesar de ser um cara resiliente, os dois primeiros aos foram muito difíceis, mas a fase atual é curtir o nordeste e chegar aos 80 bem de saúde e se possível com a sanidade em dia, fazendo muita raiva Brasil a fora.

P.S.: Foi interessante notar que alguns amigos disseram que tiveram uma infância sofrida, eu vejo que apesar de algumas tantas passagens bem tensas e cicatrizantes, eu só consigo avaliar como difícil se usar meu julgo de hoje, mas quando criança tudo parecia ser daquela maneira, as mortes eram banalidade, as agressões do meu pai contra minha mãe eram normais, a falta de grana não era perceptível pra mim, não enxerga minha quebrada como um ambiente inóspito, pelo contrário, era o único referente que tinha, era o meu mundo e ele era lindo, afinal eu era apenas o Sandrinho, uma criança.

 

sábado, 30 de junho de 2018

Realidade - Nelson Cavaquinho (Nelson Cavaquinho/Geraldo Cunha/Antônio Braga)



Zela pela tua existência que a vida é curta

Tudo que teve um princípio também tem um fim

Quando abrires os teus olhos talvez seja tarde

Tudo que estou te dizendo é a realidade

O mundo ensina qualquer criatura a viver

Quem te aconselha é um grande amigo teu

Quem te aconselha sou eu, que muito já padeceu

Deixa esta vida cruel que amarga tanto quanto fel



Tu tens que compreender o que te digo

A vida é preciosa, meu amigo

Tu vives pelas tabernas, alcoolizado

Teu companheiro é um cão fiel que vive sempre a teu lado


sábado, 16 de junho de 2018

Goo Goo Dolls - Here is Gone (Legendado)

DEPRESSÃO BRASILEIRA - CONTARDO CALLIGARIS



As afirmações genéricas sobre o estado de espírito de um povo são facilmente enganosas: ao diagnosticarmos um grupo ao qual pertencemos, psicólogos, antropólogos, jornalistas etc., tendemos a atribuir à coletividade sentimentos que são apenas os nossos.

É por isso que, em tese, não faço diagnósticos coletivos temerários. Só que hoje é um pouco diferente: desde 1985, quando comecei a clinicar no Brasil, não me lembro de ter percebido um desânimo tão difuso e generalizado quanto agora.

Uma pesquisa recente do Datafolha aponta que 72% dos brasileiros enxergam uma piora do cenário econômico, embora só 49% declarem que passaram de fato por um retrocesso. Ou seja, não é necessário sofrer da crise para "sentir" que estamos mal.

Os dois sintomas básicos para diagnosticar um transtorno depressivo maior são o humor deprimido (sentir-se triste e sem esperança) e uma diminuição do interesse em quase todas as atividades. Justamente, uma nova pesquisa (Folha de 12/6) anuncia que 53% dos brasileiros não têm interesse na Copa do Mundo, que logo vai começar.

A esses sintomas, acrescente, segundo sua preferência, sentimento de inutilidade, capacidade diminuída de pensar ou se concentrar, indecisão, pensamentos de morte recorrentes (por bala perdida, assalto ou espera para exames no SUS).

Em 2017, segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil foi o quinto país mais deprimido do mundo e o campeão em ansiedade. A ansiedade é a grande companheira da depressão: tensão, inquietude, dificuldade de concentração, sensação de perigo iminente.

Quando soube desse ranking, pensei que talvez a gente devesse atribuir o destaque brasileiro a um excesso de diagnósticos e de medicação. Hoje, não estou tão certo disso.

Muitos colegas vão achar essas considerações bizarras, mas é difícil negar a existência de transtornos "sociogênicos", que refletem as preocupações mais difusas num momento e num lugar específicos --os quais não determinam as patologias dos indivíduos, mas, isso sim, fornecem um pano de fundo coletivo.

O que nos deu esse "pano de fundo"? Numa ordem qualquer: a sensação repetida de um fracasso econômico (acompanhada pela lenda de nossa riqueza "natural"); o fracasso da democracia representativa (persistência das elites tradicionais, corrupção generalizada, primazia das razões eleitoreiras sobre os interesses da comunidade); o fracasso moral vergonhoso (as provas repetidas de que ninguém está disposto a pagar o preço das próprias medidas que lhe parecem certas); o fracasso em proteger um lar seguro e um espaço público; o fracasso, enfim, em constituir uma esperança compartilhada que dê sentido à existência de uma nação.

A "psicologia positiva" norte-americana definia a esperança como a existência simultânea de um objetivo e de um plano definido para alcançá-lo.

O filósofo Richard Rorty ("Philosophy and Social Hope", Penguin, 1999) definia a esperança como uma narrativa que nos promete um futuro melhor. Ele mostrava que várias narrativas já se comprovaram falsas e devemos aprender a viver sem uma narrativa comum que nos faça esperar —ou seja, cada um deveria inventar sua esperança.

No desespero, não há planos de ação definidos e não há narrativas que prometam um futuro. Mas, no desespero, a esperança não morre: ela continua viva, numa espécie de pensamento mágico.

O deprimido não consegue fazer nada para mudar sua vida, mas não deixa de jogar na Mega-Sena.

O deprimido espera muito, sim, mas sua esperança é abstrata, como os discursos de uma campanha política ruim, que promete e nunca diz quais são os passos necessários para chegar lá.

Se Eric Hobsbawm estivesse vivo e quisesse dedicar um volume à nossa década, acho que escolheria o título "A Era da Farsa" e contaria que o mundo, "naquela época", tinha sérios problemas e precisava muito de pessoas sérias para resolvê-los (ou, ao menos, para tentar), mas, ironia do destino, ele foi liderado por farsantes.

Enfim, como uma espécie triste de consolação, poderíamos afirmar que os brasileiros estão encontrando uma nova unidade, um traço comum. Já tiveram em comum a primazia do coração sobre a razão que Sérgio Buarque chamou de cordialidade. Agora, quem sabe eles consigam se juntar e encontrar uma comunidade de destino ao redor de uma depressão compartilhada.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Política - Alessandro Brito

Quando em 2012 começamos a nos reunir aos milhões no centro de SP no outro dia eu escutava o mesmo argumento que ainda escuto hoje: Que eu era bobo em trabalhar o dia inteiro e depois faculdade e depois protesto no centro da cidade, que não ia dar em nada, seguido da pergunta: E ae, foram ontem na paulista, e o que mudou?
Pessoas que falam de resultado político a curto prazo sem dúvida são pessoas que não estudam política e debatem recortes de jornais.
6 anos depois ao fazer uma analogia fico muito satisfeito com os resultados, quem diria que tantos colarinhos brancos estariam na situação que estão, quem diria que até o molusco passaria por essa situação, aguardo ansiosamente para que todos os outros morcegos possam ser encandeados com a luz da justiça. Realmente toda caminhada começa no primeiro passo e certamente esse foi dado.

P.S.: E ainda que não tivesse tido nenhum resultado positivo, minha luta por si só seria vitoriosa como cidadão.
P.S.1: Foi e é incrível saber que existem milhões de brasileiros que também estão dispostos a lutar, cada qual a sua maneira, e que acreditam e buscam um brasil justo.
P.S.2: Um protesto para ter legitimidade não exige necessariamente o sacrifício humano, como vejo muitos criticarem que fulano e ciclano não saem de casa ou isso ou aquilo, ter a consciência política, é de fato um grande passo. Deixar o futebol e a novela de lado e dar importância a política é de suma importância.
P.S.3: Apoiei o Golpe (os próprios áudios que vazaram indicava o temer como bode expiatório) de forma consciente, como disse política não se resolve do dia pra noite, mas era necessário a queda, caiu. Esperava que os que criticavam o bate panela, fizessem algo proporcional, para uma nova queda, que eu apoiaria da mesma maneira, mas infelizmente são discursos isolados e sem a menor força.
P.S.4: Essa segregação de direita, esquerda, pobre, rico, mortadela, coxinha... foi eficaz até agora para os políticos nos dividirem e eles fortalecerem suas alianças. Mas agora que entendemos que de fato não passamos de marionetes que façamos aliança o povo com o povo.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Nas quebradas do mundaréu (parte I) - Plínio Marcos e Geraldo Filme

O início do disco é impactante. Plínio declama uma introdução loquaz e cruel sobre a cidade de São Paulo que quer retratar: “Eu conto história das quebradas do mundaréu, lá de onde o vento encosta o lixo e as pragas botam os ovos. Falo da gente que sempre pega a pior, que come da banda podre, que mora na beira do rio e quase se afoga toda vez que chove e que só berra da geral sem nunca influir no resultado. Falo dessa gente que transa pelos estreitos, escamosos e esquisitos caminhos do roçado do bom Deus. Falo desse povão, que apesar de tudo é generoso, apaixonado, alegre, esperançoso e crente numa existência melhor na paz de Oxalá. Quem quiser saber meu nome não precisa nem perguntar: eu me chamo Plínio Marcos, sou pagodeiro do lugar. O samba é a forma da gente minha falar dos seus mais ternos sentimentos, e é nesse embalo que eu vou. Vou contar do samba da Pauliceia e de sua gente, que é do tamanho do mundo, porque não se acanha de contar as histórias do seu pedaço de chão de terra firme”.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Ainda sobre o carnaval que passou - Ricardo Sangiovanni


por Ricardo Sangiovanni*


Era falsa a música. O triste não era que fosse versão de canção estrangeira. O triste era que ninguém local da província tivesse conseguido criar outra que lhe sobrepujasse o diabo do visgo. O triste é que seja isso, hoje em dia, o que o carnaval que por aqui se faz tenha a oferecer.


Era falso o músico. A começar por aquele cantor de trocentos carnavais, já de tédio enrouquecido, enlouquecido pela desgraça do marketing, transmutado, por fim, de artista (de arteiro) em melancólico display luminofalante.


Era falsa a dança. Porque não dá tempo a que o povo tire dela, por si, o proveito bailarino que melhor lhe aprouver. O que houve demais foi música-bula – “dançando, dançando!”, “quero ver você na coreografia!”, sem falar nas odiosas instruções de bota a mãozinha ali, mete a cabecinha acolá. Haverá terreno mais fértil para um novo tipo de zombeteiro fascismo do que o carnaval da Bahia?


Era falso o camarote. Porque afinal não extraía sua razão de ser do espetáculo a que dava vista. Mais bem valia por si, cheio de boates, de bebidas, de gracinhas de cabelo espichado, para que tanta pintura, para que tanto salto. Onde o suor de folia? Onde o par de tênis melado de mijo de farra de rua?


Era falsa a celebridade (ou quiçá defasado demais o banco de dados deste palavrista, vai saber). Fato é que os célebres de hoje em dia nem bem vinte anos têm mais. E vêm para o carnaval crentes de serem eles quem conferem brilho à festa, quando o certo seria o contrário. São tão célebres que só se fazem notar quando empacotados e expostos na vitrine de alguma marca, muito bem pagos, obrigado. Às vezes só topam vir se acompanhados de 18 (dezoito) parentes e amigos. A Bahia virou Disneylândia.


Era falsa a festa. A festinha cool na piscina, onde os vips tomam sol, era recheada de bund… digo, de meninas bonitas, todas elas devidamente contratadas para pagar biquininho até o sol se pôr. Havia, vá lá, um clima de diversão no ar. Mas uma diversão fria de tão opulenta, sem feição de certa alegria natural de viver que dá sentido ao carnaval.


Era falso o trabalhador. Não havia carnaval na cara do garçom, do segurança, do fritador de camarão sem cabeça. Até o modelete-porteiro que distribuía sorrisos e viseiras da marca estava puto – é que o coturno cenográfico em que lhe meteram machucava-lhe o raio da unha encravada. E não ponhamos a culpa das caras amarradas no pouco preço da paga, porque o pessoal do isopor de rua fatura bem menos e se diverte bem mais. O que ninguém suporta muito cheio de risada é essa atmosfera odiosa de glamour e famosidade, essa falsa mistura, esse agressivo apartheid.


Era falso o jornalista. Éramos todos falsos nós, jornalistas, alugando nossas canetas, nossas câmeras, para essa festa pobre que os homens armaram para nos convencer. Falsas as nossas perguntas, falsas as imagens que publicamos. Nós, como todo o restante da criadagem, não estávamos ali por sombra de querer, e era ruim pensar que estávamos perdendo, por mais um ano, a chance de mandar pro diabo essa palhaçada infeliz em que se transformou o carnaval baiano.
Era, ademais, desolador saber que logo ali, tão perto de nós quanto fora de nosso alcance neste ano, desfilava verdadeira felicidade. Porque de verdade no meio daquilo tudo, só mesmo, atrás do trio de Armandinho, a pipoca moderna pulando solta, passando comum, fugidia – como é, aliás, toda vera alegria.


*Ricardo Sangiovanni, jornalista, coordena o blog O Purgatório e mantém no NR a coluna Mistério do Planeta. Escreve de Salvador. Imagem do quadro Arlequin et Pierrot (1924), de André Derain, Paris