quarta-feira, 11 de maio de 2022

Inspiração - Alessandro Brito

Fui como uma rosa desfolhada
Pelo vento açoitada
Voei sem destino, peregrino
Levado pelo tempo, cansado do mundo
Sem ter se quer um norte, um rumo
Aflito
Vi partir tudo que mais amo
Marcando minh´alma, o desengano
A felicidade sempre fugaz
Desfalecia a cada dia
Em meio aos desenganos, aos prantos
Suportei calado a minha dor
Eu sabia que um dia
De algum modo encontraria, inspiração
E na pureza de tua alegria, renasci trovador.

quinta-feira, 17 de março de 2022

A história do Zé - Jorginho Pessanha (Tô muito na minha - 1971)

Coitado do Zé
você já soube o que lhe aconteceu?
Era o mestre sala da escola de samba
Estava dançando e morreu
Disseram que foi
Paixão que nutria pela Rosalina
A porta bandeira que linda menina
Que o amor não lhe deu
Hoje a Rosalina não é a primeira a chegar na escola
Onde botava as outras na sacola
Com os seus passos de enlouquecer
Disseram até que ela gostava um bocado do Zé
Porém não mostrava que fazia fé
Esperando ele se esclarecer
Depois daquele ano
A escola de samba não tirou mais dez
Porque Rosalina jurou
De na avenida não por mais os pés.
Vem sambar Rosalina vem!


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Biografia - Cecília Meireles

Escreverás meu nome com todas as letras,
com todas as datas,
e não serei eu.

Repetirás o que ouviste,
o que leste de mim, e mostrarás meu retrato,
e nada disso serei eu.

Dirás coisas imaginárias,
invenções sutis, engenhosas teorias,
e continuarei ausente.

Somos uma difícil unidade,
de muitos instantes mínimos,
isso seria eu.

Mil fragmentos somos, em jogo misterioso,
aproximamo-nos e afastamo-nos, eternamente.
Como me poderão encontrar?

Novos e antigos todos os dias,
transparentes e opacos, segundo o giro da luz,
nós mesmos nos procuramos.

E por entre as circunstâncias fluímos,
leves e livres como a cascata pelas pedras.
Que mortal nos poderia prender?

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Comportamento social nos anos 2000 - Alessandro Brito


 De que serve minha vivência, em relação a tudo que envolve meu mundo, se dela não frutificar a observação da vida, do universo no qual estou inserido?

Meu ponto de partida quando critico as coisas que permeiam minha vida é a cultura, acredito que ela defina as influências e reflita diretamente no comportamento das pessoas. Ao se perceberem parte de uma sociedade procuram meios para se sentirem inseridas e aceitas.

 Eu que sou um amante da música então me pergunto, tem algo novo que eu goste, que seja tão bom ou melhor, em relação às músicas que tenho como referência (aquelas anteriores aos anos 2000)? Infelizmente, não! E pior que isso, na minha perspectiva elas estão muito distante da qualidade de outrora, em todos os aspectos. Mas quando verifico que toda essa produção (dos ano 2000 para cá) tem uma inflação de likes e reprodução, principlamente as músicas de ostentação e depreciação das relações e do feminio, essa constatação me faz refletir.

 Como exemplo,  basta verificar que o maior canal brasileiro no youtube é o do KondZilla com 65.2 milhões de inscritos e é também o canal com mais visualizações no Brasil, contando com 35.7 BILHÕES de visualizações, eu apenas vejo o reflexo de uma sociedade, essa da qual estou inserido e que tenho dificuldade em estabelecer-me.

Passo então para as redes sociais, da qual sou adepto, e que acho incrível, mas que discordo da forma como são usadas e injustamente culpadas. Não poderia ser diferente, eis o reflexo da atual sociedade, uma legião de esmoleu afetivos, gente carente de atenção, retrato de uma sociedade vazia em busca de aceitação.

O instagram é segundo melhor exemplo que posso trazer, dentro da plataforma a exposição do corpo é quase que uma regra para ter visualização, like e o falso sentimento de atenção. Mas essa exposição não se dá de forma casual, artística, natural, mas sim através de uma sexualização vulgar. Se considerar 35 BILHÕES de visualizações do KondZilla, não é de se estranhar esse cenário.

Mas acho mesmo que o melhor exemplo é sem dúvida o TikTok... Costumo dizer que ele é o atestado de imbecilidade com firma reconhecida em cartório, e consegue representar todos os elementos de carência dessa sociedade.

Claro que se somadas sexualização vulgar, ostentação e o incentivo a imbecilidade essa química só poderia resultar na falta de aceitação do corpo e consequentemente no culto dele, não pela saúde, mas apenas pela estética, na busca desenfreada pelo rejuvenescimento, entre tantas e tantas outras coisas.

Observo cada aspecto e faço meu juízo de valor, definitivamente não é esse fluxo que quero seguir. Não dispenso meu tempo ouvindo música de ostentação e depreciação das relações e do feminino, ainda prefiro deitar na rede e escutar os bons e velhos companheiros LPs. Discutir política incansavelmente por meio de comentários nas redes não mais, passei a me dedicar a leitura dos meus poucos livros (sempre fui um leitor preguiçoso), TikTok, Kway abririam falência se dependessem da minha audiência, não estou dando conta do conteúdo do MUBI e do Oldflix.

Apesar de perceber a sociedade atual dessa maneira, não deixo de socializar, me permito fazer novas amizades, afinal, seria leviano resumir uma outra pessoa, ou seja um outro universo, apenas por seu gosto musical ou sua posição política. Claro que é também uma linha tênue, alguns aspectos e posicionamentos são relevantes, mas até mesmo para conhecê-los é preciso se permitir!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Frase - Franz Kafka

 “Apenas deveríamos ler os livros que nos picam e que nos mordem. Se o livro que lemos não nos desperta como um murro no crânio, para que lê-lo?”


quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Tempo de paz - Jorginho Pessanha

Você vai ver que viver sem mim
É pior
Lalaiá, laiá, lalaiá Lalaiá, laiá, lalaiá
Aprendi a dizer adeus
Não, não há mais jeito
Nosso amor desfeito
Você vai viver só
Melhor, já dei um chega
E vou provar que sou maior
Você vai ver que viver sem mim é pior
Você vai ver que viver sem mim é pior
Estou em tempo de paz
Sofrer de amor nunca mais
Já não me lembro a cor dos olhos teus
Aceitando riso
Dominei as lágrimas
E aprendi a dizer adeus
Lalaiá, laiá, lalaiá Lalaiá, laiá, lalaiá
Aprendi a dizer adeus.

terça-feira, 27 de julho de 2021

O homem que desafiou o diabo - Ojuara

O meu nome é Ojuara eu vim de longe e vou em frente, e o senhor nao é mais feio que certo tipo de gente. Feio é a herança do homem, a herança de Cain. Praga de mão ofendida, tentação do coisa ruim. Feio é aquela sombra escura que vai levando consigo o covarde que traiu a confiança do amigo. A beleza e a feiura tao junta em toda parte, a beleza inté na morte, e feiura inté na arte. Olhe seu rosto no espelho e nao perca a esperança, porque foi Deus que lhe fez, à sua imagem e semelhança. (Ojuara)

terça-feira, 13 de abril de 2021

Homenagem aos 98 anos da Portela - Instituto Glória ao samba

Áudios inéditos do Chico Santana.

“Portela
Tuas cores têm
Na bandeira do Brasil
E no céu também...”

Uma agremiação com a magnitude do GRES Portela não se constrói sem o empenho de homens e mulheres que dedicaram suas vidas em prol do samba.

Neste dia especial, o Instituto Cultural Glória ao Samba (IGS) reafirma toda sua admiração por esses personagens que são fundamentais na história da música popular brasileira.

Embora Paulo Benjamin de Oliveira, Antônio da Silva Caetano e Antônio Rufino dos Reis sejam os três nomes mais importantes na construção da agremiação azul e branco de Oswaldo Cruz, eles não teriam conseguido sem a ajuda de outros sambistas.

Por exemplo: Zé da Costa, Heitor dos Prazeres, Vicentina, Ninita, Diva Caetano, Firmino, Bichinho, Belmiro Lucas, Porquinho, Licurgo Batista, Claudionor, Nininho, Galdino, Seu Vieira, Seu Napoleão, Nicanor Trovão, Alvarenga, Alvaiade, Alcides, Boaventura dos Santos, João da Gente, Iara, Dora, Álvaro Sales, Manuel Guerra, Benício dos Santos, Alberto Machado, Angelino Poró, Bazileu, Euzébio, Armando Passos, Antenor dos Santos, Natal, Seu Juca, Cláudio Bernardes, Ubaldo Oscarino, Manuel Bam Bam Bam, Candinho, Arlindo Costa, Braulina, Olívio Pereira, Ximbute, Betinho, Albertina, Dona Martinha, Dona Neném, Dona Rosa, Leonora, Huga, Maria de Lourdes, Noêmia, Braulina, Olavo, Nelson Amorim, Abelardo, Zé Cachacinha, Armando Santos, entre outros.

Esses nomes poucas vezes lembrados se juntaram a outros valorosos sambistas no decorrer dos anos para transformar a Portela na maior campeã do carnaval carioca.

Para todas essas pessoas fica o nosso muito obrigado e a promessa que faremos tudo ao nosso alcance para que tais nomes nunca caiam no esquecimento.

O compositor Chico Santana, que dá voz ao vídeo através de gravação caseira até então inédita, foi muito feliz em suas palavras:

“Portela é um batalhão de sambistas
Um coquetel de artistas
Seus valores não têm fim
As suas pastoras vaidosas
Colhendo as flores cheirosas
No seu jardim...”

Viva a Portela!
 
FONTE: https://www.facebook.com/institutogloriaosamba/videos/162708909056020/

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Almir Guineto ( Murmúrio da Cachoeira )

É lado A? É batida? Mas, putz, é uma daquelas que se escuta a vida toda e tem sempre a mesma emoção.
Almir como sempre brincando de dividir e de tabela o pandeiro comendo no centro!!!!
Quando uma estrela cadente caiu lá do céu, algo em minha mente despertava
A lua airosa pintou atrás dos montes prateando as águas da fonte
E a bela cachoeira murmurava!
Sobre os murmúrios com suas ninfas preciosas me banhei, pedi proteção ao Rei!
Fala xangô!
Xangô na cachoeira é rei
É rei
Xangô na pedreira é rei
Rezei forte, pedi em minha oração, entre os homens mais compreensão
Para os enfermos a saúde
Para o campo o aroma da flor
Para o prisioneiro a liberdade
E para o povo muita paz e amor.

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