terça-feira, 20 de maio de 2014

O meu nirvana - Augusto dos anjos

O meu nirvana

No alheamento da obscura forma humana, 
De que, pensando, me desencarcero, 
Foi que eu, num grito de emoção, sincero 
Encontrei, afinal, o meu Nirvana!

Nessa manumissão schopenhauereana, 
Onde a Vida do humano aspecto fero 
Se desarraiga, eu, feito força, impero 
Na imanência da Idéa Soberana!

Destruída a sensação que oriunda fora
Do tacto — ínfima antena aferidora
Destas tegumentárias mãos plebéas —

Gozo o prazer, que os anos não carcomem,
De haver trocado a minha forma de homem
Pela imortalidade das Idéas!

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