sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Frase - Alessandro Brito

"Demonstrar as pessoas que as amamos é o mínimo que podemos fazer por nós mesmos".

Caminhemos - Alessandro Brito

Meus olhos se deparam com aquela figura que logo denominei: Linda!
Mas que incrível, como pode se diferenciar tanto de todas as outras?
Então foco na realidade e tenho agora dois caminhos a seguir:
Prossigo e arrisco conhecer também seus defeitos?
Guardo aquela figura em mim imaculada, mesmo sabendo que logo sentirei uma vazio por não ter aprendido mais a respeito dela por medo de saber que não é tão perfeita quanto eu imaginei?
A busca do perfeito é instintiva, mas o que existe verdadeiramente resume-se ao belo! O perfeito logo dá lugar ao conhecer, que duro e tirano mostra-nos como somos em nossa essência e essa descoberta nos invade transformando a estima em decepção.
Porque me apegaria a um mundo seguro se as possibilidades de me surpreender são tantas quanto as de me decepcionar?
E se os defeitos dela forem os irrelevantes de minha lista? Se as qualidades dela forem as que necessito para completar a minha equação?
Arriscaria descartar todas estas possibilidades pelo simples fato de uma única decepção?!
Viver é correr riscos, aventurar-se no desconhecido, acreditar que o sonho é possível, o medo não deveria ser visto apenas como fraqueza, ele é também o nosso sinal de alerta constante, ele deve ser a força propulsora para às conquistas!
Caminhemos!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Hipocrisia 2 - Alessandro Brito


Fico impressionado com minha capacidade de ser hipócrita, me emociono co meu desejo de ser uma pessoa mais humana, fico enfurecido com minha incompetência, com minhas limitações.
Acabo de entrar no metrô, já é noite, quase 23h30min tudo tranqüilo meu coração está ansioso, afinal vai de encontro com a mulher que o deixa descompassado.
Último vagão sentei de frente aquele quadradinho que se forma atrás da cabine do condutor.  Estação seguinte as pessoas começam a aparecer, várias vidas e destinos dos quais não tenho o menor conhecimento de suas histórias. Eis que entra um sujeito de pele escura, descalço, camisa rasgada e bem suja, em suas mãos traz uma caixinha de fast food . Foi ai que começou minha agonia!
Estaria levando comida para os filhos? Esposa? Estaria indo para casa? Haveria mesmo algum alimento dentro daquela caixa?
Mas porque me preocupo? Tenho um emprego, uma companheira maravilhosa, bons e fiéis amigos, uma história, muitas coisas por fazer, por que então me preocupo e me abalo com aquele outro ser.
Outras estações passando, mais destinos entrando e saindo dos vagões  sem sentimentos, condutor de bons e ruins... E assim o ambiente vai sendo preenchido.
Ainda faltam algumas estações mas descerei em breve, levarei todas aquelas perguntas sem respostas? Logo eu que sou defensor celebre da frase do Raul “ Faça o que tu queres, pois a de ser tudo da lei”.
Então percebo que as pessoas entram despretensiosas almejando um lugar para poderem descansar seus corpos pesados enquanto não chegam a seus destinos. Mas ao entrarem no perímetro encoberto pela cabine deparam- se com aquela figura “repugnante” e sem hesitar dão meia volta em busca de um lugar “seguro”.
Percebo que o descamisado é mais sagaz que qualquer um daqueles que o desprezam, é incrível como não pisca, não se move, mas observa cada um que o cerca.
Então entra um rapaz muito elegante e bem apessoado carregando uma mala, com a expressão cansada, sem imaginar que naquele espaço livre se encontra um descamisado ele se direciona em busca de um assento, ao deparar-se com a figura marginalizada não pensa duas vezes em dar meia volta e se acomodar em outro lugar assim como fizeram as outras pessoas durante todo o percurso. Meu lado humano parece ter sido tocado, levanto cedendo meu lugar ao Sr. Elegância e vou de encontro ao renegado.
As pessoas parecem não acreditar, era como se elas não tivessem dividindo o mesmo espaço com aquele ser humano. Acho que elas eram melhores que ele, não sei em que, mas foi o que me pareceu ao ver que todos acompanhavam  com espanto meus passos em direção aquele homem.
Restam 4 estações até meu destino, sentado ao lado dele ensaiei umas 5 vezes perguntar a ele se aquela comida era para seu “filho”. Não tive coragem!
Então pensei apenas dizer antes de descer : “ O ser humano é a coisa mais nojenta do mundo, ninguém aqui é melhor do que você ou eu, somos todos sórdidos em nossos pensamentos e pecaminosos em nossas atitudes!”  Não tive coragem novamente, me igualei a todos aquelas pessoas repugnantes... É minha estação, preciso descer, preciso falar, quero ficar, não posso ficar, quero logo fugir  daquele lugar daquela situação, não posso esperar!
Um filme de minha vida passou naqueles milésimos de segundo, não aprendi nada com minhas cabeçadas e com meus erros, com toda solidão que já senti.  “Alguns soldados se esquecem das trincheiras quando deixam o campo de batalha, se esquecem que viveram na guerra”.
Sofro com as dores do mundo, mas minha hipocrisia me corrompe e nem um bandeide consigo colocar nesse câncer dessa nossa imoral “sociedade”.  

Apologia ao Jumento (O Jumento é Nosso Irmão) - Luiz Gonzaga

É verdade, meu senhor
Essa estória do sertão
Padre Vieira falou
Que o jumento é nosso irmão
A vida desse animal
Padre Vieira escreveu
Mas na pia batismal
Ninguém sabe o nome seu
Bagre, Bó, Rodó ou Jegue
Baba, Ureche ou Oropeu
Andaluz ou Marca-hora
Breguedé ou Azulão
Alicate de Embau
Inspetor de Quarteirão
Tudo isso, minha gente
É o jumento, nosso irmão
Até pr'anunciar a hora
Seu relincho tem valor
Sertanejo fica alerta
O dandão nuca falhou
Levanta com hora e vamo
O jumento já rinchou
Bom, bom, bom
Ele tem tantas virtudes
Ninguém pode carcular
Conduzindo um ceguinho
Porta em porta a mendigar
O pobre vê, no jubaio
Um irmão pra lhe ajudar
Bom, bom, bom
E na fuga para o Egito
Quando o julgo anunciou
O jegue foi o transporte
Que levou nosso Senhor
Vosmicê fique sabendo
Que o jumento tem valor
Agora, meu patriota
Em nome do meu sertão
Acompanhe o seu vigário
Nessa terna gratidão
Receba nossa homenagem
Ao jumento, nosso irmão.

Hipocrisia - Alessandro Brito

Na contra mão, sempre nesse sentido.


Tenho percebido a cada dia que se segue que a hipocrisia e a mentira
são as únicas coisas realmente sinceras que os homens oferecem uns aos
outros. Raras são as vezes que nos apresentamos despidos de toda as
armas e vestes que utilizamos desde sempre, apenas fazemos na presença
dos amigos, onde nos mostramos vulneráveis e puros, sem medo de sermos
nós.

O fiél sobe ao púpito e jura isso e aquilo, presta seu testemunho disso
e daquilo... O filho jura aos pais que não faz isso nem aquilo... O
funcionário diz que isso e aquilo... O Padre reza a missa sobre isso e
aquilo... Um dia cheguei a jurar de pé junto que Cabral havia
descoberto o Brasil...

Mas estes são casos irrelevantes e corriqueiros, duro é encarar a
realidade nua e crua como pintou Nelson Rodrigues, é saber que o ser
humano não vai bem nem das pernas nem da cabeça.

Dói muito ver a sombra escura de um covarde que traiu um amigo, ver um
ser em sua particularidade buscando e doando sua vida para outro e
recebendo a paga da traição, está estampado em cada rosto que os
interesses particulares são o topo da pirâmide de suas vidas, o
egocentrismo sempre foi e sempre será a fonte dos desejos do ser
humano, o resto podemos denominar de convivência.

A verdade está para aqueles que tem coragem de abrir mão do mundo
seguro de conveniências que os cercam, o preço é alto e nem todos podem
pagar. Não repare a franqueza, é só para meus amigos.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

O ouro e a madeira - Ederaldo Gentil

São vários os compositores brasas da nossa cultura, alguns mais extremistas ficam apenas com os da velha guarda, outros dão chance para os contemporâneos, acho que estou ficando mais maliavel e menos saudosista, não teria como deixar de fora este contemporâneo que, pra mim, está entre os dez mais brasas na canetada!

O ouro afunda no mar
Madeira fica por cima
Ostra nasce do lodo
Gerando pérolas finas

Não queria ser o mar
me bastava a fonte
Muito menos ser a rosa
simplesmente o espinho
Não queria ser caminho
porém o atalho
Muito menos ser a chuva
apenas o orvalho

Não queria ser o dia
só a alvorada
Muito menos ser o campo
me bastava o grão
Não queria ser a vida
porém o momento
Muito menos ser concerto
apenas a canção

O grande Ditador - Charles Chaplin

Pensamos demasiadamente
Sentimos muito pouco
Necessitamos mais de humildade
Que de máquinas.
Mais de bondade e ternura
Que de inteligência.
Sem isso,
A vida se tornará violenta e
Tudo se perderá.

Dorme menino - Alessandro Brito

Dorme menino
Dorme menino, dorme! Não te apresses em ver o tempo passar, desfrute menino do seus sonhos e pesadelos, desperte apenas quando for hora de levantar.
Quando dormes não sentes sangrar a ferida, estas imune aos males da vida, nem mesmo a saudade pode te sufocar.
Dorme menino, dorme! E volta aquela época de fantasia, regressa aquele velho tempo de alegria e dê de braços com seu bem estar.
Fique ai sossegado que ficarei ao teu lado, impedirei que perturbem seu sono, e te asseguro o seu repousar.
Sonha menino, sonha! Muda todas as coisas de lugar! Revira teu peito em busca das chagas que por ventura ainda possam nele habitar.
Pinta novamente teus quadros, reescreva as suas canções, releia os livros guardados e sinta a outra vez aquela velha emoção.
Sonha menino, sonha! Não deixe a esperança apagar, ascende o candeeiro de tua alma e saia às ruas a iluminar.
Leva a tua verdade concreta, seja sempre a prova sincera que sozinho é mais duro caminhar.
Leva menino, leva! Leva toda sua liberdade, ensina ao povo que vive o que é a verdade, mesmo sendo ela dura de se enxergar.
Leva menino, leva! E deixa tuas dores para a realidade...
Acorda menino, acorda!
Findou se o tempo de sonhar!

Um ser de luz - João Nogueira / Mauro Duarte / Paulo Cesar Pinheiro

E quando falo de saudades  falo sério, e ninguém me agrada mais do Paulo Cesar Pinheiro abordando este tema.
Acho que só quem perdeu alguém que amasse mais que a sim mesmo pode entender os versos de:

Um dia
Um ser de luz nasceu
Numa cidade do interior
E o menino Deus lhe abençoou
De manto branco ao se batizar
Se transformou num sabiá
Dona dos versos de um trovador
E a rainha do seu lugar
Sua voz então
Ao se espalhar
Corria chão
Cruzava o mar
Levada pelo ar
Onde chegava
Espantava a dor
Com a força do seu cantar
Mas aconteceu um dia
Foi que o menino Deus chamou
E ela foi pra cantar
Para além do luar
Onde moram as estrelas
A gente fica a lembrar
Vendo o céu clarear
Na esperança de Vê-la, sabiá
Sabiá
Que falta faz tua alegria
Sem você, meu canto agora é só
Melancolia
Canta, meu sabiá, voa, meu sabiá
Adeus, meu sabiá, até um dia




Frase - Alessandro Brito

"Podemos interpretar a poesia pois temos o conhecimento das palavras, mas só entenderá quem a viveu"

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