terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O sentido da vida - Alessandro Brito

Lhes pouparei de chegarem ao fim deste post e adiantarei o desfecho: "Eu não tenho a menor idéia de qual seja o sentido da vida".
Talvez não exista um sentido apenas, exista o meu sentido, o seu... O que sei é que a vida é um espetáculo mutável, e o poder que temos de dar novas entradas e novos enredos me deixa fascinado pelo viver... Mas tenho notado que nos dias atuais o "viver" passou a ser um martírio, o que se tem de melhor e mais sublime está dentro de nós, sempre esteve, "A lição sabemos de cor, apenas não aprendemos". Essa mesma vida que me encanta é a mesma que vejo um outro definhar, é a mesma que vejo um sofrer e outro gozar, muitos não tem direito de sorrir já vêem ao mundo desfavorecidos das mínimas condições de sobrevivência.
Esse espetáculo da luxuria e da falsa moralidade está contaminando nossos dias, os prazeres não estão mais no viver, mas sim no possuir, no exibir...
A essência da simplicidade vem caindo por terra dia a dia, o brincar está ficando na memória dos antigos, sendo esmagado pelo "jogar", os pais que deveriam ser exemplo para os filhos, mas estão preocupados com a modernidade e se esquecendo que crianças precisam de sonhos não de tecnologia...
Os casais não se amam, se suportam, convivem, Nelson Rodrigues dizia: " Só o cinismo redime um casamento. É preciso muito cinismo para que um casal chegue às bodas de ouro." Não podemos generalizar, mas a verdade que nos envolve é que as noites de lua não são mais dos casais apaixonados, hoje se tornou apenas cobertor dos mendigos que vagam procurando sua honra que a muito foi arrancada...
A vida é o hoje, a felicidade deve estar presente agora, dentro do mundo de cada ser. Que se inicie a guerra da busca da calmaria... Fica cada vez mais insuportável estar feliz vendo tantos ao nosso redor sofrer... Paradoxos a parte, o sentido da vida é simplesmente...

Limiar - Publicada por Bizarro em 4/30/2007

O Limiar

Limiar por definição significa começo. Tudo na vida tem um limiar a partir do qual o sentido muda, a partir do qual um sentimento deixa de ser para que um novo sentimento comece, a partir do qual um conceito dá lugar a outro.

O grau de satisfação de alguém tem um limiar a partir do qual a satisfação dá lugar ao marasmo, e por repetição de satisfação esta mesma satisfação transforma-se em náusea de satisfação e passa a dar lugar à antítese de satisfação. O amor tem um limiar a partir do qual acaba o amor e começa a obsessão. O prazer tem um limiar a partir do qual se transforma em dor, a saudade tem um limiar a partir do qual se transforma em presença, alguém pode sentir tanta saudade que esta saudade já não corresponde à ausência de alguém, mas a uma presença tão forte que a saudade dá lugar a uma existência metafísica.

Podia continuar a dissertar sobre como os limiares estão presentes em tudo o que fazemos, tudo o que escolhemos, e tudo o que somos, a forma como condicionam todos os nossos passos, e como decidimos o que é mais importante, e o que é mais correcto. Para mudar completamente a personalidade de alguém e a forma como faz as suas escolhas, basta mudar os seus limiares. Para que um preguiçoso dê lugar a um trabalhador compulsivo basta mudar o seu limiar de trabalho suficiente, um preguiçoso é preguiçoso porque o seu limiar de suficiência é muito baixo em relação à sociedade que o classifica de preguiçoso, mas se mudarmos o limiar de trabalho da sociedade, este individuo claramente deixa de ser preguiçoso. É fantástico o poder que uma definição tão simples possui. Um louco pode ser classificado como tal, apenas porque as suas acções transcendem o limiar de normal, mas mudando este limiar, as designações podiam facilmente inverter.

Uma criança deixa de ser criança quando ultrapassa o limiar de puerilidade, um corpo deixa de ser jovem e passa a velho quando ultrapassa um limiar. Tudo muda com a passagem de um limiar. A persistência deixa de ser persistência, a partir de um certo limiar e dá lugar à teimosia e obstinação, tudo muda com a passagem de um limiar. O que define um ser é a sua posição em relação a uma marca delimitadora, a um limiar.

O importante são os limiares que escolhemos para nós, os limiares que existem à nossa volta, e o limiar a partir do qual os limiares que definimos para nós são menos importantes que os limiares que definiram para nós.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Como dizia o poeta - Vinícius e Toquinho

Frase - Alessandro Brito

"Demonstrar as pessoas que as amamos é o mínimo que podemos fazer por nós mesmos".

Caminhemos - Alessandro Brito

Meus olhos se deparam com aquela figura que logo denominei: Linda!
Mas que incrível, como pode se diferenciar tanto de todas as outras?
Então foco na realidade e tenho agora dois caminhos a seguir:
Prossigo e arrisco conhecer também seus defeitos?
Guardo aquela figura em mim imaculada, mesmo sabendo que logo sentirei uma vazio por não ter aprendido mais a respeito dela por medo de saber que não é tão perfeita quanto eu imaginei?
A busca do perfeito é instintiva, mas o que existe verdadeiramente resume-se ao belo! O perfeito logo dá lugar ao conhecer, que duro e tirano mostra-nos como somos em nossa essência e essa descoberta nos invade transformando a estima em decepção.
Porque me apegaria a um mundo seguro se as possibilidades de me surpreender são tantas quanto as de me decepcionar?
E se os defeitos dela forem os irrelevantes de minha lista? Se as qualidades dela forem as que necessito para completar a minha equação?
Arriscaria descartar todas estas possibilidades pelo simples fato de uma única decepção?!
Viver é correr riscos, aventurar-se no desconhecido, acreditar que o sonho é possível, o medo não deveria ser visto apenas como fraqueza, ele é também o nosso sinal de alerta constante, ele deve ser a força propulsora para às conquistas!
Caminhemos!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Hipocrisia - 2


Fico impressionado com minha capacidade de ser hipócrita, me emociono co meu desejo de ser uma pessoa mais humana, fico enfurecido com minha incompetência, com minhas limitações.
Acabo de entrar no metrô, já é noite, quase 23h30min tudo tranqüilo meu coração está ansioso, afinal vai de encontro com a mulher que o deixa descompassado.
Último vagão sentei de frente aquele quadradinho que se forma atrás da cabine do condutor.  Estação seguinte as pessoas começam a aparecer, várias vidas e destinos dos quais não tenho o menor conhecimento de suas histórias. Eis que entra um sujeito de pele escura, descalço, camisa rasgada e bem suja, em suas mãos traz uma caixinha de fast food . Foi ai que começou minha agonia!
Estaria levando comida para os filhos? Esposa? Estaria indo para casa? Haveria mesmo algum alimento dentro daquela caixa?
Mas porque me preocupo? Tenho um emprego, uma companheira maravilhosa, bons e fiéis amigos, uma história, muitas coisas por fazer, por que então me preocupo e me abalo com aquele outro ser.
Outras estações passando, mais destinos entrando e saindo dos vagões  sem sentimentos, condutor de bons e ruins... E assim o ambiente vai sendo preenchido.
Ainda faltam algumas estações mas descerei em breve, levarei todas aquelas perguntas sem respostas? Logo eu que sou defensor celebre da frase do Raul “ Faça o que tu queres, pois a de ser tudo da lei”.
Então percebo que as pessoas entram despretensiosas almejando um lugar para poderem descansar seus corpos pesados enquanto não chegam a seus destinos. Mas ao entrarem no perímetro encoberto pela cabine deparam- se com aquela figura “repugnante” e sem hesitar dão meia volta em busca de um lugar “seguro”.
Percebo que o descamisado é mais sagaz que qualquer um daqueles que o desprezam, é incrível como não pisca, não se move, mas observa cada um que o cerca.
Então entra um rapaz muito elegante e bem apessoado carregando uma mala, com a expressão cansada, sem imaginar que naquele espaço livre se encontra um descamisado ele se direciona em busca de um assento, ao deparar-se com a figura marginalizada não pensa duas vezes em dar meia volta e se acomodar em outro lugar assim como fizeram as outras pessoas durante todo o percurso. Meu lado humano parece ter sido tocado, levanto cedendo meu lugar ao Sr. Elegância e vou de encontro ao renegado.
As pessoas parecem não acreditar, era como se elas não tivessem dividindo o mesmo espaço com aquele ser humano. Acho que elas eram melhores que ele, não sei em que, mas foi o que me pareceu ao ver que todos acompanhavam  com espanto meus passos em direção aquele homem.
Restam 4 estações até meu destino, sentado ao lado dele ensaiei umas 5 vezes perguntar a ele se aquela comida era para seu “filho”. Não tive coragem!
Então pensei apenas dizer antes de descer : “ O ser humano é a coisa mais nojenta do mundo, ninguém aqui é melhor do que você ou eu, somos todos sórdidos em nossos pensamentos e pecaminosos em nossas atitudes!”  Não tive coragem novamente, me igualei a todos aquelas pessoas repugnantes... É minha estação, preciso descer, preciso falar, quero ficar, não posso ficar, quero logo fugir  daquele lugar daquela situação, não posso esperar!
Um filme de minha vida passou naqueles milésimos de segundo, não aprendi nada com minhas cabeçadas e com meus erros, com toda solidão que já senti.  “Alguns soldados se esquecem das trincheiras quando deixam o campo de batalha, se esquecem que viveram na guerra”.
Sofro com as dores do mundo, mas minha hipocrisia me corrompe e nem um bandeide consigo colocar nesse câncer dessa nossa imoral “sociedade”.  

Apologia ao Jumento

Hipocrisia

Na contra mão, sempre nesse sentido.


Tenho percebido a cada dia que se segue que a hipocresia e a mentira
são as únicas coisas realmente sinceras que os homens oferecem uns aos
outros. Raras são as vezes que nos apresentamos despidos de toda as
armas e vestes que utilizamos desde sempre, apenas fazemos na presença
dos amigos, onde nos mostramos vulneráveis e puros, sem medo de sermos
nós.

O fiél sobe ao púpito e jura isso e aquilo, presta seu testemunho disso
e daquilo... O filho jura aos pais que não faz isso nem aquilo... O
funcionário diz que isso e aquilo... O Padre reza a missa sobre isso e
aquilo... Um dia cheguei a jurar de pé junto que Cabral havia
descoberto o Brasil...

Mas estes são casos irrelevantes e corriqueiros, duro é encarar a
realidade nua e crua como pintou Nelson Rodrigues, é saber que o ser
humano não vai bem nem das pernas nem da cabeça.

Dói muito ver a sombra escura de um covarde que traiu um amigo, ver um
ser em sua particularidade buscando e doando sua vida para outro e
recebendo a paga da traição, está estampado em cada rosto que os
interesses particulares são o topo da pirâmide de suas vidas, o
egocentrismo sempre foi e sempre será a fonte dos desejos do ser
humano, o resto podemos denominar de convivência.

A verdade está para aqueles que tem coragem de abrir mão do mundo
seguro de conveniências que os cercam, o preço é alto e nem todos podem
pagar. Não repare a franqueza, é só para meus amigos.