quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Sentimentos de um homem - Alessandro Brito

Cheguei por aqui na década de 80, mais precisamente em 1983 e o mundo já se apresentava como tal, o máximo que pude e posso fazer é tentar me adaptar, e ae mora o problema...

A década de 80 foi incrível, ser criança em grau, número e gênero é incrível! em 1989 entrei para primário (ensino fundamental) ooo saudade. E foi uma infância inenarrável, maravilhosa, só o fato de conservar alguns tantos amigos (que se tornaram irmãos) daquela época até hoje, não preciso dizer mais certo?

A década de 90 foi ainda mais incrível, todo o peso nas minhas costa era passar de ano (nunca se cogitou a possibilidade de repetir, meu pai me mataria, ao menos no meu fantástico mundo de Bob) e brincar de todas as brincadeiras de rua possíveis, tipo:
Pique bandeira
Queimada
Duro ou mole
Pega a pega
Esconde-esconde
Cabra cega
Cabo de força
Estátua
Mimica
Vivo e morto
Polícia e ladrão
Carrinho de rolimã
Fubeca (bolinhda de gude, bila)
Taco
Amarelinha
Passa anel
Telefone sem fio
Stop (Uuuuuuuuu stop)
Futebol (quantos tampões do dedão não ficaram no caminho, um pouquinho de terra em cima pra coagular o sangue e o clássico seguia)
Estrela nova cela (que só depois do google vim saber que era pra ter sido "estréia nova cela", mas ae já era tarde)
Caiu no poço (Caiu no poço -Quem te tira? - Meu amor - O que você quer dele? - Um beijo na boca)
Pular corda (Salada saladinha bem temperadinha com sal pimenta fogo e foguinhoooo)
Corre cotia (Corre cotia, na casa da tia, corre cipó , na casa da vó, lencinho na mão caiu no chão, moça bonita do meu coração. Pode pegar? Pode! Ninguém vai olhar? Não!)
Adoleta (a-do-le-ta-le-pe-ti-pe-ti-pe-tá le café com chocolá a-do-le-tá puxa rabo do tatu quem saiu foi tu)
 Nossa, nunca havia me dado conta de como foi trabalhoso viver essa época.

Como nunca fui sinônimo de beleza, o despertar para  as garotas veio mesmo na fase do colegial (ensino fundamental) 1997, raspei o cabelo, coloquei lentes de contato, um par de brincos na mesma orelha, e me vinguei de um monte de moças que não me davam bola. Época também que comecei a descobrir meu corpo, fase sensacional.
Só na chegada do novo milênio é que de fato cai na vida real, dependendo do ponto de vista claro. Então veio o golpe mais duro, aquele mundo com o formato padrão que me foi apresentado lá no início da minha história começou a refletir sobre mim. Não teria problema, eu seguiria o fluxo normalmente, levando uma vidinha medíocre e feliz se não tivesse sido apresentado a algumas pessoas e suas histórias.
É lamentável ver como é moldado e parametrizado o sentimento de um homem nessa sociedade doente, ainda vivemos em tempos toscamente machista, e nesses moldes, um homem que se mostra fraco perde cartaz. Que tolice, eu vivo por me apaixonar e dar cabeçadas, cada coração alheio é um universo paralelo ao meu, não é possível controlá-los, logo cada novo instante é uma nova surpresa, e o que fazer se não sentir? Mas sentir de verdade, desenfreadamente, sem medo de exposição ou censura a cada desengano ou nova desilusão, afinal cada cabeçada é sim uma nova lição.
Eu me projeto, falo o que penso, demonstro sim, toda fraqueza e tenho tido que me recompor e me refazer, lá se vão três anos e meio solteiro, não por falta de me permitir ou me apaixonar, mas por falta de alguém que apenas me reconheça. Tudo que tenho é a esperança de um novo dia, não posso ser negligente quanto a isso, não me daria ao luxo de desistir por ter me ferido algumas vezes, seria muita covardia de minha parte.
Quem tem medo de se entregar, não merece ser feliz, seria injusto para com aqueles que como eu se jogam no abismo.
É tudo tão confuso de agir e tão simples no sentir. Mas
E então surgem milhões de paradoxos, ligar ou não ligar, escrever... falar... convidar... presentear... voltar... seguir...
É preciso saber quanto custa (não falo de valores R$) cada coisa em nossa vida, para sentir um namoro é preciso ter sido solteiro por algum tempo, para se saber quanto custa ser solteiro é preciso ter estado em um relacionamento por algum tempo, para saber quanto custa ser casado é preciso ter sido solteiro e ter namorado por algum tempo. Sem estas experiências não acho muito confiável alguns "sentir".
Talvez por ter pago uma parcela de cada um, hoje seja tão fácil expor meus sentimentos sem medo e ao mesmo tempo tão difícil ser reconhecido. E pelo mesmo motivo estou sentindo falta de uma companheira, mas os sentimentos alheios tem se apresentado tão fugazes...
A porta continua ente aberta, espero poder escancara-la dentro em breve.








Um comentário:

  1. "Quem tem medo de se entregar, não merece ser feliz..."
    Imensurável o peso dessa frase. Pois bem, primeiramente o parabenizo pelas lindas palavras, que de fato foram sentidas. É admirável ver e conhecer um homem (no quesito gênero) com tal capacidade.escrever pode até ser para muitos, mas sentir o que se escreve é raro.
    Bom, voltando a frase, ela é densa e complexa, pois medos são sempre existentes e penetram onde não foram chamados, mas ao mesmo tempo exitem muito mais que racionalidade e emoção em um ser humano... a adrenalina supera, muitas vezes. E sobre merecer ser feliz, bom, é relativo. O que é felicidade? aaah, se essa coisinha fosse ''custeada'' apenas por um Ser... todos seriam felizes. Enfim, parabéns!

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