segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Chegada - Alessandro Brito

São mais de 3 anos de namoro comigo. Foram "anos incríveis", como os do Kevin Arnold, tantas inseguranças; descobertas; viagens; pessoas; lições; despedidas, tantas portas eu bati... Então rompi comigo e parti, decidido a me permitir compartilhar a vida com uma nova companheira, que está por vir.
Vim trilhando o caminho reverso do pau de arara, tentando fugir das futilidades das grifes e dos preconceitos, da frieza humana, da soberba que me cercava, deixando para trás a selva de pedra e buscando nova vida no sertão.
Cheguei até aqui, quase ileso. Cheguei, apesar de todas as incertezas dos meus passos.
Estou cansado, foi uma viagem difícil.
E para minha surpresa, não vejo um quadro muito diferente das mazelas das grandes metrópoles, muito embora ainda encontre valores que a tempos não via.
Ceguei e queria apenas um abraço, sincero, que eu pudesse confiar. Gostaria apenas que ela acalentasse também meus defeitos, não preciso que cure minhas feridas, nem que assuma a responsabilidade da minha felicidade.
Não gostaria de provar que valho a pena, queria apenas que fosse espontâneo, que desde o início fossemos avalistas dos riscos que a vida exige, e que assim seja o suficiente para nós. Que seja leve, sem mudanças radicais nem sacrifícios heroicos. Que possamos fazer valer as lições que aprendemos. Que o mundo fique lá fora enquanto estivermos dentro dele.
Meu coração não anda fraco apesar de todas as cicatrizes, talvez minha mente sim, fraqueje em alguns momentos, é falta de compreensão do que é a vida.
Figuro um sorriso... um olhar... e mantenho a esperança de enfim descansar em paz.

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